Anjo amigo

 

Sinopse:
Um anjo é enviado a terra com a missão de salvar uma alma, ele aparece em meio do caos e passa a ser influenciado pelas pessoas. O rapaz se envolve com Laura e Marta, mas não imagina que as duas são muito perigosas. Laura é sensual, bastante ambiciosa e não pensa duas vezes, sempre consegue o que quer, mesmo que seja passando por cima de outros, fria e calculista, ela vive aplicando golpes seduzindo rapazes que enlouquecem por sua beleza. A vilã leva Otávio para cama e depois de transar com o rapaz, ela foge com todo o dinheiro dele e volta para sua cidade de origem, Leônia. Otávio assim que descobre que foi enganado, então, procura pela amiga Elis e ela completamente apaixonada por ele, tenta ajudá-lo e quer mantê-lo por perto, mas ele só pensa em se vingar.
Já Selma é a irmã mais nova de Laura que é conhecida por suas confusões e seu lado excêntrico. A jovem não lida bem com a mãe Célia e também adora lucrar com trambiques, assim como a irmã do meio e a própria mãe.
Célia é amarga e ambiciosa, sempre acreditou que Luana, a filha mais velha pudesse lhe dar um futuro promissor e sem problemas de dinheiro, mas se decepcionou com a gravidez da filha, ela separou a filha da própria mãe e entregou ao Pai e faz de tudo para casar a mais velha com um homem rico. Luana é meiga, ainda mora com a mãe e tudo que mais deseja é saber onde está a sua filha, capaz de atender o desejo da mãe para poder reencontrar o seu bem mais precioso. Ela se apaixona pelo jovem Luciano, mas acaba abandonando o rapaz para se casar com Heitor.
Outra que decide seguir caminho para a pequena cidade do interior da capital é a ex-presidiária Marta. Essa cometeu um crime no passado e após liberdade decretada, ela decide seguir sua vida, na estrada a espera de uma carona, ela conhece Ana, uma mulher misteriosa que faz uma proposta estranha para a moça.
Em um determinado ponto da história, as máscaras das duas caem e Ricky e deverá escolher uma delas se realmente valer a pena.


Capítulo 1 - Jogo de sedução


Somos responsáveis por nossas próprias escolhas, existe o bem e o mal, mas o caminho é você que decideDisse Ricky.

 

Capital – Hotel – Tarde.

 

Laura caminha até uma mesa do restaurante do hotel acompanhada por um homem, este se chama Otávio. Um ato de cavalheirismo leva o mesmo a puxar a cadeira para a moça.

LAURA – Eu estou linda! Confessa... Não estou?

OTÁVIO – É claro que sim, querida. Sua beleza é incontestável e eu tenho sorte por estar ao seu lado.

LAURA – Realmente eu tenho que concordar com você, tem sorte de estar ao meu lado e isso não é para qualquer um.

OTÁVIO – Como eu deixei me apaixonar por você?

LAURA – Você se permitiu meu bem.

Ela sorriu e ele segurou sua mão. Um garçom se aproximou e eles fizeram o pedido, logo em seguida ficaram sozinhos novamente.

OTÁVIO – Você deveria ter entrado na minha vida há muito tempo...

LAURA – Nunca é tarde meu amor, agora estou com você e tenha absoluta certeza que faremos uma dupla perfeita.

OTÁVIO – Tudo que eu mais quero agora... Quero sentir o gosto dos seus lábios.

LAURA – Eu poderia agora fazer uma proposta tentadora, mas ainda penso em tomar uma taça do melhor vinha da casa.

OTÁVIO – Eu sei esperar o momento certo e na hora eu arrancar a sua roupa.

O garçom retorna e serve o vinho. Ela continua sorrindo e os olhos dele admiram a beleza encantadora da moça.

LAURA – Eu acho que estou pronta...

OTÁVIO – Você tem certeza disso?

LAURA – Eu nunca tive tanta certeza na minha vida.

Os dois se beijavam loucamente enquanto caminhavam ao quarto do Hotel. Ele encostou Laura na parede e chupou por um longo tempo em volto de seu pescoço.

OTÁVIO – Você agora é minha, somente minha.

Eles entraram no quarto, ela o empurrou que caiu sob a cama e fechando a porta.

LAURA – Tem certeza que vai mesmo arrancar a minha roupa?

Ele abriu os botões de sua camisa e ela já estava só com roupas íntimas. Os dois então se beijaram novamente e ali fizeram amor.

Horas depois...

“O mundo é dos espertos e eu simplesmente nasci para me dar bem”. Disse Laura para se mesma.

Ela e Otávio estavam nus sob os lençóis na cama. Ele se levantou completamente sem roupa, colocou rapidamente a toalha.

OTÁVIO – Você deveria vir comigo... A água é quente aqui.

LAURA – Espera só um pouco, eu prometo que irei.

OTÁVIO – Eu estou esperando viu.

Ele entrou no banheiro e Laura levantou rapidamente, vestiu sua roupa, abriu o guarda-roupa onde havia uma mala, ela abriu e conferiu o dinheiro que ali estava.

LAURA – Essa é a parte que eu mais gosto... Sempre gostei de o lema viver a vida, até que ele era bom na cama.

Ela saiu discretamente, fechou a porta com cuidado e foi embora.

 

Cidade de Leônia – Roseiral – Fim de tarde.

 

“Está entre as rosas me faz pensar mais na minha própria vida, na minha filha que está tão distante agora, se eu pudesse, eu faria de tudo para tê-la comigo agora”. Disse Luana.

Luana com cuidado tirou uma rosa e colocou a mesma presa em seu lindo cabelo loiro. Ela caminhou até a grama do jardim e ali sentou, o sol estava indo embora, era encantador a vista privilegiada que o jardim dava para a montanha.

LUANA – Será que o meu coração aguenta de tanta saudade, Meu Deus? Eu preciso da minha filha ao meu lado.

 

Casa de Luana – Noite.

 

Luana retornou para sua casa e encontrou sua mãe na sala. Célia era uma mulher que usava roupas finas e que costuma tomar o chá no fim da tarde. Os olhos da mãe fitaram a filha como uma interrogação.

LUANA – Eu estava caminhando perto do roseiral.

CÉLIA – Está um pouco tarde para caminhadas, minha querida. Eu terminei o meu chá há pouco mais de meia hora.

LUANA – Tudo bem. Eu vou lavar a louça.

Ela havia tirado o chapéu e quando resolveu se retirar da sala, foi interrompida pela mãe.

CÉLIA – Espere um pouco.

LUANA – Sim?

CÉLIA – Querida filha, eu preciso conversar seriamente com você e prometi para mim mesma que não passará de hoje.

LUANA – Conversar sobre o que?

CÉLIA – Eu quero conversar sobre você e o seu futuro, aliás, o nosso futuro.

LUANA – O nosso futuro? Eu não estou entendendo.

CÉLIA- Vai entender agora querida. Você já se olhou no espelho hoje e imaginou o que pretende fazer daqui a alguns anos? Bem, eu parei e imaginei por você.

LUANA – Eu tenho uma filha.

CÉLIA – E ela não está aqui com você, essa parte a gente apaga da memória, ninguém precisa saber.

LUANA – Eu sei. Eu tenho uma filha e não vou simplesmente apagar da minha memória.

CÉLIA – Você precisa se casar e com um bom partido, eu sei o que é melhor para você.

LUANA – Eu não vou me casar com ninguém.

Ela então deu as costas para mãe e foi para o quarto. Célia permaneceu na sala e sentou em uma poltrona.

“Dinheiro não nasce em árvore, se fosse assim, o meu quintal estava cheio delas, eu não vou perder esta chance, ela casa, nem que eu a obrigue.” Disse Célia.

 

Otávio havia descoberto que fora enganado por Laura, ele permaneceu sentado sob a cama do hotel e não sabia o que fazer.

- Desgraçada. Como eu pude ser tão idiota?

Laura acendeu um cigarro e depois jogou o mesmo no chão, apagando o fogo com o sapato, ela estava na estrada perto de um posto de abastecimento. Era possível ouvir vozes, ali havia um bar onde homens com roupas gastas bebiam dose após dose de cachaça.

LAURA - Eu odeio contato com gente bêbada.

Ela caminhou até um carro e encontrou um homem que segurava uma garrafa, ele estava totalmente apagado. Ela abriu a porta e usou toda força que tinha jogando o bêbado para fora, ela entrou no automóvel em seguida e pegou a estrada.

 

Leônia – Praça – Noite.

 

A lua brilhava no céu um pouco avermelhada. As pessoas aproveitavam a praça para conversarem. Heitor chegava acompanhado da namorada Letícia.

LETÍCIA – Você não sabe o quanto eu fiquei feliz por ter me chamado para dar uma volta.

HEITOR – Meu amor, somos namorados e eu sempre quero ficar ao seu lado.

LETÍCIA – Eu te amo.

HEITOR – Eu também te amo, eu te amo muito.

O casal então se beijou e isso despertou a atenção de Selma que estava junto com a sua galera.

SELMA – A minha maior vontade é estragar a felicidade desses pombinhos.

PAULA – O que está pensando?

As amigas trocaram olhares devastadores. Selma saiu do meio de seu grupo de amigos e caminhou até o casal. Ela vestia uma jaqueta de couro e seu cabelo loiro destacava cada vez que o vento batia.

SELMA – Ei cara! Você é tão sedutor.

HEITOR – O que? Eu sou?

Letícia não entendeu nada e encarava a jovem. Selma olhou novamente para Heitor e lhe roubou um beijo.

LETÍCIA – Heitor? O que é isso?

SELMA – Agora eu vou indo, espero que guarde com lembrança o meu beijo.

HEITOR – O que você fez sua louca?

Letícia em um impulso empurrou o namorado, tirando-o da frente de Selma e ela lhe deu uma tapa. A loira quase caiu e devolveu a tapa.

LETÍCIA – Vagabunda!

SELMA – Ouse me tocar novamente, sua chifruda.

LETÍCIA – Eu tenho é pena de você de tão que ridícula que é.

SELMA – Eu dispenso tudo que vem de você, o seu namorado beija bem, quem sabe qualquer dia desse eu experimente novamente.

LETÍCIA – Vai embora!

Selma riu com deboche e depois voltou ao grupo de amigos.

PAULA – Estou morta com você.

Letícia olhava para Heitor repreendendo pela cena que acabou de acontecer.

HEITOR – Não olha assim para mim, eu não tenho culpa, eu estava aqui na minha e aquela doida me beijou.

LETÍCIA – E você simplesmente deixou.

HEITOR – Letícia, por favor! Ela que me beijou!

 

[Amanheceu]

 

Luana acabava de colocar água nas plantas de frente a sua casa, ela pegou a bolsa e saiu em direção à padaria.

LUANA – Por favor, eu quero a mesma quantidade de pães!

HOMEM – Tudo bem, senhorita! Só um momento.

A moça pegou a sacola e saiu do local, andou de volta para casa e quando menos esperava, sentiu a queda, uma bicicleta havia lhe atropelado, a sacola de pães fora jogada para o outro lado da rua e Luciano, o culpado do acontecido logo prestou ajuda estendendo a mão.

LUCIANO – Você está bem, senhorita?

LUANA – A sacola de pão! Meu deus!

LUCIANO – Os pães caíram todos no chão, mas eu vou pagar, a culpa é toda minha.

LUANA – Obrigada, mas não precisa.

LUCIANO – É claro que precisa. Eu causei todo esse transtorno e mais uma vez lhe peço desculpas.

LUANA – Está tudo bem.

Ele sorriu e voltou à bicicleta onde havia um cesto com rosas, tirou uma delas e entregou a moça.

LUCIANO – É para você!

LUANA – É linda, mas...

LUCIANO – Por favor, aceite! Eu preciso corrigir tudo isso.

 

Capital – Dia.

 

“Eu abri os meus olhos, ouvi o canto dos pássaros, a luz do sol entrava no meu quarto e tudo ficava cada vez mais claro. A verdade é que não era necessariamente um quarto e sim uma cela onde passei um bom tempo da minha vida.” Pensou Marta.

A presidiária foi levada até outro cômodo, trocou suas roupas e foi levada para o lado de fora, o portão se abriu.

MARTA – Agora eu tenho a certeza absoluta que estou livre. Esse dia demorou a chegar, eu aguentei firme e agora estou completamente livre.

 

Um homem caminhava a alguns quarteirões próximos do local. Ouviu gritos e alguns tiros.

“Quando a dor parece infinita, não há remédio que resolva. E se a dor não for real? Como distinguir a ilusão e a realidade?”. Ricky abriu os olhos. Pensou Ricky.

Ele estava sangrando e caiu no chão em seguida.

 

Continua no próximo capítulo...

 

 


Capítulo 2 - Ela nasceu para provocar


Somos responsáveis por nossos próprios atos. Tudo que fizemos trás benefícios ou consequências.

“O mundo é dos espertos e eu simplesmente nasci para me dar bem”. Disse Laura para se mesma.

O portão do presídio fechou e Marta caminhou sem olhar para trás.

MARTA – Começar tudo de novo!

 

Hospital – Dia.

 

Ricky abriu os olhos e se viu no meio de várias pessoas deitadas sob uma cama, olhou para os lados e não tinha ideia de onde estava. Ele tentou se levantar e foi surpreendido por um médico.

DR. MARCELO – O que pensa que está fazendo? Precisa de ajuda?

RICKY – Onde eu estou?

DR. MARCELO – Você estava ferido e te ajudamos. Eu recomendo que você volte para a maca e descanse.

RICKY – Eu não posso ficar aqui, eu tenho que...

DR. MARCELO – Você deve descansar. Eu confesso que pensei que não fosse escapar e estou muito contente com sua melhora.

RICKY – Eu estou muito bem, obrigado!

DR. MARCELO – Descanse rapaz. Está sob a minha observação!

O médico se retirou, Ricky olhou para a roupa branca de hospital que usava e procurou à ferida, ele descobriu que nada existia e olhou mais uma vez para ter a certeza.

 

Leônia – Casa de Laura.

 

Laura pegou suas chaves e abriu a porta de sua casa, ao entrar encontrou a irmã deitada no sofá. Ela caminhou até a cozinha, pegou um copo de água e jogou em Selma.

SELMA – Eu não fiz... Nada... O que é isso? Laura?

LAURA – Surpresa queridinha? Você esqueceu o caminho de casa?

SELMA – Eu pensei que não fosse ligar, mas eu dormi no seu sofá...

LAURA – Se estivesse na minha cama, com certeza eu te mataria.

SELMA – Eu pensei que fosse ficar mais tempo na Capital!

Laura abriu uma garrafa de vinho e colocou um pouco em uma taça. Selma olhou para a mala e se aproximou.

LAURA – Não toca aí! Venha tomar um pouco de vinho comigo, querida.

SELMA – O que há na mala?

LAURA – O que há não é da sua conta!

SELMA – Ai irmãzinha! Eu sou tão legal com você e você só me dando patadas!

Laura deixou a taça sob o balcão da cozinha e fitou a irmã com os olhos.

LAURA – Tem sorte de te deixar aqui no meu apartamento... Mas não por muito tempo!

SELMA – Conseguiu muita coisa na capital?

LAURA – Eu enganei um otário e estou pronta para outra!

SELMA – Eu acho que conheço um novo pronto para outra.

LAURA – Quem?

 

Casa de Letícia – Tarde.

Heitor chega com um buquê de flores e bate várias vezes na porta da casa de Letícia. Ela abre uma das janelas e o encara.

LETÍCIA – O que você quer? Não temos mais nada para conversar!

HEITOR – Meu amor... Por favor! Eu preciso que me escute.

LETÍCIA – Vá procurar outra boca para beijar!

HEITOR- Eu não quero outra boca para beijar, eu quero beijar a sua.

LETÍCIA – Acabou, Heitor! Você consegue entender o que significa?

HEITOR – Não pode terminar assim comigo! Eu trouxe flores.

LETÍCIA – Jogue as fora!

 

“Ele é muito bonito. Luciano! É um lindo nome e ele é tão querido. Será que vou ter a chance de vê-lo novamente?” Pensou Luana.

Célia passava no corredor e viu a filha deitada na cama. Luana tinha um sorriso lindo e parecia muito feliz.

CÉLIA – O que está acontecendo com essa menina?

Ela entrou no quarto e surpreendeu a filha.

LUANA – Mamãe?

CÉLIA – A louça está toda suja e você deitada na cama?

LUANA – Eu já estava indo lavar, eu pensei que poderia descansar um pouco.

CÉLIA – Se quer descansar um pouco, então deve pensar no casamento, no seu casamento e quando você parar de fricotes, eu deixo você descansar!

LUANA – Mas eu não vou me casar!

CÉLIA – Vai pensando... Eu já tratei de convidar o Martin e ele janta conosco amanhã.

LUANA – Martin? Quem é Martin?

 

Capital – Tarde.

 

Ricky aproveitou que não havia ninguém por perto e fugiu do hospital. Ele caminhou pelas ruas da cidade e pegou uma carona em uma carroça.

OTÁVIO – Vadia desgraçada!

Otávio jogou uma garrafa de cachaça ao sair de um bar. Ricky desceu da carroça e se aproximou.

RICKY – Está tudo bem com você? Precisa de ajuda?

OTÁVIO – E quem é você? Ninguém pode me ajudar!

RICKY – Eu posso te ajudar!

OTÁVIO – Vá procurar o que fazer antes que eu quebre a sua cara!

RICKY – Eu disse que posso te ajudar e posso ser seu amigo!

OTÁVIO – Você está usando uma roupa estranha... Meu deus! Você fugiu de um manicômio?

RICKY – Não... Eu fugi do hospital. Eu levei um tiro e estou bem agora!

OTÁVIO – Eu não estou bem! Uma vadia levou tudo o que eu tinha!

RICKY – Quem fez isso com você um dia vai pagar.

OTÁVIO – E como sabe disso?

RICKY – É uma certeza que tenho!

 

Duas garrafas de vinho estavam cima do balcão da cozinha de Laura. Ela pegou mais uma e encheu mais uma taça.

LAURA – Eu não gosto de fazer essas coisas aqui. É muito arriscado!

SELMA – Arriscado? Você roubou um carro e como vai responder as pessoas se elas perguntarem?

LAURA – Você já é muito mal vista aqui, Baby!

SELMA – Eu não escondo de ninguém o que eu faço e eu nunca matei ninguém.

LAURA – Ainda não... Eu também nunca matei ninguém!

SELMA – É a nossa chance de conseguir mais grana.

LAURA – Eu não vou me manchar por sua causa.

SELMA – Eu garanto que não!

 

Selma pegou sua bolsa preta com brilhos prateados e saiu. Ela olhou o carro roubado por alguns estantes e abriu a porta.

SELMA – Meu novo brinquedinho!

A loira saiu dirigindo pelo centro da cidade e encontrou Heitor no meio da praça.

HEITOR – Viu o que você fez?

Ela saiu do carro e bateu a porta com força.

SELMA – E o que eu fiz?

HEITOR – A Letícia me deixou e foi embora da cidade. Tudo isso é culpa sua!

SELMA – Se ela foi embora é que na verdade nunca te amou!

Ela o beijou mais uma vez. Ele se afastou e ela simplesmente sorriu.

HEITOR – Você é uma cretina!

SELMA – Não importa... No fundo eu sei que gostou do meu beijo e quer provar mais uma vez!

Ele a encostou sob o carro e a beijou.

 

Célia colocou uma bandeja com duas xícaras e chá sob a mesa da sala. Alguém havia chegado e ela foi à porta para receber a visita.

CÉLIA – Eu cheguei a pensar que havia desistido!

MARTIN – Eu sou um homem que mantém uma palavra!

CÉLIA – Perfeitamente! Homens como o senhor não existe mais hoje em dia.

MARTIN – E onde está a sua filha?

CÉLIA – Coitadinha, adoeceu hoje cedo e está deitada.

MARTIN – Deixe lembranças para ela e ela já sabe do jantar amanhã?

CÉLIA – É claro! Ela mesma decidiu cuidar de todo o jantar!

MARTIN – Eu trouxe flores!

CÉLIA – Vou arranjar um vazo para colocá-las.

Capital – Doceria – Noite.

Elis entrou na doceria e caminhou até a mesa onde estava Otávio.

ELIS – Eu vim assim que vi o seu recado!

OTÁVIO – Obrigado por se importar comigo!

Ela sorriu e tocou sua mão.

ELIS – Você sabe muito bem que tem a mim e eu nunca me negaria em ajudá-lo.

OTÁVIO – Vai querer um café?

ELIS – Sim. Eu quero o café e eu quero você!

OTÁVIO – Como?

ELIS – É isso mesmo que você ouviu. Eu quero está ao seu lado, eu quero ser a sua esposa, eu quero que você me ame como eu te amo!

 

Célia se despediu de Martin após o chá. Luana apareceu na sala em seguida e viu as flores em um vazo.

CÉLIA – Ele acabou de partir, mas amanhã janta conosco!

LUANA – Não insista nesse casamento que não vai acontecer!

CÉLIA – Você quer me levar à falência?

LUANA – Você só pensa em dinheiro, como consegue ser tão cruel?

CÉLIA – Uma vez eu pensei no amor casando com o seu pai e depois eu descobri que o dinheiro compra tudo o que eu quero!

LUANA – Eu não quero essas flores!

Ela tirou o buquê do vazo e jogou pela janela.

CÉLIA – Amanhã você vai ser tão dócil com o Martin ao menos que não queira ver a sua filha novamente.

LUANA – Não pode proibir de ver a minha filha!

CÉLIA – E como vai chegar até ela? Eu sou a única que sei sobre isso, então tem que colaborar!

LUANA – Eu não caso!

CÉLIA – Estou te dando à chance de ter luxo nessa sua vida medíocre e eu posso te dar notícias da sua filha.

LUANA – Se eu me casar nunca mais verei a Camila, O Martin não permitiria!

CÉLIA – A escolha é sua, então só mais essa noite para pensar.

 

Leônia Bar – Noite.

 

Laura estava sentada na mesa do bar e já estava em seu segundo drink. Heitor chegou e olhou para ela, ele sorriu e sentou ao seu lado.

HEITOR – Está sem companhia?

LAURA – É o que você vê? Se a resposta for sim, então é melhor sentar e beber comigo!

HEITOR – Eu estou sozinho e será o maior prazer sentar ao seu lado!

LAURA – Eu tenho que dizer que isso é uma honra?

HEITOR – Você tem um rosto lindo!

LAURA – Aceita um drink?

HEITOR - Você faz muitas perguntas e mesmo assim continua linda.

LAURA – Eu ainda não fiz tantas perguntas assim!

Ela usou as pernas e colocou o salto sob as partes intimas de Heitor por baixo da mesa.

HEITOR – Você gosta de provocar!

LAURA – Eu estou muito interessada nesse assunto!

 

Continua no próximo capítulo...

 

 

Capítulo 3 - O corpo


Cena 01 – Quarto de Heitor –Noite.

Como diz o Caio Fernando Abreu: - A carne é fraca, a alma é safada e o diabo ainda atenta.

Laura estava sob o corpo nu de Heitor na cama do quarto, ela olhou em seus olhos e sorriu. O lençol branco cobria seu corpo desnudado, ela sentou nele e riu mais uma vez.

- Eu sou diabolicamente tentadora! Disse Laura.

A expressão de Heitor era de um extremo prazer, ela passou a língua por todo o corpo dele e chegou à boca finalizando com um beijo nos lábios do rapaz.

HEITOR – Eu gosto do que você faz e não importa o quanto tentadora você é...

LAURA – Eu disse que sei fazer muita coisa meu bem, eu sou um anjo perdido a procura do amor verdadeiro.

HEITOR – Anjo perdido?

LAURA – Sim, um anjo... Eu quero tanto encontrar alguém que me proteja e que me dê carinho por toda a vida.

HEITOR – Você pode encontrar esse alguém...

LAURA -... Eu quero ser amada!

HEITOR – Eu olho nos seus olhos e a impressão que eu tenho é que eu poderia ter te encontrando antes.

LAURA – Meu bem, eu estou completamente encantada.

 

Cena 02 – Estrada – Noite.

A noite havia chegado e o céu não tinha muitas estrelas. O posto de gasolina ficou há uns 10 minutos e fui caminhando sem destino, eu estava em uma estrada e não havia nenhum movimento.

- E se você cometeu erros no passado e agora pudesse tentar mudar? Isso não iria corrigir os atos cometidos. Eu não sei se estou arrependida. Disse Marta.

O farol de um carro iluminou a estrada escura, Marta cobriu os olhos com as mãos para se proteger da luz e o carro parou diante dela e a porta se abriu.

ANA – Está indo para onde?

MARTA – Eu não sei.

ANA – Então, o que faz sozinha nesta estrada? É perigoso sair por ai.

MARTA – Eu aprendi a não ter medo.

ANA – Tudo bem! Sorte sua que eu parei, pois isso não acontece sempre, ninguém oferece ajuda para estranhos e se você fosse uma assassina?

MARTA – Eu não preciso da sua ajuda e não importa o que eu seja. E Se realmente eu fosse uma assassina?

ANA – Desculpe... Eu estou indo para Leônia, eu acho que estou indo e se você quiser...

MARTA – Tudo bem. Eu vou com você!

Ela aceitou a carona e entrou no carro.

 

Cena 03 – Quarto de Heitor.

Heitor colocou o seu roupão e nele havia seu nome bordado. Laura acendeu um cigarro e estava observando a janela apenas de calcinha e sutiã.

HEITOR – A noite está apenas começando...

LAURA – Como?

Ela olhou para o amante e o viu segurando um balde de gelo com champanhe e mais duas taças.

HEITOR – Está bem gelada... Espero que não me deixe beber sozinho!

LAURA – Of course que não deixaria!

Ele entregou uma taça para ela e abriu à garrafa, a rolha voou e ele encheu as taças de champanhe.

HEITOR – Eu estou muito feliz, obrigado por trazer a felicidade onde eu achei que havia perdido.

LAURA – Meu querido. A felicidade é um sentimento temporário, ela está hoje, amanhã e possa ser que não esteja, mas é assim mesmo.

HEITOR – É assim mesmo. Ontem eu estava triste e hoje estou feliz.

LAURA – E assim a vida segue.

Eles se beijaram após beberem o champanhe.

 

Cena 04 – Casa de Célia – Quarto de Luana.

Em que séculos estamos? Século 17? Por favor, eu não vou me casar com alguém obrigada. Disse Luana.

Célia estava parada na porta do quarto e tirou de dentro de sua blusa uma carta.

CÉLIA – É essa a sua decisão?

Luana olhou para a mãe.

LUANA – O que é isso?

CÉLIA – Uma carta! E será mais uma carta que vou destruir!

LUANA – Não faz isso! Eu preciso saber notícias da minha filha!

CÉLIA – Aceite o pedido de casamento e eu deixo você a par das notícias de sua filha.

LUANA – É um direito meu e isso a senhora não pode negar! Arrume um casamento para a Laura ou a Selma, eu nem sou a sua filha favorita.

Célia colocou de volta a carta na blusa e pegou um porta-retrato onde havia uma foto com as três filhas.

CÉLIA – A Laura não mora mais aqui e a Selma é tão sequelada que eu duvido muito alguém querer casar com esta menina. Eu tento salvar a sua reputação e você não retribui.

LUANA – Eu não preciso que salve a minha reputação.

CÉLIA – Você casando com o Martim é a melhor oportunidade que já bateu na sua porta. E sua filha onde está? Ela está nos braços do Pai.

LUANA – Um dia eu vou ter a minha filha de volta!

CÉLIA – E quando isso vai acontecer? Quando ela não te reconhecer mais?

 

Cena 05 – Quarto de Heitor.

Laura agora massageava as costas de Heitor e carinhosamente beijava a nuca do rapaz.

HEITOR – Suas mãos são tão macias... Será mesmo que isso é um sonho ou é mesmo realidade?

LAURA – Eu estou aqui meu bem, estou ao seu lado, eu consigo sentir a sua pele e afirmo que é real. Eu sou real.

HEITOR – Beije-me mais uma vez.

LAURA – Quantas vezes quiser meu amor!

Ele deitou a cabeça no colo dela e ela o beijou. Os olhos azuis de Laura pareciam focados em outro lugar.

HEITOR – Eu preciso de mais... Bebida!

LAURA – Fique aqui querido, eu mesma pegarei, o meu também está no fim.

HEITOR – Depois que pegar... Por favor, coloque suas mãos macias em mim!

LAURA – Of course!

HEITOR – E ainda dizem que o amor não existe, mas a verdade é que ele pode aparecer a qualquer momento e não precisa bater na porta.

Laura caminhou até o balde de gelo e pegou a garrafa de champanhe que ali estava. Ela levou uma taça para Heitor e retornou para pegar a outra.

LAURA – O amor é algo que parece ser tão bonito... Eu gosto de aventuras e quando elas se tornam perigosas...

HEITOR – Como assim perigosa?

Ele terminou a bebida ainda de costas para a amante.

LAURA – Eu quis dizer que amo viver a vida perigosamente...

HEITOR – Perigosamente apaixonada? Você ainda não me beijou, por favor!

Laura sorriu discretamente, pegou a garrafa do balde de gelo, caminhou até o amante e friamente usou o golpeou com toda sua força na cabeça de Heitor, ele desmaiou em seguida. Ela largou a garrafa e chegou sua respiração.

LAURA – É... Está morto e você era medíocre. Quem se apaixona na primeira noite? Quase vomitei.

Alguém bateu na porta e ao se aproximar percebeu que era a irmã.

SELMA – Sou eu... Está tudo bem ai?

 

Cena 06 – Estrada para Leônia – Noite.

Ainda estava um pouco longe de seu destino, mas Marta parecia apreciar a paisagem de cada local que passava, havia um enorme lago e logo em seguida foi tomado por várias arvores. Ana dirigia o carro em silêncio e depois parou.

MARTA – O que aconteceu?

ANA – Eu estou indo para o mesmo lugar que você, mas eu sinto que meu destino não é em Leônia.

MARTA – Você está pensando em desistir?

ANA – Sim... Mas você pode assumir meu lugar!

MARTA – Como assim? Eu não entendi.

ANA – É muito simples... Você vai para Leônia e fica no meu lugar. Eu garanto que vai ser muito vantajoso para você.

MARTA – Isso é uma loucura e eu não posso me meter em uma encrenca.

ANA – Você só tem que fazer uma coisa e vai receber muito bem por isso. Topa?

Marta então olhou indecisa para a mulher que nunca viu na vida e agora tinha uma proposta bem estranha.

 

 

 

Cena 07 – Quarto de Heitor.

Laura estava completamente nua e abria o chuveiro. A água caia sob o seu corpo, ela mexia os braços como se estivesse ouvindo uma música sinfônica. Ela pegou a toalha e se cobriu e retornou ao quarto onde estava à irmã Selma e o corpo de Heitor.

SELMA – E o que faremos agora?

LAURA – Vamos nos livrar desse corpo!

SELMA – E se alguém desconfiar?

LAURA – Está com medo? Eu disse que seria arriscado, mas eu fui em frente.

SELMA – Tudo bem, eu sei que insisti!

LAURA – Ele foi atrás da namoradinha, quem vai desconfiar? As pessoas somem no mundo.

Ela colocou a última peça de roupa que faltava e pegou uma mala que estava debaixo da cama.

SELMA – Vamos levar o corpo até o carro?

LAURA – Sim... Mas vamos levá-lo dentro desta mala!

SELMA – Como?

LAURA – Dentro da minha bolsa que está bem atrás de você tem algo bem afiado e eu preciso que você inicie os cortes.

 

Cena 08 – Casa de Elis – Jardim – Dia.

“Eu sempre quis ver o sol nascendo e simplesmente não ficava esperando e agora estou com você”. Disse Otávio.

ELIS – E você pode ficar para sempre.

Ela se virou e estava olhando diretamente para ele que continuava deitado na grama.

OTÁVIO – É uma difícil decisão... E não é que eu não goste de você, mas é que tenho que...

ELIS – Aquela mulher queria apenas o seu dinheiro e você não precisa dela.

OTÁVIO – Não é isso, mas ela me roubou.

ELIS – Aquele dinheiro não vai te fazer falta, a gente abre alguma coisa, a gente sobrevive.

OTÁVIO – Eu ainda não sei. Eu não quero que pense que estou aproveitando da sua boa vontade.

ELIS – Eu apenas te amo e só isso importa. Você pode nos dar uma chance.

OTÁVIO – Elis! Veja você... É uma mulher linda e merece alguém muito melhor que eu.

Uma lágrima caiu dos olhos dela e segundos depois desviou do olhar dele. Ela já estava em pé e ele a acompanhou em seguida, os dois então se abraçaram.

 

Cena 09 – Floresta – Dia.

Laura estacionou o carro e com ajuda da irmã Selma levou a mala para um lugar distante na floresta.

SELMA – Se eu soubesse que iríamos enterrar o idiota, eu não teria feito tudo aquilo e iria poupar o meu tempo.

LAURA – Fica calada e não reclama. Alguém poderia ter visto e isso não seria o crime perfeito.

SELMA – E será que existe crime perfeito?

LAURA – Eu matando você agora me faz livrar de uma testemunha, então eu lembro que é uma cúmplice e estaria tão ferrada quanto eu.

SELMA – Menos... Já fizemos e pronto.

LAURA – Agora começa a cavar e sem reclamar!

Marta estava atrás de uma árvore e viu toda a cena entre Selma e Laura. As irmãs terminaram de cavar e depois jogaram a mala com o corpo de Heitor no local cobrindo por terra em seguida.

 

 

Cena 10 – Praça – Dia.

Marta havia chegado à cidade há poucos minutos e ainda estava pensando na cena que tinha visto.

MARTA – O que aquelas duas mulheres estavam fazendo? Meu Deus! Será possível que elas cometeram um crime?

Ricky que também havia chegado, esbarrando em Marta sem querer.

RICKY – Oh, me desculpe!

MARTA – Tudo bem!

RICKY – Aproveitando... É, Onde posso encontrar uma pousada? Eu acabei de chega aqui na cidade.

MARTA – Eu também sou nova por aqui e não é só você que precisa de um quarto.

Ele estendeu a mão e olhou em seus olhos.

RICKY – Eu me chamo Ricky!

MARTA – E você pode me chamar de Ana!

Ela apertou sua mão e sorriu.

 

Continua...

 


Capítulo 4 - Deixe-me apresentar


Cena 01 – Apartamento de Laura.

Quando a água cai sobre o meu corpo é como se eu estivesse limpa novamente. Eu olho para mim mesma e vejo que posso fazer tudo de novo e eu entro no chuveiro como um ritual. Disse Laura diante do espelho onde sua imagem era refletida. Seu cabelo escuro e curto estava completamente molhado e sua pele branca realçava a cor dos olhos azuis.

SELMA – Eu estive pensando e tudo que fizemos poderia ter sido diferente.

LAURA – Está arrependida?

Ela virou-se de costas para o espelho e encarou o irmão.

SELMA – Não precisava matar...

LAURA – Está um pouco tarde para arrependimentos e você não reclame. Não fez o trabalho completo e é uma fracassada. Eu que fiz tudo.

Ela se lembra da cena em que cortava o corpo de Heitor e depois encara a irmã.

SELMA – Só precisávamos pegar o dinheiro dele e depois ir embora daqui.

LAURA – Por favor, vá embora e me poupe de sua presença lamentável!

SELMA – Eu vou embora, mas antes eu quero a minha parte!

Ela caminhou até a mala de dinheiro e tirou algumas notas entregando a irmã.

LAURA – É o bastante!

SELMA – Só isso?

LAURA – Eu fiz tudo querida e fique feliz com o que está recebendo.

SELMA – Eu preciso de mais.

LAURA – O que estou te dando é o suficiente para comprar uma bebida e um sanduiche.

Ela então abriu a porta e fez um gesto para a irmã pedindo que se retirasse.

 

Cena 02 – Rua – Dia.

Eu gostava de como a luz do sol batia sob a minha pele. Era como se eu me sentisse viva, como se eu estivesse em um quarto escuro e de repente havia uma luz iluminando tudo. Pensou Luana.

Ela caminhava até a praça da cidade e viu Luciano do outro lado da rua. Ele acenou sorrindo e ela retribuiu com outro sorriso.

LUCIANO – É um prazer começar o dia vendo alguém tão especial...

LUANA – Por favor, assim você me deixa sem jeito.

LUCIANO – Eu gostaria que aceitasse o meu elogio.

LUANA – Eu adoro!

LUCIANO – Eu queria te ver de novo!

LUANA – Eu não sei se posso...

Ela desviou o olhar de interrogação dele e baixou a cabeça.

LUCIANO – Gosta de ver o pôr do sol?

LUANA – Eu tenho que ir.

LUCIANO – Eu vejo o sol se pôr todos os dias e seria incrível está ao seu lado neste momento tão maravilhoso.

Ela não respondeu e foi embora.

 

Cena 03 – Casa de Célia.

Eu não sei o que essas moças de hoje em dia pensam, mas a minha filha é daquelas antigas. Eu garanto a você que estou dando a você uma ótima esposa, uma mulher que vai cuidar de seu marido e construir uma família. Disse Célia.

Ela serviu mais chá para Martin e continuava falando da filha para o homem. Ele ouvia tudo e seu olhar parecia bastante ansioso.

MARTIN – Onde está a Luana?

CÉLIA – Eu pedi que fosse comprar frutas. Ela é uma moça muito prendada!

MARTIN – Ela quer mesmo esse casamento?

CÉLIA – É claro que sim, querido. Em que séculos estamos? Ela já tem idade para decidir as coisas, mas estou aqui como dever de mãe.

MARTIN – Desculpe! Tenha certeza que farei a sua filha uma mulher muito honrada e feliz!

CÉLIA – É claro querido! O que eu mais quero é o bem da minha filha!

MARTIN – Então, devo marcar a cerimônia?

CÉLIA – Sim!

 

Cena 04 – Rua – Dia.

Martin saiu da casa de Célia e ficou parado um pouco em frente à porta da casa. Laura sorria e acenava para ele.

MARTIN – Posso ajudar em alguma coisa, senhorita?

LAURA – Sozinho?

MARTIN – Sim!

LAURA – Então, eu tenho certeza que pode ajudar em muita coisa!

MARTIN – O meu carro está do outro lado da rua!

LAURA – Eu adoro dirigir!

MARTIN – Eu tenho muito ciúmes, desculpe, não posso permitir.

 

Cena 05 – Campo – Tarde.

Eu acho tudo isso tão triste, é lindo e encantador, mas não consigo controlar as minhas lágrimas. Disse Luana para Luciano.

Os dois se olharam apaixonados e ele tocou o rosto delicado dela.

LUCIANO – Você é tão linda e ao mesmo tempo parece que vai quebrar.

LUANA – Eu gostei de você.

LUCIANO – Eu fico feliz em saber e eu quero te ajudar.

LUANA – Você não pode me ajudar...

Ele a calou com um beijo. O sol estava dando adeus ao dia e escurecia a cada minuto.

LUCIANO – Eu acordei hoje de manhã e veio em minha mente que encontrei alguém que pudesse me completar. Alguém que pudesse preencher o meu coração e tenho a certeza que essa pessoa é você.

LUANA – Não é muito cedo para dizer isso?

LUCIANO – Você acredita em amor a primeira vista? Eu acredito e talvez eu seja o último romântico e não importa porque eu sou de fazer mil loucuras para ter o amor da minha vida ao meu lado.

LUANA – Eu não sei o que dizer, mas eu quero sentir novamente a sensação do seu beijo, eu me sinto tão segura ao seu lado.

E ele a beijou novamente.

 

Cena 06 – Quarto de Laura – Noite.

Laura e Martin estavam nus sob a cama. Ele beijou cada parte do seu corpo e os dois logo haviam acendido um cigarro.

MARTIN – Você é boa no que faz!

LAURA – Eu sei. Eu sou bom em tudo o que faço.

MARTIN – E eu posso te mostrar de novo como é que eu faço.

LAURA – Eu adoro o seu lado selvagem.

Ela sorriu e a fumaça do cigarro saiu de sua boca.

MARTIN – Eu estava mesmo precisando de você!

Ele apagou o cigarro e encheu um copo de Uísque.

LAURA – O que a minha mãe quer com você?

MARTIN – Não entendi.

Perguntou após beber todo o drink e deixou o copo sob a cabeceira.

LAURA – Eu sou filha da Célia e vi você mais cedo saindo da casa dela.

MARTIN – Você é a irmã da Luana?

LAURA – Sim. Eu sou a irmã dessa tonta.

MARTIN – Eu vou me casar com a sua irmã e estava planejando marcar a data com a sua mãe.

LAURA – A Luana sabe disso?

MARTIN – Ela vai saber no momento certo!

 

Cena 07 – Casa de Célia – Sala - Noite.

Célia deu uma rápida espiada na janela e quando ouviu um barulho vindo da porta virou-se para saber quem estava chegando, era Selma.

CÉLIA – Você aqui?

SELMA – Esta é a minha casa ou não é mais?

CÉLIA – Você praticamente não mora mais aqui, jogou-se no mundo e não está mais sob a minha proteção.

Ela se aproximou da filha.

SELMA – Bom saber... A verdade é que vim pegar alguns discos meus, eu estou ficando na casa da Laura.

CÉLIA – As duas merecem uma a outra... Agora que eu lembrei, seus discos não estão mais aqui, eu mesma joguei tudo no lixo.

SELMA – O que você fez?

Selma fitou a mãe com um olhar matador e o clima foi interrompido com a chegada de Luana.

LUANA – O que está acontecendo?

CÉLIA – Onde você estava até essa hora?

SELMA – Você ainda é assim? Se fosse comigo essa casa iria pegar fogo.

CÉLIA – Sai daqui, esta casa ainda é minha e quem nela vive recebe as minhas ordens.

Selma fitou a mãe novamente e saiu. Luana tentou se retirar da sala, mas sua mãe lhe impediu puxando seu braço.

LUANA – O que é?

CÉLIA – Eu estou de olho em você!

 

 

Cena 08 – Pensão – Noite.

“É triste esquecer um amigo. Nem todo mundo tem um amigo.”. Disse Ricky

Ele estava diante da janela e olhava a lua que se destacava no céu escuro. Marta sorriu e se aproximou do rapaz.

MARTA – Lindo o que você disse, mas eu nunca tive um amigo de verdade.

RICKY – Eu li em algum lugar... Lembrei... Pequeno Príncipe.

MARTA – O que é isso?

RICKY – É um livro infantil, simplesmente um clássico.

MARTA – Eu nunca fui de ler nada além do que pedaços de papel. A minha vida não foi uma maré de rosas.

RICKY – Quer me contar mais da sua história?

MARTA – Não é muito interessante. Eu gostaria de ouvir a sua história.

RICKY – A minha história?

MARTA – É. Sua história!

Ele ficou por um tempo em silêncio e ela sorriu esperando uma resposta. Laura caminhava em direção e Marta viu tudo da janela.

 

Cena 09 – Capital – Casa de Elis.

A mesa estava pronta com o jantar e havia velas acesas. Elis parecia feliz, trouxe uma garrafa de vinho de sua adega e colocou duas taças sob a mesa. Otávio olhava tudo em silêncio.

ELIS – Eu sou feliz só de estar ao seu lado.

OTÁVIO – Você não sabe o que está dizendo.

ELIS – Como não? É claro que eu sei e uma das coisas que mais tenho certeza é que te amo.

Ela falava olhando em seus olhos, mas ele não conseguia manter os seus na mesma direção.

OTÁVIO – Eu não posso, eu não consigo!

ELIS – Eu posso te fazer muito feliz Otávio. É só você querer!

OTÁVIO – É melhor você ir embora!

ELIS – Que? Eu estou na minha casa!

OTÁVIO – Desculpe... Eu devo ir embora!

ELIS – Não, por favor! Precisamos um do outro.

OTÁVIO – Elis! Você é muito especial e eu gosto muito de você, mas agora eu não consigo me dedicar totalmente a isso, eu preciso partir.

ELIS – Você não está pensando em ir atrás daquela mulher?

Ele olhou para ela e consentiu com a cabeça. Uma lágrima escorreu dos olhos dela ao perceber que estava perdendo o amor de sua vida.

 

Cena 10 – Doceria – Noite.

Uma garçonete serviu café e bolinhos na mesa de Laura. Ela mordeu uma das guloseimas e parou quando percebeu a presença de uma mulher.

LAURA – O que pensa que está fazendo?

MARTA- Eu preciso trocar uma ideia com você.

A ruiva puxou a cadeira e sentou.

LAURA – Eu não me lembro de ter nenhum assunto com você. Querida, eu nem te conheço!

MARTA – Eu me apresento, então! Eu me chamo Ana.

LAURA – Não importa! Faz o favor de se retirar da minha mesa, odeio ser incomodada.

MARTA – Pode ser rápido, não precisa ser azedinha. Eu tenho certeza que vai gostar do que eu tenho para conversar.

LAURA – Eu não estou interessada.

MARTA – Sério? Porque eu vi você enterrando um cadáver e isso me parece bem interessante.

LAURA – O que você disse?

 

 

Continua...

 

Capítulo 5 - Quem é você?


Cena 01 – Doceria – Noite.

Laura estava diante de uma mulher desconhecida e a mesma acabara de revelar algo que pensava que apenas sua irmã sabia.

MARTA – O gato comeu a sua língua?

LAURA – Eu não sei do que você esta falando!

MARTA – Ah... Sabe sim!

(Flashback)

Selma segurava uma pá e havia terminado de cavar o buraco.

SELMA – Não é muito perigoso deixar aqui?

LAURA – Ninguém vai saber ao menos que você conte.

SELMA – Eu sou um túmulo!

LAURA – É bom ser mesmo antes que eu decida que vá morar em um.

SELMA – Não precisa me ameaçar sempre, querida irmã.

LAURA – Não custa lhe deixar sobre aviso!

SELMA – E o corpo?

LAURA – Deixamos o dinheiro aqui... O corpo virou cinzas.

Laura acendeu um fósforo e jogou sobre a lareira. O corpo de Heitor foi cremado até virar apenas cinzas, ela sorriu e tomou toda a taça de vinho.

SELMA – Como você consegue ser tão fria?

LAURA – Você tem muito a aprender!

Agora estava olhando para o rosto de Marta e simplesmente sorriu.

MARTA – Do que está rindo?

LAURA – Lembrei-me de uma coisinha. Eu estou curiosa em saber se vai pagar o meu café?

MARTA – Você não me conhece e não é bom brincar comigo.

LAURA – Você descobriu que gosto de joguinhos e eu sei quando devo parar de jogar. Só mais uma coisa, fica esperta querida, eu não nasci ontem e sou muito perigosa.

Ela levantou e deixou a estranha sozinha na mesa.

MARTA – Eu acho melhor você pagar a conta! Gritou à ruiva, mas Laura estava longe a essa altura.

 

Cena 02 - Casa de Laura – Noite.

Laura então abriu a porta e ficou diante da irmã Selma.

SELMA – Eu trouxe o que você me pediu.

Ela segurava uma mala e a deixou na mesinha da sala ao entrar.

LAURA – Eu não sei como aquela vadia nos viu naquele lugar, mas como eu queimei as provas do crime, pobre do Heitor.

SELMA – Ela podia ter nos roubado, quando você me disse, tratei logo de correr atrás do dinheiro.

LAURA – Não podemos ficar com todo esse dinheiro aqui.

SELMA – Eu quero a minha parte!

Laura então pegou um maço de notas de dinheiro e entregou na mão da irmã.

LAURA – Não gaste tudo meu bem.

 

Cena 03 - Praça – Noite.

Marta parecia pensativa sentada no banco da praça, havia poucas pessoas, estava cada vez mais tarde e ela fora surpreendida com a presença de alguém que sentara ao seu lado, era Ricky. Os dois então trocaram olhares.

RICKY – Você está bem?

MARTA – Eu pareço bem?

RICKY – Eu pensei que queria conversar, a noite está tão linda e você aqui sozinha. Eu posso te ajudar, Marta.

Ela olhou para ele ao ouvir seu verdadeiro nome.

MARTA – O que você disse? Você me chamou de que?

Ele olhou para ela e pensou.

RICKY – Eu disse Marta? Que estranho, desculpe, Ana!

MARTA – O que você quer comigo? Por favor, deixe-me sozinha.

RICKY – Tudo bem, eu vou deixá-la sozinha, mas se precisar de um ombro amigo, vai saber onde me encontrar.

 

Cena 04 – Pensão – Quarto de Marta.

O céu continuava cheio de estrelas e após passar um tempo sozinha na praça, resolveu entrar em seu quarto e fechou a porta com a chave.

MARTA – Como ele sabia o meu verdadeiro nome? Quem será ele? Perguntou ela roendo de curiosidade.

 

Amanhece.

 

Cena 05 – Casa de Célia – Sala.

Luana saiu de seu quarto e ficou surpresa ao entrar na sala e encontrar a mesa do café da manhã farta.

LUANA – Por que a mesa está cheia de comida? Mais alguém vai comer conosco?

CÉLIA – É claro querida. Não acha que nós mulheres iremos comer tudo isso? Temos que manter o nosso corpo e engordar só depois do casamento.

LUANA – A senhora já se casou.

CÉLIA – E agora sou viúva e isso não impede que eu me case de novo.

Elas ouviram um barulho na porta e ao olharem viram Martin.

MARTIN – Problemas com o carro.

CÉLIA – Está tudo bem querido?

MARTIN – Na verdade não, eu estou faminto. E é um prazer tomar café ao lado de alguém tão especial como a sua filha.

Ele beijou a mão de Luana e sorriu para as duas.

 

Cena 06 – Apartamento de Laura.

Selma entrou e encarou a irmã que estava tomando café.

LAURA – Que cara é essa?

SELMA – Eu custei a acreditar, mas a mamãe está planejando casar o ricaço Martin com a pobre da Luana.

LAURA – Não é novidade alguma, eu já sabia.

SELMA – E não me contou?

LAURA – Eu soube há poucos dias, eu dormi com ele.

SELMA – Minha irmãzinha, você não perde tempo, então ele é o próximo?

LAURA – Não.

SELMA – Não? Ele é rico e não pode se casar com a Luana. A mamãe é que está tramando tudo isso.

LAURA – O Martin não está nos meus planos. É claro que ele é uma delícia na cama.

 

Cena 07 – Capital – Casa de Daniel.

Daniel entrou em sua casa e se deparou com Silvia o esperando.

SILVIA – Eu exijo uma explicação Daniel e não quero desculpas esfarrapadas.

DANIEL – O que? Onde está minha filha?

SILVIA – Na escola que é o lugar dela.

DANIEL – Muito bem. Eu estou muito cansado e com sono.

SILVIA – Eu lhe fiz uma pergunta.

DANIEL – Você sabe onde eu estava e não vejo necessidade de responder.

SILVIA – Trabalho ou farra?

DANIEL – Não passe dos limites.

SILVIA – Trabalho ou amigos?

DANIEL – Amigos.

SILVIA – Passou a noite com os amigos e me deixou aqui sozinha?

DANIEL – Eu estava no trabalho.

 

Cena 08 – Casa de Célia – Sala.

Paola lia o livro deitada no sofá. Luana retirava o resto do café da mesa e parou o que fazia para atender a porta. Era Laura.

LUANA – Laura?

LAURA – Surpresa em me ver?

Paola fechou o livro e foi receber a irmã.

PAOLA – Laura. Eu estava com saudades!

LAURA – Minha irmãzinha. Eu voltei há dias e você não veio me visitar.

PAOLA – Tinha que estudar

LAURA – Recebeu o meu bilhete?

PAOLA – Sim. Eu vou adorar ajudar na sua festa.

LUANA – Que festa?

CÉLIA – Festa? Que festa?

Perguntou a mãe as três filhas que estavam na sala.

LAURA – Eu vou dar uma festa.

CÉLIA – E qual motivo você daria uma festa?

LAURA – Porque eu darei uma festa e isso é um motivo.

 

Cena 09 – Praça – Dia.

Luana carregava sacola de verduras e parou quando Luciano se aproximou.

LUANA – Eu não posso.

LUCIANO – O que você não pode? Falar comigo?

LUANA – Eu não paro de pensar em você. Tudo que eu faço eu penso em você e eu queria um poder para controlar isso.

LUCIANO – Você está apaixonada por mim? Você me ama.

LUANA – Eu não disse isso.

LUCIANO – Está nos seus olhos.

Ela sorriu e ele retribuiu.

Cena 10 – Estrada – Dia.

Selma dirigia seu carro na estrada saindo da cidade. O som estava alto e ela parecia seguir o ritmo balançando a própria cabeça.

SELMA – Eu sou demais. Esta cidade é minha. Eu sou a garota dessa cidade.

Ela pisou o pé no freio, seus olhos fecharam por um segundo e perdeu o controle. O carro capotou.

Um homem correu, o carro estava virado, ele se aproximou e usou toda sua força para abrir o carro. Era Gabriel, ele olhou nos olhos de Selma.

GABRIEL – Você está bem?

 

Continua...

 

 

Capítulo 6 - Sonhando acordado


Cena 01 – Hospital.

Gabriel entrou no corredor e parou diante uma enfermeira, ela indicou o quarto da paciente que o rapaz procurava e o mesmo caminhou até o final da ala, virou a esquerda e se deparou com o quarto de número 17. Ele entrou e viu Selma em pé trocando de roupa.

GABRIEL – O que você está fazendo?

SELMA – Eu estou me arrumando para ir embora. E você não deveria ter entrado no quarto sem bater.

GABRIEL – Você ainda não recebeu alta.

SELMA – Eu mesma me dei alta.

Ela pegou sua bolsa e saiu, ele ficou parado por alguns segundos, respirou fundo e foi atrás da garota.

“O que ela pensa que está fazendo?” Perguntou ele para se mesmo. O Hospital ficava na estrada um pouco distante da cidade de Leônia.

GABRIEL – Espera.

SELMA – Cadê o meu carro?

GABRIEL – O seu carro? Você sofreu um acidente garota.

SELMA – Eu quero o meu carro.

 

Cena 02 – Apartamento de Laura.

Laura usava apenas roupas intimas. Ela ligou o rádio, tocava “Será?” da banda Legião Urbana. Começou a dançar no meio da sala acompanhando o ritmo da música, pegou uma garrafa de uísque e encheu uma taça.

- Brigar pra quê se é sem querer, Quem é que vai nos proteger? Cantou junto.

Cadê o meu cigarro? Perguntou.

Selma então entrou e viu o show da irmã.

SELMA – Laura? O que deu em você?

LAURA – Eu estou na minha casa e o que aconteceu com o seu rosto?

SELMA – Um acidente.

LAURA – O que você fez com o meu carro? Não me responde... Sua idiota!

SELMA – Eu prometo que vou resolver isso.

LAURA – Vai roubar um banco?

SELMA – Primeiro que este carro nunca foi seu, ai meu deus, a polícia.

LAURA – Sua desgraçada. A polícia essa hora deve ter encontrado o maldito carro.

SELMA – Meu deus! Eu não posso ser presa.

 

Cena 03 – Casa de Célia.

Luana entra em sua casa segurando vários envelopes que acabara de pegar da caixa dos correios, sua mãe saiu do seu quarto e viu tudo. Ela estendeu a mão, pegou as cartas e sentou no sofá.

LUANA – Algum problema?

Célia parecia chocada com a cobrança que receberá, sua mão estava tampando sua própria boca e tudo que mais queria agora é gritar, mas não fez isso, ela olhou para a filha.

CÉLIA – Você deve se casar logo ou vamos perder a nossa casa, a minha casa, tudo que eu tenho... Tudo que você tem.

LUANA – O que? (Pegou a carta e leu) O que a senhora fez todos os anos com o dinheiro que o papai dava para pagar as contas?

CÉLIA – Eu gastei com joias, comida, precisávamos sobreviver.

LUANA – Ninguém sobrevive comprando joias!

CÉLIA – Você pode nos salvar...

LUANA – Tudo pode ser resolvido por um empréstimo, à senhora deveria procurar um banco.

CÉLIA – Está de palhaçada comigo Luana? Como vou ter dinheiro para pagar um empréstimo? E os juros?

LUANA – Eu não vou me casar com o Martin!

CÉLIA – E o nosso trato será desfeito, se não há casamento, eu não conto onde a sua filha está.

LUANA – Isso é o que vamos ver!

 

Cena 04 – Casa de Célia – Quarto de Luana.

Luana estava deitada sobre sua cama e Laura entrou sem bater, as duas irmãs se fitaram.

LUANA – O que você está fazendo aqui?

LAURA – Eu queria saber como você estava. Eu sou sua irmã.

LUANA – Se for para falar sobre o casamento, eu já disse tudo para a mamãe e não vou me casar por dinheiro.

LAURA – Eu sabia que era tudo armação dela, ela é uma megera, ela é nossa mãe e continua sendo uma megera. Não quer se casar com o Martin? Ele é um homem bonito.

LUANA – Eu não o amo.

Laura sentou na cama da irmã.

LAURA – As pessoas ainda acreditam que amor existe? Eu não sou tão romântica assim. Eu acredito no amor pelo dinheiro, com ele eu consigo tudo que eu quero.

LUANA – Se gosta tanto de dinheiro, então se case com ele.

LAURA – É uma boa ideia, quem sabe.

 

Cena 05 – Casa de Célia – Sala.

Após conversar com a irmã, Laura saiu do quarto e foi para a sala onde se sentou no sofá, sua mãe logo apareceu segurando uma xícara de chá.

CÉLIA – O que está fazendo aqui?

LAURA – Eu resolvi dar uma olhada para o espaço da minha festa. Sim, este é o motivo por estar aqui!

CÉLIA – Não vai haver nenhuma festa na minha casa.

Laura colocou os olhos na cobrança em cima da mesa de centro e pegou lendo rapidamente.

LAURA – Olha o que eu vejo aqui...

CÉLIA – Me dá isso aqui!

Tentou tirar a carta das mãos da filha sem sucesso.

LAURA – Pelo que estou vendo aqui essa casa não será sua por muito tempo. Eu sinto muito mesmo!

CÉLIA – Como você consegue ser tão ordinária?

LAURA – Tal mãe, tal filha!

CÉLIA – Eu não sou igual a você.

LAURA – Será? Eu nasci do seu próprio ventre e tenho o sangue ruim que corre nas suas veias ou eu estou enganada?

CÉLIA – O que quer dizer?

LAURA – Eu não quero dizer nada! E de uma coisa eu tenho certeza, a minha festa será um sucesso!

CÉLIA – Você está dentro da minha casa!

Laura riu para sua mãe como deboche, pegou sua bolsa e rodopiou até a porta.

“Essa festa será igual às outras e eu sei muito bem como fazer uma!”. Pensou Laura já do lado de fora.

 

Cena 06 – Jardim – Dia.

Era um dia ensolarado, o céu parecia mais azul que o normal e o cheiro da terra persistiam em minhas narinas. Coloquei os pés descalços na grama verde, ela estava um pouco quente, mas era incrível a sensação do contato com a natureza.

- Por favor, espere por mim! Gritou Marta.

Eu olhei para trás e vi aquela linda moça dos cabelos avermelhados e sua beleza não se limitavam apenas em seus olhos verdes.

- É claro que eu espero! Disse Ricky.

Ela sorriu e me roubou um beijo. Eu não tinha mais palavras depois desse momento inesperado. Elas fugiram da ponta da minha língua e eu fiquei mudo. Suas mãos tocaram meu rosto, sua pele parecia delicada e não áspera.

- Permite que eu faça de novo? Perguntou Marta.

Uma borboleta pousou no cabelo ruivo dela e eu a tirei com cuidado com a ponto do meu dedo e ela simplesmente me presenteou com aquele sorriso que outro alguém jamais roubaria.

- Obrigado por acalmar o meu coração e fazer de mim uma pessoa melhor! Disse Ricky.

- Eu te amo e eu quero ficar ao seu lado. Respondeu ela.

Ele parecia distante, mas o barulho do copo com água destroçando sob o chão o fez despertar. Marta estava perto e ficou ali parada por um momento.

MARTA – Você está bem?

RICKY – Eu?... O que?

Ela saiu da cozinha sem mais uma palavra deixando o rapaz sem respostas.

 

Cena 07 – Rua – Dia.

Selma olhava para os lados e atravessa a rua quando viu alguém se aproximando dela e virou-se para saber o que queria.

MARTA – Eu preciso trocar uma palavra com você.

SELMA – Que? Eu te conheço?

A ruiva sorriu com um ar malicioso para a irmã de Laura.

MARTA – Eu tenho certeza que o assunto que tenho para falar com você é bastante interessante. E um tanto curioso.

SELMA – Então fala logo porque eu odeio quando as pessoas tentam fazer com que eu perca o meu precioso tempo.

As duas caminharam até um local mais reservado, havia um banco e um orelhão de telefone no local.

MARTA – Eu sei tudo o que você fez com a ajuda da sua irmãzinha.

SELMA – O que?

MARTA – É isso mesmo. Não precisa fazer essa cara, eu prometo que vai ser o nosso segredinho.

SELMA – Eu não sei o que você esta falando.

MARTA – É bom saber. Eu só quero uma boa quantia para ficar com a boca fechada e eu tenho certeza que isso não é um problema para você e nem para a Laura.

SELMA – Eu acho que você é meio maluca e não tomou o seu remédio hoje.

MARTA – Eu sei onde esconderam o corpo e eu posso muito bem entregar a polícia.

SELMA – Que corpo? Se eu fosse você eu tomaria cuidado para não acabar indo para esse lugar onde você acha que sabe.

MARTA – Eu não tenho medo das suas ameaças!

SELMA – Deveria ter meu bem! E mais uma coisa, não se aproxime mais de mim ou da minha irmã. É apenas um aviso.

 

Cena 08 – Rua – Dia.

Luana comprava frutas quando Martin se aproximou e lhe ofereceu ajuda para levar as sacolas.

LUANA – Não, obrigada! Eu ainda posso carregar com as minhas próprias mãos.

MARTIN – Eu não entendo o motivo de me tratar desse jeito.

Ela parou diante dele e o fitou.

LUANA – Será mesmo que eu tenho que responder?

MARTIN – Eu estou tentando ser um cara bacana, eu sou um cara bacana e quero ganhar a sua confiança.

LUANA – Martin, por favor! Eu não quero me casar com você, então pare de criar expectativas com a minha mãe, eu não te amo.

MARTIN – Um dia você vai me amar e vai se arrepender de ter dito isso.

LUANA – Eu tenho uma filha. A mamãe não te contou sobre isso?

Ela disse o seu segredo e o deixou sozinho sem reação.

 

Cena 09 – Capital – Casa de Daniel.

A casa estava cheia de bonecas espalhadas pelo chão, Silvia tentava arrumar a casa em vão e bufava de ódio sem que o marido percebesse. A menina correu pelos corredores da casa e encontrou o papai em seu escritório.

DANIEL – Oi filha!

CAMILA – Papai!

DANIEL – Você quer alguma coisa?

Ele a pegou em seus braços.

CAMILA – Eu quero ver a mamãe!

DANIEL – Filha! Um dia você verá sua mãe novamente.

CAMILA – Eu tenho saudades papai!

DANIEL – Vá brincar um pouco e eu prometo que você vai ver a sua mãe!

A menina correu de volta para seu quarto e Silvia entrou em seguida.

SILVIA – Agora está mentindo para sua própria filha? Eu não esperava isso de você.

DANIEL – Eu não entendi.

SILVIA – Eu sou sua esposa, Daniel!

DANIEL – Sim. Isso não impede de que a minha filha veja a própria mãe.

SILVIA – Eu deveria ser a mãe da Camila.

DANIEL – Mas você não é.

SILVIA – Você ainda gosta dela não é? Está na sua cara que ainda gosta dela.

DANIEL – Chega! Eu não sei como eu te aguento ainda.

Ele saiu do quarto furioso.

 

Cena 10 – Rua – Dia.

Marta caminhava de volta para a pensão e ficou impressionada com o que acabara de ver. Ela foi em direção a uma rua do lado da igreja da cidade.

- Eu tenho certeza que é a Ana e ela não me escapa!

 

Continua...

Capítulo 7 - Encontros


Cena 01 – Casa de Célia – Sala.

O rádio estava ligado e tocava uma música romântica. Luana costumava ouvir sempre o programa nesta hora. Alguém bateu na porta e ao abrir viu que era Martin.

LUANA – Eu estou sozinha em casa.

MARTIN – Eu vim aqui mesmo por você. Eu precisava enxergar a beleza dos teus olhos.

Ele segurou a porta e entrou.

LUANA – Por favor, vá embora!

MARTIN – Está me evitando? Logo eu que sou bom pra você?

LUANA – Eu não tenho nada contra você... Eu só...

Ele não a deixou continuar falando e beijou surpreendendo-a. Ela se afastou e lhe deu uma bofetada.

MARTIN – Não devia ter feito isso, mas eu sou forte e gosto um pouco.

LUANA – Vá embora, Martin!

MARTIN – Eu só queria que você gostasse de mim como eu gosto de você.

LUANA – O amor não se conquista a força...

MARTIN – Eu vou deixar você sozinha e eu espero que repense um pouco. Eu sou um homem de dinheiro e posso dar tudo que você quer.

Ela permaneceu em silêncio e ele foi embora.

 

Cena 02 – Capital – Casa de Elis.

Meus olhos batiam no dele e seus lábios colavam sob os meus. Eu podia sentir o calor do seu corpo, o suor em seus poros, meu coração disparava. Suas mãos firmes tocavam o meu cabelo e eu sentia uma segurança. A gente sabe quando a felicidade bate em nossa porta, mas um dia ela parece que resolve ir embora do nada.

ELIS – Eu te amo, Otávio!

Ele sorriu e acariciou o seu rosto.

OTÁVIO – Eu prometo que permanecerei aqui do seu lado.

Meus olhos enchiam de lágrimas e eu me via sozinha, eu estava sozinha com a escuridão, o vazio que havia em mim. É quando você se sente despedaçada, quando você parece uma folha que caiu de uma árvore e que foi levada pela brisa. Você procura uma janela e vê tudo que viveu passar como se fosse um filme. A lágrima escorre em volta de nossas covinhas e quando elas secam. É aquele momento em que abrimos uma nova porta e tudo que precisamos é encarar sem medo.

Abri os olhos e ele não estava mais lá. Ele havia ido embora e eu decidi que ele também deverá partir do meu coração.

- Eu vou arrancar você do meu peito sem piedade e para sempre. Disse Elis.

 

Cena 03 – Leônia – Centro – Praça.

Era notável o cabelo curto e escuro de Laura. Ela era reconhecida há metros de distância, sua veste escura se destacava com a luz do sol. O céu estava azul claro, estava calor, era possível perceber a testa suada, atravessou a rua, olhou para o lado esquerdo e acabou esbarrando em Ricky.

LAURA – Quem é você? Me larga!

RICKY – Desculpe, mas foi você que esbarrou em mim, deveria ter mais cuidado por onde anda.

LAURA – Eu sou uma pessoa bastante cuidadosa.

RICKY – Você está bem?

Ela enxugou a testa com uma das mãos e franziu a mesma fitando-o.

LAURA – Eu pareço estar com algum problema?

Ela encarou mais uma vez e percebeu como os olhos do rapaz eram esplendidos. Ele perguntou algo, não dava para saber o que havia dito, ela mordeu os lábios e sorriu.

RICKY – Está tudo bem mesmo?

“De onde saiu esse instrumento feito as mãos e com tanto cuidado?”. Perguntou ela para se mesma.

- O que disse? Perguntou ele.

- Eu disse? Eu disse o que? Eu não disse nada. Respondeu.

 

Corta para:

 

Cena 04 – Rua – Dia.

Célia sai discretamente de uma casa, ela segura um envelope nas mãos, olha para os dois lados.

- E de uma coisa eu tenho certeza. Luana e Martin vão se casar ou eu mudo o meu nome para Maria Joaquina.

Cena 05 – Pensão – Quarto de Marta.

“Eu tinha certeza absoluta que era a Ana. Mas o que será que ela veio fazer aqui? Qual é o verdadeiro motivo por me fazer passar por ela?”. Pensou Marta.

Alguém bateu na porta e ela ao abrir viu Ricky em sua frente.

MARTA – O que você está fazendo aqui?

RICKY – Eu queria olhar nos seus olhos e dizer que não paro de pensar em você.

Ela olhou com repulsa, fechou a porta, mas ele segurou com sua mão.

MARTA – Me deixe em paz!

RICKY – Me desculpe!

Ela fechou a porta e ficou encostada nela por um momento. Ele continuou do lado de fora parado, ela abriu a porta, ele olhou para ela e os dois se beijaram.

MARTA – Não... Por favor, isso não podia acontecer, eu nem te conheço.

RICKY – Ana. Eu estou sentindo algo por você.

MARTA – Isso é loucura.

Ela franziu a testa para ele e fechou a porta apressadamente.

 

Cena 06 – Capital – Casa de Daniel – Noite.

O rádio começa a toca uma música sensual, Silvia aparece com uma lingerie preta e começa a dançar pelo quarto. Daniel chega e se joga na cama completamente cansado.

SILVIA – Eu não acredito no que estou vendo, Daniel?

DANIEL – O que? Será que eu não posso descansar um pouco?

SILVIA – Eu aqui linda para você e você não faz nada. Eu esperava algo mais romântico e olhe o que você faz.

DANIEL – Por favor, eu estou cansado. Trabalhei o dia todo e você ainda vem encher a paciência.

SILVIA – É assim que você quer manter um relacionamento?

DANIEL – Pare de piorar as coisas.

SILVIA – Eu só estou dialogando, eu gosto de conversar ao contrário de você.

DANIEL – Você parece que gosta de brigar.

SILVIA – Eu tento resolver as coisas entre nós, eu gosto de resolver tudo hoje e não deixo nada para amanhã.

DANIEL – Vamos dormir?

SILVIA – Eu acho que foi por isso que a Luana te deixou, ela não devia te aguentar mais, você é frio e não pensa em ninguém.

DANIEL – Silvia. Pode parar agora porque eu não estou com paciência.

Camila havia aparecido neste momento e ficou olhando da porta.

CAMILA – Papai!

DANIEL – Filha!

Ele olhou para a filha e levantou para ficar junto dela. Silvia voltou ao banheiro e colocou um roupão. Ela despejou toda sua raiva jogando os objetos do local.

 

Cena 07 – Hospital – Noite.

Célia conversa com uma enfermeira. Luana entra pelo corredor do hospital parecendo meio perdida, Célia começa a passar mal e a enfermeira tenta lhe dá alguns comprimidos.

CÉLIA – Meu deus! Eu vou morrer, eu estou sentindo isso, está chegando a minha hora...

LUANA – Mamãe?

As duas agora estavam na mesma sala, Célia sentou em uma cadeira e sua filha se aproximou.

CÉLIA – Recebeu o meu aviso?

LUANA – O que está acontecendo?

A enfermeira saiu e no mesmo momento entrou uma médica. O silêncio permaneceu na sala por um momento e a Dra. Joana falou.

DRA. JOANA – Eu estou com os resultados. Eu sinto muito em ter que dizer isso, mas não é nada bom.

LUANA – O que está acontecendo doutora? O que está acontecendo com a minha mãe?

CÉLIA – Eu estou morrendo doutora? É isso?

DRA. JOANA – Temos tempo ainda para correr atrás, a doença está avançada, mas nunca é tarde, precisamos ter esperanças.

LUANA – Que doença é essa?

CÉLIA – Esperanças para alguém que está morrendo? Como posso ter esperanças?

 DRA. JOANA – Não podemos desistir assim tão cedo. A medicina está sempre se atualizando.

LUANA – A minha mãe vai sobreviver?

Célia fez uma expressão de medo e caiu uma lágrima dos olhos de sua filha.

 

Cena 08 – Hospital – Entrada.

Luana saiu aos prantos e encontrou Luciano em frente ao hospital. Ele se aproximou e levantou o rosto da amada.

LUCIANO – O que aconteceu? Fala comigo. Eu estou aqui!

LUANA – A minha mãe está doente e eu temo que seja muito grave. Ela precisa de mim e eu não sei como ajudar.

LUCIANO – Vai dar tudo certo, meu amor!

Eles se abraçam e no mesmo momento Martin vê tudo do outro lado da rua.

 

Cena 09 – Jardim da cidade – Dia.

Selma está deitada sob a grama e de repente percebe que uma sombra surge diante de seus olhos.

SELMA – Quem está atrapalhando o meu banho de sol?

GABRIEL – Eu!

SELMA – Como ousa infeliz?

Ela levanta cheia de gramas no cabelo e ele ri.

GABRIEL – Você está linda!

SELMA – Não precisa citar James Blunt para mim!

GABRIEL – Eu não paro de pensar em você.

Ela colocou seu dedo no meio da boca do rapaz pedindo silêncio.

SELMA – Sem romantismo para o meu lado.

 

Cena 10 – Galpão Abandonado – Dia.

Marta caminha por uma rua sem ninguém, há apenas um gato que subiu numa lata de lixo. A ruiva se aproximou de um galpão e abriu a porta discretamente.

- Eu sei que ela está aqui. Eu tenho certeza e dessa vez ela não me escapa! Pensou Marta.

Alguém derrubou uma garrafa de vidro e foi possível ouvir um rangido de uma porta.

ANA – Quem está ai?

MARTA – Quanto tempo. Eu acho que precisamos trocar algumas palavras.

 

Continua...


Capítulo 8 - A Festa


Cena 01 – Galpão Abandonado - Dia.

Marta estava frente a frente com Ana, a mulher que lhe fez trocar de identidade, ela fez tudo isso pelo dinheiro, mas queria saber o real motivo.

MARTA - Quanto tempo. Eu acho que precisamos trocar algumas palavras.

ANA – Agora não é o melhor momento, por favor, eu prometo te procurar quando for à hora.

MARTA – O que está me escondendo? Eu estou assumindo o seu lugar e eu nem sei quem é você.

ANA – Vai embora e eu te procuro.

MARTA – Tudo bem. Lembre-se que quero saber de tudo.

Marta deu as costas e foi embora. Ana ficou sozinha por um momento e logo surgiu outra pessoa. Era possível ouvir o salto do sapato a cada passo.

LAURA – O que você está planejando Ana?

ANA – Laura!

Laura sorriu, ela segurava uma arma, mas logo guardou em seu casaco.

LAURA – Como as pessoas gostam do perigo.

ANA – Eu ia te procurar antes, mas eu queria esperar pelo momento certo.

LAURA- Sabe que eu posso te matar agora?

ANA – Você não vai fazer isso. Você não vai me matar.

LAURA – O que quer de mim?

ANA – Eu quero que saiba de algo que fiz. A Marta está se passando por mim, ela está usando meu nome e sobrenome.

LAURA – Que isso importa? Ninguém conhece você aqui.

ANA – Você sabe o quanto importa.

 

Cena 02 – Hospital – Dia.

O sol entrava pela janela do quarto. Célia havia despertado e Martin logo entrou segurando flores.

CÉLIA – Martin!

MARTIN – Minha querida. Eu fiquei tão preocupado, não podia deixar de vir aqui lhe ver e ter a certeza de quanto está bem.

CÉLIA – Estou ótima.

Ela segurou as flores e ele sentou na cadeira que havia ao lado da cama.

MARTIN – Não me parece tão doente.

CÉLIA – Eu estou querido.

MARTIN – Eu vi a sua filha agarrada com um rapaz chamado Luciano, acredito que gostaria de saber.

CÉLIA – Quem é esse?

MARTIN – É mãe da Luana e deveria saber os passos que ela dá.

CÉLIA – Não se preocupe, eu mesma resolverei esses pequenos problemas.

MARTIN – Acredito que ficará boa antes do casamento.

CÉLIA – Estarei renovada.

Ela sorriu e ele foi embora.

 

Cena 03 – Apartamento de Laura – Dia.

Selma entra soltando fumaça de sua boca e Laura fita a irmã com seus olhos.

LAURA – Não fume aqui!

SELMA – O que deu em você?

Ela apagou o cigarro e o colocou sob o cinzeiro. Laura serviu-se um copo de tequila.

LAURA – Alguns probleminhas, nada difícil de resolver.

SELMA – Eu acho que o carinha novo da cidade é montado no dinheiro.

LAURA – Quem?

SELMA – O tal de Ricky!

Laura levantou com um brilho nos olhos ao ouvir o nome dele.

LAURA – Será?

 

Cena 04 – Hospital – Dia.

Luana entrou no quarto da mãe com um sorriso estampado em seu rosto. Célia estava séria e o buquê se destacava ao lado da cama.

CÉLIA – Está me parecendo bem feliz. Nem parece que a sua mãe está morrendo.

LUANA – Eu estou preocupada com a senhora sim. Eu prometi a mim mesma que encontrarei uma solução e a senhora ficará bem.

CÉLIA – A solução é você se casar com o Martin!

LUANA – Eu não amo o Martin!

CÉLIA – O amor vem com o tempo.

 

Cena 05 – Casa de Célia – Noite.

A festa de Laura havia começado. O rádio estava no volume máximo, os convidados chegavam e a sala estava cada vez mais apertada de gente.

SELMA – Essa festa vai é bombar!

Laura estava no banheiro e cheirava algo. Tocando Dance In The Dark ao fundo. Ela sai com uma garrafa nas mãos e sorri para os convidados.

LAURA – Seja muito bem-vinda querida, eu espero que curta bastante a festa.

A mulher sorriu para a dona da festa e se infiltrou no meio dos convidados. Selma se aproximou da irmã.

SELMA – Ainda bem que a mamãe não está aqui.

LAURA – Minha festa não tem espaço para velhos, ela está muito bem fazendo seu teatrinho no hospital e espero que a tonta da Luana fique por lá. Eu quero beber a noite toda.

A música agitada continua e Laura dança acompanhando sua turma.

 

Cena 06 – Praça – Noite.

Marta e Ricky estão sentados no banco da praça, o céu continua estrelado e é possível enxergar o reflexo das estrelas em seus olhos.

MARTA – Obrigada por fazer parte deste momento tão incrível!

RICKY – Eu estou aqui com você e estou muito contente por isso.

Ele pegou a mão dela e ela o beijou.

 

Cena 07 – Casa de Célia – Quarto – Noite.

Célia entra no quarto completamente histérica e Luana a acompanha.

LUANA – Eu disse que era melhor ter ficado no Hospital.

CÉLIA – Eu vou acabar com a festa.

LUANA – A senhora que deixou a Laura fazer tudo isso.

CÉLIA – Ela tem a casa dela e não fez lá porque não quis.

Luana pega a caixa de remédios e dá um para sua mãe.

LUANA – Tome um e vai acalmá-la.

CÉLIA – Eu não quero tomar isso.

 

Cena 08 – Casa de Célia – Sala – Noite.

A festa continua. Tocando Just Dance ao fundo e Martin acaba de chegar, ele sorri para Laura que dançava bastante no meio da sala e logo o agarrou.

LAURA – Era só você que estava faltando.

MARTIN – Laura. Olha onde estamos!

LAURA – Vem comigo. Eu sei de um lugar onde podemos ficar sozinhos.

Ela pegou sua mão e ele a seguiu.

 

Cena 09 – Casa de Célia – Varanda – Noite.

Selma termina o seu drink e Gabriel surge em sua frente. Ele sorri e ela retribui.

SELMA – Eu não me lembro de ter convidado você para a festa.

GABRIEL – Na verdade. Sua irmã me convidou.

SELMA – Eu deveria ter verificado essa lista e cortado o seu nome dela.

GABRIEL – Eu só quero que você me beije.

Os dois se beijaram no mesmo momento e não disseram nenhuma palavra.

 

Cena 10 – Galpão Abandonado – Noite.

Marta entra no galpão e é rapidamente puxada pelo braço por Ana.

MARTA – O que pensa que está fazendo?

ANA – Ainda bem que veio ao meu encontro, eu disse que ia te procurar.

As duas caminham e ficam próximos a uma janela. Ana observa a rua por ela e se vira para Marta.

MARTA – Eu quero que me conte tudo.

ANA – Eu vou contar, eu não vou ganhar muita coisa com isso e nem perder. Você está pronta para ouvir?

 

Continua...


Capítulo 9 - Curta mentira



Cena 01 - Galpão Abandonado - Noite.
Marta e Ana caminham e ficam próximos da janela. Ela observa a rua e depois se vira para a ex-presidiária.
MARTA - Eu quero me conte tudo.
ANA - Eu vou contar, eu não vou ganhar muita coisa com isso e nem vou perder. Está pronta para ouvir?
Ela sorri com deboche e levanta a mão.
- É claro que estou pronta para ouvir. Veja onde estou, bem que podia deixar de suspense, eu gosto quando as coisas são diretas. Disse Marta
Ana deu alguns passos e viu o reflexo do seu próprio rosto em um espelho velho.
- É preciso ter bastante cuidado!
- Cuidado com o que?
As duas se fitaram naquele momento.
- Querem matar a Ana.
- Mas você é a verdadeira Ana!
- Não. Você é a Ana. Eu não estou mais nesse jogo.
Marta fica furiosa e tenta esganar a mulher empurrando-a contra parede.
MARTA - Todo este tempo que me passei por você era para morrer no seu lugar?
ANA - Deixe-me terminar!
Ela largou a mulher no chão imundo e chutou uma pedra que ali havia.
- Eu quero o meu dinheiro. Eu aceitei me passar por você e agora que a farsa acabou. Eu quero o meu dinheiro.
- O dinheiro está na minha bolsa!
- Eu pego para você.
Ela se ofereceu e arrancou as bolsas da verdadeira Ana.
- Você deve ter muito cuidado com a Laura!
- O que aquela vaca tem haver com isso?
Marta encontrou uma arma na bolsa e mirou diretamente na cabeça de Ana.


Cena 02 - Casa de Martin - Quarto - Noite.
Laura fugiu da própria festa com Martin e ele a levou para sua casa. O champanhe foi deixado em um balde de gelo e ele arrancou sua camisa de botões.
MARTIN - Está muito quente!
LAURA - O que você quer que eu faça? Quer que eu arranque a minha calcinha?
Ela sorriu e ele retribuiu.
- Eu posso abrir o meu zíper e posso te mostrar algo mais além. Disse ele.
Ela tirou a blusa mostrando seus seios, ela tirou a calça em seguida e ficou completamente nua.
- É claro. Eu sou prevenida para tudo!
- E eu tenho você agora.
- Eu posso ser sua sempre colocando um anel no meu dedo.
Ela fez um gesto com a mão e ele riu.
- Eu amo a sua irmã, mas eu gosto muito de você.
- Prefere a insonsa que a mim?
- Eu quero você totalmente nua sob o meu corpo.
Ele arrancou a calça e ficou apenas de cueca. Ela se ajoelhou diante dele e sorriu.

 


Cena 03 - Rua - Dia.
Luciano sai do armazém triste e encontra Luana na rua.
- Eu não posso falar agora. Disse ela.
- O que está havendo com você?
- Eu estou sofrendo muito com a doença de minha mãe. Desabafou.
Ele tentou se aproximar e ela se afastou.
- Você está estranha. Aconteceu alguma coisa?
- Eu já disse. Eu tenho que ir!
Ele baixou a cabeça e ela levantou com sua mão delicada olhando em seus olhos.
- Um dia vai tudo ficar bem!
- Eu fui dispensado do meu trabalho, estou sem chão, eu não podia perder o meu emprego.
- Sinto muito. Luciano! Você é um rapaz trabalhador e sabe muito bem que novas portas vão abrir, é sempre assim quando uma se fecha.
- Eu agora só tenho você.
- Por favor, não diga nada, adeus!
Ela pegou sua sacola e foi embora deixando-o no meio da praça.


Cena 04 Capital - Rua - Dia.
Camila estava saindo de uma loja enquanto seu pai pagava a compra. A menina colocou os pés na rua, um carro vinha em sua direção, quando uma mão a puxou, era Elis.
- Menina! Gritou.
Daniel saiu logo e encontrou as duas.
- Meu deus! A culpa foi minha.
- Está tudo bem, não aconteceu nada demais.
Ele pegou a mão da filha e com sua amiga caminharam pelo quarteirão.
- Eu tinha que comprar alguns materiais. Sabe como é o trabalho?
- Eu imagino. Respondeu ela.
A filha dele olhou para o doce de uma loja que ali havia e apontou com seu dedo.
- Eu quero!
Elis sorriu para ela e para Daniel.
- Vamos sentar um pouco e é por minha conta.
- Não precisa. Tentou recusar.
Ela pegou a mão da menina e entrou. Sentaram ao encontrar uma mesa.
- Eu vou querer um café e você Daniel?
- Pode ser o mesmo. Notícias do Otávio?
- O Otávio parece ter sumido mesmo da minha vida.
Ele tirou um envelope do bolso de sua camisa.
- O Heitor enviou essa carta para ele.
- Heitor?


Cena 05 - Apartamento de Laura - Dia.
Laura tira as chaves de sua bolsa e abre a porta. Ao entrar ela vai até as janelas e abre as cortinas, Selma acorda no sofá.
- Está um lindo dia!
Selma abre os olhos e encara a irmã.
- O que deu em você? Nunca abre essas malditas cortinas.
- Minha pele branca é bastante sensível, mas hoje eu quero sentir o sol queimando minha pele. Respondeu.
- Eu estava dormindo.
- Deprimente. Eu entendo que encheu a cara de bebida de péssima qualidade, mas a cama fica no quarto ao lado.
- Você às vezes parece legal, mas é diabólica.
- Eu legal? Hahahahha
Laura largou a bolsa no sofá e tirou o salto.
- Vai me contar ou não?
- Estou tão legal hoje que farei o almoço. E eu pretendo me casar.
- Casar com o Martin?
- Com ele não. Com o tal de Ricky!
- E o tal de Ricky sabe disso?
- Ainda não, mas vai saber.


Cena 06 - Apartamento de Laura - Sala.
Laura ouviu as batidas na porta e ao abrir ficou diante de Marta.
- O que você quer comigo? Perguntou curiosa.
- Eu estou cansada de enrolação e sei dos seus planos.
Marta entra sem ser convidada. Laura fecha a porta e sorri.
- Meus planos? Não sabia que lia pensamentos. O que estou pensando agora?
- Eu sei sobre a Ana. Disse Marta.
- Eu não pedi para você se passar por ela, meu problema com a Ana é só com ela.
- Acontece que agora é um problema meu.
- Um problema que só você criou.
- Quem está por trás de você?
- Eu pensei que você sabia de tudo. Disse com deboche.
Marta olhou para a arma que havia tirado de Ana e estava em sua bolsa.
- Eu poderia acabar com tudo agora e mudar todo o jogo.
- Você acha mesmo que é você que dá as coordenadas? 
- Eu posso ser um problema para você. 
- Com certeza não! 
- Eu sei muito bem sobre suas falcatruas. Sobre o sumiço do Heitor. 
- Eu também sei que você é uma ex-presidiaria. Eu sei que usa um nome que não é seu e eu posso muito bem chamar a Polícia. 
- Tente e vai ver do que sou capaz. 
- Eu já disse que não tenho medo de você. Ruiva burra.
Marta pega a arma e aponta para Laura.
- O que disse?
- Aperta o gatilho. Eu sei muito bem que não matou a Ana.
Marta lembra da noite anterior e Ana estava bem diante da arma. Uma bala poderia matá-la naquele momento. Ana sorriu e caminhou até a saída.
- Eu não matei porque eu quis. Lembra que já fui uma detenta?
Laura sorri e tira sua arma escondida em sua calça.
- Garanto que a minha está bem carregada. Sorriu com deboche.
- O que?
Marta percebeu que a arma estava sem munição e derrubou um vazo de Laura irritada.
- Tudo bem, eu não gostava dele mesmo, mas a minha irmã vai ficar furiosa. Quanto você quer?
- Está me oferecendo dinheiro?
- Eu não deveria, mas estou te dando essa chance. Uma segunda chance.


Cena 07 - Casa de Célia - Sala - Tarde.
Célia aguardava no sofá e ao perceber que sua filha entrava, fingiu uma dor de cabeça, Luana fechou a porta.
- Como a senhora está se sentindo? Perguntou.
- Estou péssima. Cadê os meus remédios? Perguntou com a mão em sua testa.
- Os remédios estão caros. Eu pedi que colocasse na conta e depois disse que pagaria. Não sei se vamos ter dinheiro para pagar tudo isso.
- Eu morrerei lentidamente sem meus remédios. Lamentou.
Luana entregou as caixas na mão de sua mãe.
- Não vou deixar isso acontecer. Eu vou dar um jeito e a senhora será tratada.
- Como? Mal podemos pagar uma caixa desses remédios.
- Eu vou aceitar o pedido de Martin.
Célia ficou sem palavras ao ouvir a notícia.


Cena 08 - Casa de Elis - Tarde.
Elis chegava em frente em sua casa e encontrou uma moto estacionada, ela olhou para dentro de sua varanda e viu Otávio.
- Eu fico feliz em vê-la novamente. Ele disse sorrindo.
Ela empurrou o pequeno portão e chegou na varanda. Seus olhos brilhavam de felicidade e ele a beijou.
- Eu não estou acreditando que está aqui.
- Eu senti saudades.
- Deveria ficar, então.
- Eu te amo, mas tenho que procurar a cretina que me roubou.
- Se me amasse ficaria. Ela disse abrindo a porta de sua casa. Ele olhou para a rua e ela tirou de sua bolsa o envelope.
- Eu sei que é pedir demais por esperar por mim.
- Realmente é pedir demais. Um tal de Heitor enviou isso a você.
Ele pegou a carta.

Cena 09 - Casa de Daniel - Tarde.
Daniel pega uma pasta e sai a trabalho. Silvia se despede com um beijo e fecha a porta.
- Onde o papai foi? Perguntou Camila.
Silvia encarou a menina e sorriu.
- Seu pai fora trabalhar para colocar comida em nossa mesa e você como boa menina deve ir para o quarto.
- Não vou. Vou ver TV.
- Você vai para o quarto! Gritou Silvia.
Camila sentou no sofá e ligou a TV. Silvia desligou no mesmo momento e puxou a menina pela orelha levando direto para o quarto.
- Não. Me solta!. Eu quero ver TV. Gritou a menina.
Silvia riu e fechou a porta com a chave.
- Eu odeio essa pirralha. Disse encostada na porta do quarto.

Cena 10 - Casa de Célia - Sala - Tarde.
Célia olha para o telefone, mas continua sentada no sofá. Luana está em seu quarto e sorri um pouco forçado para o espelho.
- É por uma boa causa. Ela diz.
Passou um batom claro em seus lábios, usava um vestido rosa. Seu cabelo curto e volumoso de cachos louros se destacavam.
Célia se dirigiu ao telefone e discou o número. Era Martin do outro lado.
- Ela vem em minha casa? Perguntou.
- Ela vai dizer sim.
- Como conseguiu?
Luana acabara de sair do seu quarto. Célia continuava falando ao telefone quando sua filha se aproximou.
- Se eu soubesse que ela aceitaria o pedido, eu havia iventado essa doença muito antes.
- O que você disse? Perguntou Luana.
Célia parou e deixou o telefone cair.
Continua...
 


Capítulo 10 - Beijo roubado


Cena 01 – Casa de Célia – Sala.

 

Quando você está prestes a tomar uma decisão difícil. Tudo que você mais quer é sumir, ir para um lugar silencioso e ficar com os próprios sentimentos. Uma mentira fez meu coração doer o suficiente para me deixar em pedaços por muitos dias, mas saber que nada era verdade, aquilo tornou tudo fácil, mas a raiva, essa eu não podia deixar passar. Eu estava diante de uma mentira absurda.

Célia pegou o telefone que estava no chão e colocou no lugar, ela se sentou em silêncio.

LUANA – Era tudo mentira? Eu não acredito nisso, como pode ser tão cruel?

CÉLIA – Eu tive as minhas razões!

LUANA – Não há razão alguma que justifique sua mentira. Como pode inventar uma doença? Isso ainda é um pecado muito grande.

CÉLIA – Você tem que se casar e salvar a nossa família.

LUANA – Não vou casar coisa alguma. E os remédios que eu comprei? Pague à senhora.

Ela se calou e saiu pela porta da frente.

Cena 02 – Casa de Célia – Sala.

Selma sai da cozinha e aparece diante da mãe Célia.

SELMA – Eu ouvi tudo!

Célia se levanta ao olhar para a filha.

CÉLIA – Estava ai o tempo todo?

SELMA – Eu sou sua filha e acredito que posso entrar nessa casa quando eu bem entender.

CÉLIA – Eu estou com dores de cabeça, por favor, agora não!

Selma impediu a mãe de sair da sala e sorriu.

SELMA – Eu posso ajudar à senhora!

CÉLIA – Ajudar em que?

SELMA – Inventar uma doença pode ser interessante, mas a senhora parece que não sabe manter uma farsa e acaba dando errado.

CÉLIA – Veio me criticar?

SELMA – O que eu ganho facilitando o casamento da idiota da Luana com o riquinho?

 

Cena 03 – Estrada – Tarde.

Luana caminha pela pequena estrada que dá para o campo. O verde da mata ao longe destaca mais a linda paisagem, o sol está se pondo e ela se senta na grama. Uma lágrima escorreu de seus olhos, o sol ainda cobriu seu rosto de luz e ela sorriu.

 

Cena 04 – Capital – Casa de Daniel – Noite.

Silvia colocava o jantar na mesa quando o marido chegou, Camila correu para os braços do pai e ela se queimou com a panela.

CAMILA – Papai!

DANIEL – Filha!

Os dois se abraçaram. Silvia ouvia a felicidade do marido e colocava os talheres na mesa, parecia um pouco preocupada.

CAMILA – Eu quero morar com a mamãe!

DANIEL – O que foi que você disse?

Silvia agora estava diante deles. Camila encarou a madrasta e abraçou o pai mais uma vez.

CAMILA – Quero a mamãe. A Silvia é má!

Daniel olhou para a esposa e beijou a filha.

DANIEL – Depois conversamos querida.

A menina correu para o quarto e ele fitou a mulher.

SILVIA – Não olhe para mim desse jeito. Sua filha é muito impulsiva e ela não queria estudar.

DANIEL – Por favor, seja mais doce com ela.

SILVIA – Eu cuido da sua filha enquanto você passa o dia fora, eu tento educá-la e fazer que a menina aprenda as coisas da escola. Eu faço de tudo por ela!

Ele beijou seu rosto e sentou-se à mesa.

DANIEL – Eu queria tanto me livrar desses problemas e agora ela quer ver a mãe.

SILVIA – Se ela quer ver a mãe, então deixe.

DANIEL – Eu não posso deixar a minha filha com aquele tipo de mulher.

SILVIA – Você sabe o que é melhor para ela.

 

Cena 05 – Casa de Daniel – Varanda.

Silvia observou pela porta Daniel colocando a filha para dormir e ao ouvir batidas na porta foi ver o que era, abriu a porta e estava diante de Elis.

ELIS – Oi! Eu sou a Elis!

SILVIA – Posso ajudar em alguma coisa?

ELIS – Eu queria trocar algumas palavras com o Daniel. Ele está?

SILVIA – Que pena... No momento ele não se encontra.

ELIS – Tudo bem!

SILVIA – Boa noite.

Ela fecha a porta e sorri aliviada e depois observa pela janela a mulher ir embora. Daniel apareceu em seguida.

DANIEL – Quem era?

Fechou rapidamente a cortina da janela e sorriu.

SILVIA – Era um pobre coitado pedindo comida!

 

Cena 06 – Quarto de Luciano – Noite.

Luciano está diante do espelho, ele arruma o cabelo e segura uma rosa. É possível perceber a felicidade por seu sorriso que quase se estende por todo seu rosto.

- Ela é a mulher da minha vida e será minha. Ela vai ser minha.

Alguém bateu na porta, ele abriu e viu um garoto. Ele recebeu um bilhete inesperado. – É da Luana!

 

Cena 07 – Pensão – Sala – Noite.

Geruza saiu do balcão e encontrou Laura que acabara de entrar.

GERUZA – A senhora por aqui?

LAURA – Sem perguntas, por favor!

GERUZA – Está procurando por alguém?

LAURA – Essa eu respondo! - Sorriu – Eu procuro pelo Ricky.

A velha sorriu e apontou com seu dedo a direção do quarto do rapaz.

 

Cena 08 – Pensão – Quarto de Ricky – Noite.

Ricky abriu a porta antes da chega inesperada de Laura. Ela sorriu imediatamente para ele e beijou seu rosto.

LAURA – Estava esperando por mim?

RICKY – Na verdade não... Eu estava indo a praça que é ventilada e gosto do ar frio.

LAURA – Eu sou a companhia certa e eu gostaria que bebesse um pouco comigo.

RICKY – Eu não bebo.

LAURA – Que seja um café, um chocolate quente, quem sabe um sorvete.

Ela corou e sorriu para o rapaz, depois segurou sua mão.

 

Cena 09 – Casa de Célia – Sala – Noite.

Luana sai do seu quarto e encontra a mãe em pé na sala.

CÉLIA – Vai sair?

LUANA – Eu vou à casa do Martin. Eu preciso desfazer o quanto antes esse casamento.

CÉLIA – Ainda não comeu. Eu sei que errei, mas eu me preocupo com você.

LUANA – Estou sem fome!

Célia tira de seu bolso um bilhete e entrega para a filha.

CÉLIA – Para você!

 

Cena 10 – Praça – Noite.

 

Agora a lua estava se destacando no céu. O frio estava delicioso e foi o bastante para Laura pegar um sorvete de casquinha e tomou ao lado de Ricky. Os dois se afastaram e ela não parava de sorrir para o rapaz.

RICKY – Você está mesmo feliz.

LAURA – É que eu estou com você.

Ela o beijou de surpresa.

Luciano se aproximou do sorveteiro e deu uma olhada rápida no relógio.

LUCIANO – Será que ela ainda vem?

Luana estava caminhando em direção à praça. Selma percebeu que a irmã estava se aproximando. Ela apareceu na frente de Luciano.

SELMA – Oi. Tudo bem com você?

LUCIANO – Estou bem.

SELMA – Você é tão bonito.

Luana já estava na praça e quando encontrou Luciano. Ele estava aos beijos com sua irmã.

 

Continua...

 


Capítulo 11 - Escolhas


Cena 01 – Praça – Noite.

 

Quando vemos o que não queremos, fechamos os olhos e depois abrimos de novo para ter certeza de que tudo aquilo não é real.

- Luciano? Gritou Luana.

Selma ouviu a voz da irmã, deixou os lábios de Luciano e se afastou. Ele olhou para o lado e viu sua amada.

LUCIANO – Luana? Por favor, não é isso que você está pensando.

LUANA – Pensando? Eu não estou pensando nada, eu estou vendo com os meus próprios olhos.

LUCIANO – Eu posso explicar.

SELMA – Foi só um beijo minha irmã!

Luana não suportou a resposta que sua irmã tinha dado e lhe deu uma tapa. Selma tentou revidar e foi impedida por Luciano.

LUCIANO – Não ouse levantar essa mão!

SELMA – Essa vaca me bateu.

LUANA – Mereceu e merecia muito mais. Eu pensei que você Selma ainda pudesse se salvar e hoje eu vejo que não.

SELMA – Me salvar? Me salvar do que querida?

LUCIANO – Meu amor, acredite em mim, a Selma que me beijou e a culpa é toda dela.

LUANA – Eu tenho nojo de você.

LUCIANO – Eu te amo, Luana!

Uma lágrima escorreu dos olhos dela, ela fitou a irmã que sorria com a situação e voltou a olhar para o amado.

LUANA – Não quero olhar para você nunca mais na minha vida.

Ela enxuga as lágrimas e sai correndo. Selma abraça Luciano e ele se afasta.

LUCIANO – Viu o que você fez?

SELMA – Eu não fiz nada, você que me beijou.

 

 

Cena 02 – Ponte de Leônia – Noite.

 

Este lugar foi um marco na minha infância, as lembranças percorrem em minha mente até hoje. Eu fui muito feliz, eu olhava para as estrelas e eu encontrava um conforto nelas. Desabafou Laura.

Ela estava na companhia de Ricky debruçada na proteção da ponte. O céu estava escuro e cheio de pequenas estrelas que enfeitavam o céu. A lua parecia estar escondida, pronta para aparecer a qualquer momento por trás das nuvens.

RICKY – É um lugar muito bonito. E você não é feliz agora?

Ela sorriu e segurou a mão do rapaz.

LAURA – Ninguém é feliz completamente meu bem. Eu sonho em encontrar alguém que me faça muito feliz, eu acredito que já encontrei.

Ela lhe roubou um beijo e o deixou sem reação.

RICKY – Não deveria ter feito isso.

Ele se afastou.

LAURA – Eu deveria sim. Eu sou o tipo de mulher que luta por aquele que lhe atrai e você não só me atraiu como conquistou completamente o meu coração.

RICKY – Laura, por favor! Eu não posso!

Os dois se olharam mais uma vez e ela sorriu apaixonada.

LAURA – Você tem um tempo para pensar, não demore tanto, não gosto de esperar.

 

 

Cena 03 – Rua – Noite.

Luana chegou frente a sua casa, ela abriu o portão que dava para a entrada e parou diante a porta. Seus olhos vermelhos revelavam que havia chorado o bastante, ela não encontrou forças para enfrentar os olhos da mãe e ali mesmo ficou. Sentou sob a curta grama e encostou sua cabeça na parede da casa.

 

 

Cena 04 – Rua – Noite.

Luciano caminha apressado, ele percebe que alguém o segue e ao olhar para trás Selma se aproxima.

LUCIANO – O que você ainda quer? Acabar com a minha vida de vez?

SELMA – Eu não quero estragar a sua vida meu bem!

LUCIANO – Então, conte toda a verdade.

SELMA – Minha querida irmã não vai acreditar.

LUCIANO – É claro que vai acreditar.

SELMA – Acredite em mim, por favor, eu faria tudo de novo por um beijo seu!

LUCIANO – Você está ficando louca?

 

Cena 05 – Pensão – Quarto de Ricky – Noite.

Ricky entra em seu quarto e ao acender a luz encontra Marta deitada em sua cama.

RICKY – O que está fazendo?

MARTA – Eu estou aqui linda só para você.

Ela levanta da cama e ele parece um pouco envergonhado.

RICKY – Eu acho que não deveria...

MARTA – O que não deveria?

Ela lhe rouba um beijo e ele parece querer, mas acaba se afastando da ruiva.

RICKY – Eu gosto de você e as vezes sinto que estou fazendo alguma coisa errada.

MARTA – E agora é errado amar?

RICKY – Não Ana... Não é errado, mas eu não sei... Eu não sei o que está acontecendo comigo.

MARTA – Eu sei o que está acontecendo comigo. Eu estou te amando.

 

Cena 06 – Casa de Célia – Dia.

Célia ajeita a mesa do café e Selma senta em uma das cadeiras da mesa com um enorme sorriso.

CÉLIA – Conte-me tudo!

SELMA – Eu disse que poderia contar comigo, o trabalho foi feito com sucesso e eu vou cobrar a minha parte.

CÉLIA – Então, os dois estão separados para sempre?

SELMA – Eu beijei o coitado do Luciano na frente da pobre irmãzinha. Essa hora ela deve estar morrendo de ódio dele.

CÉLIA – E onde está a Luana?

SELMA – Vai saber!

 

Cena 07 Posto de Gasolina – Estrada – Dia.

Otávio estaciona sua moto em um posto de gasolina, ele tira dinheiro do bolso e abastece o tanque. Arrancou o capacete e franziu sua testa ao ler o jornal pregado na parede do local.

- É... Estou cada vez mais perto, estou cada vez mais perto de dar uma lição naquela vadia! – Disse ele.

 

Cena 08 – Capital – Casa de Elis – Dia.

Elis levanta da cama e encontra sua casa vazia. Ela abre as cortinas da janela e observa por alguns estantes a rua.

- E mais uma vez ele foi embora, mais uma vez ele partiu meu coração e dessa vez eu não vou perdoar.

 

Cena 09 – Casa de Martin – Dia.

A TV da sala estava ligada. Martin descascava uma laranja e foi surpreendido com uma batida em sua porta. Largou a faca sob a mesa e ao abrir viu Luana na porta.

MARTIN – Você aqui?

LUANA – Eu tenho algo para dizer.

MARTIN – Então, entre.

Ele fez o gesto indicando e ela entrou um pouco tímida, porém decidida. Continuou em pé enquanto Martin fechava a porta.

- Estou curioso em saber o que te trouxe aqui, Luana. O que me diz?

“Eu estava decidida, eu sabia que estava fazendo uma escolha que eu não queria, mas eu não vi outra escolha, eu preciso fazer isso”.

Ela então abriu a boca.

LUANA – Eu aceitou casar com você.

MARTIN – O que você disse? É verdade mesmo isso? Quer mesmo casar comigo?

LUANA – Sim.

Ele sorriu diante da mulher de sua vida e vibrou de tanta felicidade.

 

Cena 10 – Casa de Célia – Dia.

Luana e Martin chegaram juntos, ela pediu licença e trancou-se em seu quarto. Célia serviu um drink para o noivo e sentou ao seu lado.

CÉLIA – Quero ouvir novamente, como foi isso? Como aconteceu?

MARTIN – Eu não estou acreditando. Sua filha apareceu do nada em minha casa e disse que aceitava casar comigo. Dona Célia, eu sou o homem mais feliz desse mundo.

Célia bate palmas e levanta para pegar mais bebê.

CÉLIA – E eu sou a mulher mais feliz desse mundo. Minha filha vai se casar.

MARTIN – E eu farei de Luana uma mulher muito amada.

CÉLIA – Então, vamos brindar.

As taças tocaram uma na outra.

 

Cena 11 – Estrada – Noite.

Otávio continua em direção a Leônia montado em sua moto e acelera quando percebe em uma placa que está mais próximo.

- Minha sede de vingança aumenta a cada instante. Disse ele.

Flashback

Otávio estava sozinho no bar e Laura se aproximou do rapaz.

LAURA – Sozinho em uma noite tão maravilhosa como essa?

OTÁVIO – Por acaso, a dama quer fazer companhia a este pobre rapaz?

LAURA – Pobre? Eu vejo que não.

Ela sentou ao lado dele e pediu mais dois drinks.

OTÁVIO – Você vem sempre aqui?

LAURA – Essa cantada é um pouco velha, mas eu nunca estou no mesmo lugar. Eu sou do tipo que gosta de mudanças.

OTÁVIO – Então, proponho que mudemos para outro lugar, algo mais reservado.

LAURA – Obrigada.

Ela sorriu e tomou o resto de seu drink.

Fim do flashback. Otávio passava pela ponte de Leônia e agora sim, ele estava no lugar certo.

 

Cena 12 – Floresta – Noite.

Laura chega de carro em uma cabana abandonada no meio do mato. Ana espera do lado de fora.

ANA – Eu pensei que não fosse trazer o que eu pedi.

LAURA – Eu acho que eu trouxe o que você pediu.

ANA – Sabe que eu estava precisando, eu não tinha de onde tirar e agora preciso ir embora para o mais longe possível.

LAURA – Antes de mais nada... Qual motivo de ter contratado aquela farsante para se passar por você? Afinal, eu sei de tudo.

ANA – Foi um erro meu, eu confesso, mas ela não é um problema.

LAURA – Ela é um problema meu!

ANA – Quando eu soube que queriam a minha cabeça, eu não pensei duas vezes.

LAURA – Quem iria acreditar nessa farsa medíocre? Você só me arrumou problemas.

ANA – Eu só quero o dinheiro e prometo ir para muito longe.

LAURA – Não vai a lugar algum.

Ela tira uma arma da mala e atira diversas vezes na mulher.

 

Cena 13 – Praça – Noite.

Ricky compra dois sacos de pipoca e um dá para sua companheira Marta.

MARTA – Obrigada, eu sempre amei pipoca.

RICKY – Eu estive pensando hoje o dia todo...

MARTA – Pensando o que meu querido?

RICKY – Que você não sai da minha cabeça, eu tentei, mas eu não posso negar os meus sentimentos.

MARTA – É verdade isso que está me dizendo?

RICKY – Quer namorar comigo?

Ela fica surpresa com o pedido e acaba deixando a pipoca cair,

MARTA – Mas é claro que eu aceito meu amor!

Os dois se beijam.

 

Cena 14 – Capital – Noite.

Elis parou o carro diante da casa de Daniel e o esperou chegar. Ele deu três batidas na janela do carro, ela sorriu e abriu a janela.

DANIEL – Você aqui?

ELIS – Eu precisava de um ombro amigo.

DANIEL – Posso entrar?

ELIS – Está aberta.

Ele entrou no carro e Silvia observava tudo da janela da sala.

SILVIA – O que essa vadia quer com o meu marido?

 

Cena 15 – Roseiral de Leônia – Noite.

Luciano entrou no roseiral onde trabalhava, ele ficou horas ali parado e pensativo. Selma o seguiu e surgiu em sua frente.

SELMA – Você está bem?

LUCIANO – É claro que não. Como você acha que eu deveria me sentir?

SELMA – Feliz?

LUCIANO – Você quer que eu seja feliz depois de tudo que me fez? Agora a Luana não quer me ver, disse na minha cara que não quer me ver nunca mais.

SELMA – Ela tem um proposito e eu tenho outro. Eu quero te ver feliz e ela não é mulher para um homem bom como você.

LUCIANO – Me deixa sozinho.

SELMA – Eu deixo sim, mas antes eu tenho que contar o que sua amada fez. Ela aceitou se casar com o Martin. Rápido em?

LUCIANO – A Luana o que?

 

Continua...

 

 

Capítulo 12 - Cada vez mais perto


Cena 01 – Casa de Laura – Noite.

Laura acabara de entrar em sua casa, ela desabafou no sofá da sala e suspirou aliviada.

- Agora eu tenho um problema a menos.

Fechou os olhos. Ela estava em um lugar abandonado e com uma arma em uma de suas mãos.

- Eu já matei uma vez e gostei muito da experiência! Disse Laura.

- Por favor, podemos conversar e resolver aqui mesmo. Suplicou Ana.

Laura sorriu e apertou o gatilho. Ela agora via seu reflexo o espelho que havia acima do minibar.

- Eu odeio gente burra. Ela soltou uma gargalhada.

 

Cena 02 – Rua – Noite.

Luciano estava voltando para a cidade e Selma o seguia. Ele não estava acreditando no que acabara de descobrir.

LUCIANO – Eu não acredito que ela fez isso.

SELMA – Olha para mim, olha para mim Luciano!

Ela parou de andar e ele olhou para trás.

LUCIANO – Você pode fazer o favor de me deixar em paz?

SELMA – Eu deixo, mas antes você vai me ouvir.

LUCIANO – O que?

SELMA – Eu poderia dizer a Luana que eu o beijei e a culpa não foi sua, mas o que ela iria fazer? Ela sinceramente iria rir. Ela iria sentir pena de você e sabe o por que? Ela vai se casar com o Martin por causa da fortuna que ele teme e você é um pobretão.

LUCIANO – A Luana não é uma interesseira. Você está mentindo.

SELMA – Como queira. Eu fiz a minha parte querido.

 

Cena 03 – Capital – Noite.

Daniel havia entrado e encontrou a esposa o esperando no sofá da sala.

DANIEL – Ainda acordada?

Ela levantou.

SILVIA – Posso saber o que estava fazendo com aquela mulher? Eu vi tudo.

DANIEL – Viu o que? Eu estava conversando com a Elis.

SILVIA – Você anda de muita conversinha com essa mulher.

DANIEL – Ela é minha amiga e coitada... Estava sofrendo pela distância de Otávio.

SILVIA – E agora ela quer pegar o meu homem? Eu não vou permitir.

DANIEL – Onde está a Camila? Vou dar um beijo na minha filha e dormir. Estou muito cansado.

Ele deixou a esposa sozinha e foi para o quarto.

 

Cena 04 – Quarto de Luana – Noite.

Chovia do lado de fora e ao fechar a janela de seu quarto, Luana olhou para o lado de fora e viu Luciano completamente encharcado.

- Você tem que sumir da minha vida para sempre.

Ela disse tão baixo que seria impossível ouvir com todo o barulho da chuva.

Ela fechou a cortina e apagou as luzes. Ele continuou parado do lado de fora.

 

Cena 05 – Casa de Laura – Dia.

Amanheceu. Laura acordou cedo. Selma também havia saído da cama.

SELMA – O que aconteceu para minha irmãzinha está acordada tão cedo?

LAURA – Eu dormi tão bem, sei que foi pouco, mas o suficiente para reforçar as minhas energias.

SELMA – Está sabendo que nossa irmãzinha vai mesmo se casar?

LAURA – Aquela tolinha vai mesmo dar o golpe?

SELMA – E eu ajudei, mas o beijo do Luciano valeu muito a pena.

LAURA – Eu não acredito que você ajudou a mamãe.

SELMA – Tenho que cuidar da minha parte. O Martin estava disponível e você não estava ai para ele.

LAURA – Eu agora só tenho olhos para o Ricky. E eu tenho a minha fortuna, não sou boba.

SELMA – E vai dar para viver a vida toda?

LAURA – Cuida da tua vida.

 

Cena 06 – Pensão – Dia.

Otávio estacionou sua moto em frente a pensão. O rapaz entrou e foi atendido pela dona do local, ele pagou adiantado e foi para o quarto. Fechou a porta com cuidado e deu uma rápida espiadela pela janela.

- Eu cheguei Leônia e pela recomendação do meu amigo Heitor... Eu tenho certeza que este lugar promete.

 

Cena 07 – Cachoeira – Dia.

Ricky e Marta estavam completamente apaixonados. Eles se beijam em meio a água cristalina da cachoeira da cidade.

MARTA – Este lugar é tão lindo e eu não conhecia.

RICKY – E ele agora é todo nosso!

MARTA – Você é fantástico.

Ela o beijou e depois bateu sobre a água molhando o seu rosto. Depois nadou até o outro lado.

RICKY – Cuidado, não sabemos a profundeza das águas.

MARTA – Eu não tenho medo.

RICKY – Eu te amo muito, Ana. Pode ter certeza disso!

Ela sorriu para ele completamente apaixonada.

MARTA – Eu também te amo.

 

Cena 08 – Rua – Dia.

Selma saiu da pensão e tentou com suas mãos cobrir os olhos para se proteger do sol. Laura a esperava do lado de fora.

LAURA – O que descobriu?

SELMA – A fofoqueira da dona da pensão me contou o que sabia. O seu Ricky parece está de namorico com a vaca da Ana.

LAURA – O que? Com aquela Maldita?

SELMA – O que pretende fazer?

LAURA – Eu vou acabar com a vida dessa cretina. E o nome dela não é Ana!

 

Cena 09 – Casa de Célia – Sala – Dia.

Luana sai do quarto e encontra a mãe a esperando na sala.

LUANA – Viu algum fantasma?

CÉLIA – Trouxe-lhe algumas revistas.

LUANA – Revistas?

Sua mãe apontou para a mesa de centro onde havia várias revistas de casamentos.

CÉLIA – Precisamos decidir sobre o seu vestido de noiva, o bufê.

LUANA – Eu não quero saber desses fricotes.

CÉLIA – Minha filha vai se casar e eu quero tudo que tem direito. Vestido branco e tudo!

LUANA – Onde está a minha filha? Eu já aceitei esse casamento e eu preciso saber.

CÉLIA – Só depois do casamento eu digo onde está a sua filha, só depois.

 

Cena 10 – Pensão – Tarde.

Marta retornou a pensão e encontrou um novo hospede no lugar. Otávio estava sentado na sala de visitas lendo um jornal, os dois trocaram olhares. Ele levantou e se aproximou dela.

MARTA – Deseja alguma coisa?

OTÁVIO – Uma informação? Conhece alguém que more nesta cidade e que se chama Laura?

MARTA – Laura? Não, não conheço. Sou nova aqui.

OTÁVIO – Obrigado. Eu não me apresentei, meu nome é Otávio.

MARTA – Certo.

Ela o deixou sozinho e foi para o quarto.

- O que será que esse cara quer com a vadia da Laura? Muito estranho.

Perguntou curiosa.

 

Cena 11 – Igreja – Fim de Tarde.

Martin caminhou em direção a igreja e Laura o seguiu. Ela o abordou na porta.

LAURA – Feliz Martin?

MARTIN – Laurinha.

Ele sorriu e ela lhe deu uns tapas no seu ombro.

LAURA – Soube que conseguiu o que tanto queria. Eu ainda não sei o que viu na sonsa da minha irmã.

MARTIN – O coração não escolhe quem a gente ama.

Laura desviou o olhar e viu Ricky entrando na pensão. Ela encarou o futuro cunhado.

LAURA – Realmente, não escolhemos e é por isso que conto com sua ajuda.

MARTIN – Agora? Eu tirei a tarde para marcar o casamento, hoje eu não posso.

LAURA – Eu irei te procurar.

Ela sorriu e foi embora.

 

Cena 12 – Praça – Noite.

Selma comprou um sorvete e Gabriel se aproximou da moça antes que ela pudesse provar um pedaço.

GABRIEL – Pode falar comigo?

SELMA – O que você quer?

GABRIEL – Eu estou com saudades suas.

SELMA – Eu nenhum pouco. Pode me deixar tomar o sorvete em paz?

GABRIEL – Verdade que não sente nada por mim?

SELMA – Você é tão chato. Eu vou falar a verdade, em breve estarei bem longe daqui e eu não quero que cative nenhum sentimento por mim.

GABRIEL – Mas eu já te amo.

SELMA – Então, isso é um problema só seu.

 

Cena 13 – Capital – Casa de Daniel – Noite.

Silvia coloca a janta de Camila e observa a janela constantemente.

CAMILA – Está esperando o papai?

SILVIA – Não é da sua conta sua peste. Coma em silêncio ou eu te prendo no quarto.

CAMILA – Não me prende não.

SILVIA – Tente criar caso comigo. Vou pegar mais um prato.

Ela sai da sala de jantar e Camila aproveita para fugir. A menina abre a porta e sai. Silvia retorna e não encontra a filha do marido.

 

Cena 14 – Casa de Martin – Noite.

Martin abre a porta para Luana e ela encontra duas taças e uma garrafa de vinho sob a mesa de centro.

LAURA – Eu vejo que você é muito provocador.

MARTIN – Eu sei como tratar uma mulher.

Os dois se beijam, o batom dela fica em seus lábios e ela limpa com o lenço.

LAURA – Preciso de sua ajuda, Martin.

MARTIN – O que quer que eu faça?

LAURA – Eu quero que me ajude a acabar com uma pessoa.

 

Cena 15 – Pensão – Noite.

Marta se arruma para sair com Ricky e ele o aguarda na sala de visitas.

MARTA – Eu quero saber direitinho o que aquele home é da Laura. Eu ainda vou arrancar muito dinheiro dessa vadia.

Batidas na porta.

- Já estou indo meu amor.

Otávio entra na pensão e esbarra em Ricky.

OTÁVIO – Você?

 

Continua...


Capítulo 13 - Encontro marcado


Cena 01 – Quarto de Martin – Noite.

 

Os lábios de Laura estavam sob os de Martin em um longo beijo. Ele segurava uma garrafa e ela uma taça em suas mãos. Ele mordeu um pedaço de suas orelhas e ela pareceu gostar.

MARTIN – Você é uma safada!

LAURA – Meu querido Martin. Eu lhe imploro que seja mais romântico.

Ela sorriu e ele arrancou sua blusa.

MARTIN – Eu não sou nada romântico.

LAURA – E como pretende se casar com a tola da minha irmã?

MARTIN – É diferente. Não toque no nome da Luana porque essa noite é apenas nossa.

Ela sorriu para ele.

LAURA – E sobre o nosso acordo?

MARTIN – Eu vou te ajudar, você sabe muito bem disso e você sabe bem como me pagar!

LAURA – Eu preciso de provas. Eu tenho que revelar para todos que aquela vadia é uma criminosa.

MARTIN – Esqueça um pouco isso agora e eu prometo que amanhã cuido disso.

Ele colocou sua boca nos seios de Laura e ela suspirou de desejo.

 

Cena 02 – Pensão – Noite.

 

“O que o destino nos reserva? Eu não saberia responder essa pergunta, nem ninguém.” Pensou Ricky

O anjo estava frente a frente com Otávio. O jovem que fora enganado por uma mulher e que estava em sua busca constante.

RICKY – O que está fazendo aqui?

OTÁVIO – Fico feliz em revê-lo. Lembra que eu te disse que iria atrás da mulher que me deixou na lama?

RICKY – Eu lembro. E o que pretende com isso?

OTÁVIO – Eu ainda não sei, justiça? Eu quero que ela devolva tudo que me levou.

Marta saiu de seu quarto e ainda ajeitava o brinco de sua orelha.

MARTA -Estou pronta amor!

Os rapazes olharam para ela.

RICKY – Está maravilhosa. Você não acredita no que me aconteceu...

MARTA – O que aconteceu?

RICKY – O Otávio. Um velho amigo que acaba de reencontrar.

Otávio sorriu e Marta o encarou surpresa.

MARTA – Vocês dois se conheciam?

Dessa vez Ricky sorriu e olhou para o amigo.

OTÁVIO – Pois é, um dia tive a oportunidade de conhece-lo.

 

Cena 03 – Casa de Laura – Dia.

Laura chegava em sua casa pela manhã. Selma já estava acordada e comia algo preparado por ela mesma. Sua irmã fechou a porta e jogou a bolsa em algum lugar da sala.

LAURA – O que está fazendo acordada uma hora dessas?

SELMA – Não consegui dormir e resolvi preparar algo para comer.

Laura arrancou os saltos e deitou no sofá.

LAURA – Estou morta de cansada. O Martin sabe bem como acabar com uma mulher.

Selma encarou por um momento a irmã.

- Que foi? Perguntou Laura.

SELMA – Eu estive pensando em algumas coisas que eu já fiz nesta vida. Você não se arrepende de todo mal que já fez?

LAURA – Você está drogada?

SELMA – Não. Eu acho que estou abrindo os meus olhos.

LAURA – Não venha bancar a Madalena arrependida para cima de mim.

SELMA – Você matou o Heitor friamente.

Laura fitou a irmã no mesmo momento.

LAURA – Nós matamos o Heitor.

Ela apontou o dedo para a irmã.

SELMA – Não precisava ter matado ninguém, era só ter levado o dinheiro dele.

LAURA – Eu matei porque quis. Eu precisava treinar minhas habilidades e ter a certeza de que realmente sou boa no que faço.

SELMA – Eu não quero ser como você.

 

Cena 04 – Quarto de Marta – Dia.

 

Marta parece pensativa e seus olhos estão completamente fixados sob o teto de seu quarto.

“O Otávio está atrás de uma mulher que lhe deu um golpe? Quem seria essa mulher?”. Perguntou a se mesmo.

Ricky e Marta estavam em um lugar tranquilo. As estrelas se destacavam como sempre no céu e os dois estavam de mãos dados.

MARTA – Eu fico feliz por você ter encontrado um amigo.

RICKY – Pobre Otávio. Ele se apaixonou por uma mulher e essa o roubou deixando completamente sem nada e agora ele está atrás dela.

A imagem de Otávio, então vem em sua mente.

OTÁVIO - Conhece alguém que more nesta cidade e que se chama Laura?

Marta levanta da cama e sorri inesperada.

MARTA – Então, só pode ser isso. O Otávio procurava a Laura e a vadia que roubou todo o dinheiro dele. Bingo, isso pode me ajudar bastante!

 

Cena 05 – Casa de Célia – Quarto – Dia.

Luana acorda e olha para sua mãe segurando uma bandeja com café da manhã e com um sorriso na voz.

CÉLIA – Bom dia, meu amor!

LUANA – Mamãe?

Célia põe com cuidado a bandeja sob a cama.

CÉLIA – Eu fiz com amor e carinho para a minha filha predileta.

LUANA – A senhora nunca fez um café da manhã desses para mim. Qual motivo disso agora?

CÉLIA – Seu casamento se aproxima e deve ficar muito saudável.

LUANA – Eu estou muito bem.

Ela sai da cama e ignora o café da manhã.

CÉLIA – Saiba que eu quero apenas o seu bem.

LUANA – Se quisesse o meu bem, a senhora diria onde está a minha filha.

CÉLIA – Não me venha com esse assunto agora, tudo no seu tempo.

 

 

Cena 06 – Casa de Martin – Tarde.

Martin abre a porta e Laura entra. Ele olha para a rua e depois fecha a porta.

LAURA – Como foi?

MARTIN – Eu já fiz os meus contatos. Eu confesso que estou curioso de como você chegou a conclusão que a mulher que se identifica como Ana se chama Marta.

LAURA – Uma longa história, mas não devemos entrar em detalhes.

MARTIN – Que detalhes Laura? O que está me escondendo?

LAURA – Só posso dizer que aquela mulher é uma falsa.

MARTIN – E o que ganha com tudo isso?

LAURA – O Ricky. Ele é o homem que eu amo.

Ele ri da revelação de Laura e enche seu copo de Uísque.

MARTIN – Eu deveria levar a sério sobre o que me disse?

LAURA – Evidentemente.

 

Cena 07 – Rua – Tarde.

Luana saiu distraída de sua casa e caminhou lentamente nas ruas de Leônia. O sol estava se pondo e a certeza de que estava anoitecendo veio logo ao olhar o céu já escuro, ouviu alguns passos e ao olhar era Luciano.

LUCIANO – Eu preciso falar com você!

LUANA – Não temos mais nada a conversar, Luciano!

LUCIANO – É mesmo verdade que vai se casar com aquele cara?

LUANA – Eu não lhe devo satisfações!

Ele baixa a cabeça e ela tenta disfarçar sua queda por ele.

LUCIANO – Então, a Selma estava certa?

LUANA – Certa de que?

Ele franziu a testa e tentou desviar o olhar, mas acabou fitando a amada ali mesmo.

LUCIANO – Está se casando por dinheiro, eu não pensei que fosse assim desse jeito!

LUANA – Eu não vou nem te responder!

Ela vai embora deixando-o sozinho.

 

Três dias depois...

 

Cena 08 – Pensão – Quarto de Otávio – Dia.

Alguém bate três vezes na porta do quarto e empurra um envelope por baixo da porta. Otávio terminara de escovar os dentes e percebeu o papel branco no chão, ele pegou rapidamente.

- O que será isso?

Ele rasgou o envelope e leu o conteúdo.

 

Cena 09 – Casa de Martin – Sala – Dia.

Martin abre a porta sorridente para Laura que entra logo em seguida. Ela larga a bolsa sobre a mesinha de centro e senta cruzando as pernas.

LAURA – Eu quero novidades!

MARTIN – Calma, gatinha!

LAURA – Eu tenho pressa meu bem, preciso livrar-me daquela mulher o mais rápido possível.

MARTIN – Tudo isso por amor?

LAURA – O que o amor não faz né?

MARTIN – Então, dê um sumiço nessa moça, faça ela evaporar, simplesmente isso.

LAURA – Eu não sou uma assassina, meu querido!

Ela sorriu e fitou o amante. Ele passou a mão em sua perna e sorriu.

MARTIN – O que me pediu deve chegar em poucos dias.

LAURA – Perfeito!

Ela começa a bater palmas vibrando com a notícia.

 

 

Cena 10 – Casa de Martin – Dia.

Luana se aproxima da casa do noivo e bate na porta. Martin e Laura na sala percebem a visita inesperada da moça.

LAURA – Eu não acredito! É a minha querida irmã?

MARTIN – Eu não marquei nada com ela, mas você precisa se esconder.

LAURA – Eu não vou me esconder!

MARTIN – Ah, vai sim ou eu não lhe ajudo com os seus probleminhas.

LAURA – Isso é chantagem!

MARTIN – Pela porta de trás!

LAURA – Eu te odeio, Martin!

Ela pega a bolsa e sai pelos fundos. Martin se dirige a porta e com um sorriso no rosto abre para a noiva Luana.

LUANA – Estava ocupado?

MARTIN – Imagina, eu nunca estou ocupado para você.

 

Cena 11 – Casa de Manu – Dia.

Um caminhão descarrega a mudança de Manu em frente a sua casa. Ela tenta com cuidado levar as caixas para seu apartamento e quase tropeça. Luciano ri diante dela.

MANU – Do que está rindo?

LUCIANO – Desculpe!

MANU – Eu desculpo se me ajudar com essas caixas, mas muito cuidado, são bem sensíveis!

Ela sorriu e ele pegou uma das caixas. Os dois subiram a escada e ele devolveu a caixa ao chão.

LUCIANO – Nova por aqui?

MANU – É o que me parece, na verdade não sei muito bem o que vim fazer aqui, talvez eu deva encontrar alguns motivos para ficar, obrigada pela ajuda.

Ela sorriu e ele retribuiu.

 

Cena 12 – Pensão – Quarto de Marta – Dia.

Ricky esperava deitado na cama, enquanto Marta se arrumava. Ele folheava o livro de cabeceira e ela terminava de passar o batom.

MARTA – Soube que estão definindo os candidatos para prefeito da cidade?

RICKY – E desde quando se interessa por política?

MARTA – Deveria se candidatar, eu acho.

RICKY – Não é bem isso o que eu quero, meu amor!

MARTA – Você às vezes me soa tão misterioso, tem alguma coisa que queira me contar?

RICKY – Eu não, você tem alguma?

Ela ficou séria e voltou ao toalete.

 

Cena 14 – Casa de Martin – Dia.

Luana estava diante de seu futuro marido, ele estava em pé diante dela aguardando o motivo da visita vir à tona.

LUANA – Eu aceitei o seu pedido de casamento e...

MARTIN – Está pensando em desistir?

Ela olhou para ele.

LUANA – Não é isso, é outra coisa. É algo que precisa saber antes de se casar comigo.

MARTIN – O que meu amor?

LUANA – Eu tenho uma filha!

MARTIN – Que?

 

Cena 15 – Ponte de Leônia – Tarde.

Otávio olhava para o relógio a cada dois segundos, parecia esperar alguém, olhava para os lados constantemente, então meteu a mão sob o bolso e retirou o envelope.

OTÁVIO – Quem será que me escreveu?

Era possível ouvir passos se aproximando e pisando na madeira da ponte, então ao olhar teve uma inesperada surpresa. – Você?

 

Continua...

 

 

Capítulo 14 - Te encontrei


Cena 01 – Ponte de Leônia – Tarde.

Otávio olhava para o relógio a cada dois segundos, parecia esperar alguém, olhava para os lados constantemente, então meteu a mão sob o bolso e retirou o envelope.

OTÁVIO – Quem será que me escreveu?

Era possível ouvir passos se aproximando e pisando na madeira da ponte, então ao olhar teve uma inesperada surpresa. – Você?

MARTA – Eu mesma, mas eu garanto que não irá se arrepender!

Ela sorriu para o rapaz e ele olhou diretamente para o horizonte.

OTÁVIO – Então, no que pode me ajudar?

MARTA – Eu acredito que temos algum em comum, o destino te colocou no meu caminho e isso só pode representar uma coisa...

OTÁVIO – Representar o que?

Ele a cortou e fitou diretamente seus olhos.

MARTA – Uma aliança!

OTÁVIO – Eu nem sei se devo confiar em você, imagina ter uma aliança, seja mais direta.

MARTA – Eu sei que você quer se vingar da Laura, eu não suporto aquela mulher e eu quero ajuda-lo no que precisar, ela tem que pagar por seus crimes.

OTÁVIO – Quais crimes?

MARTA – Quando eu cheguei nesta cidade, eu acabei vendo algo muito estranho, a Laura havia cavado um buraco e isso me pareceu que era para esconder um corpo...

OTÁVIO – Um corpo?

MARTA – Eu tenho certeza que a Laura matou um homem e pelo que investiguei, tudo indica que o sujeito se chamava Heitor.

Ele olhou sério para a mulher após ouvir a suspeita.

 

 

Cena 02 – Igreja – Tarde.

Luana havia ajoelhado sobre o altar, fechou os olhos e começou a orar pela filha.

- Meu deus, eu te imploro por mais que tudo nesta vida, traga a minha filha de volta.

Camila estava dormindo no berço e seus olhos brilhavam, o amor transbordava de dentro de seu coração. Daniel estava por perto e sorriu para a esposa.

DANIEL - Ela é realmente linda e parecida com a mãe.

LUANA – Sim, ela é muito linda, meu...

Ele beijou seu rosto e saiu do quarto. Luana levantou-se e percebeu que não estava mais sozinha na igreja, enxugou as lágrimas e saiu em silêncio.

 

Cena 03 – Casa de Martin – Tarde.

Martin observava a rua pela janela e viu Célia se aproximando, quando a mãe de sua noiva levantou a mão para bater na porta, ele já havia aberto.

CÉLIA – O que houve? Recebi seu bilhete dizendo que era urgente.

Ela entra e ele fecha a porta com força.

MARTIN – Mentiu que a Luana tinha uma filha?

CÉLIA – Filha? Como ficou sabendo?

MARTIN – Em nenhum momento eu imaginei que a Luana tinha uma filha.

CÉLIA – Isso é um assunto do passado, não tinha importância, aliás, não há importância, a menina está bem longe daqui.

MARTIN – E por qual motivo quer ver tanto a sua neta longe daqui?

CÉLIA – Eu sei o que é melhor para a minha filha.

MARTIN – Então, se é verdade mesmo que ela está muito longe, espero que fique por lá, pois eu pretendo morar muito longe daqui com a minha esposa.

CÉLIA – Vai viajar?

MARTIN – Eu sei o que é bom para mim e minha mulher.

 

Cena 04 – Apartamento de Laura – Noite.

Laura abre a porta e encontra Ricky do lado de fora, ela sorri e o deixa entrar.

RICKY – Laura, o que pretende com tudo isso?

LAURA – Eu pretendo jantar com você, é isso querido, apenas isso.

Ela sorriu e fechou a porta com cuidado. Ele tropeçou, mas não chegou a cair.

RICKY – Acontece!

Ela sorriu e ele desviou o olhar para um quadro que estava pendurado na parede da sala. Laura pegou a garrafa de vinho e encheu duas taças, ela ligou o rádio e tocava “Wherever Will You Go”.

LAURA – Quando escuto essa música, eu me sinto uma adolescente bobona e apaixonada.

Ela entrega a taça nas mãos dele e toma um pouco do vinho. Os lábios se destacam com um batom vermelho, ele coloca a taça sobre a mesa de centro e ela também, após deixar as mãos livre, ela se aproxima do rapaz e o beija.

RICKY – Isso não é certo.

LAURA – Eu te amo infinitamente, eu te quero ao meu lado e você não percebe?

Ele desviou o rosto e ela ficou desapontada.

RICKY – Eu não posso te amar...

LAURA – Está apaixonado por outra pessoa? Não pode ser, não há outra pessoa mais linda do que eu nesta cidade infame, estou aqui pronta para te amar até o fim da minha vida.

Uma lágrima escorreu de seus olhos e Ricky enxugou com um de seus dedos.

RICKY – Um dia encontrará a resposta para tudo.

 

Cena 05 – Praça – Noite.

O pipoqueiro entregou um saco de pipoca nas mãos de Manu e ela retribuiu com um sorriso. Luciano abriu a carteira e pagou ao homem.

MANU – Não deveria gastar seu dinheiro comigo.

LUCIANO – É só uma pipoca!

Os dois trocaram lindos e apaixonados sorrisos.

MANU – Está praça é sempre movimentada assim? Parece que tudo acontece neste lugar.

Selma estava atrás de um arbusto e tentava ouvir a conversa entre os dois.

SELMA – Quem será essa piranhuda com o Luciano?

Ela mordeu os lábios de curiosidade e depois foi embora.

 

Cena 06 – Rua – Noite.

Ricky havia ido embora da casa de Laura, ele caminhava nas ruas da cidade e o céu estava mais estrelado do que nunca. Ele pode sentir a brisa mais intensa nesse momento e olhou para trás diretamente na janela do apartamento da moça que tentara seduzi-lo.

- Que sensação ruim, o que essa mulher carrega dentro de se mesma?

 

Cena 07 – Amanheceu – Casa de Célia.

Laura entrou no quarto da irmã e abriu as cortinas despertando Luana no mesmo momento.

LUANA – Laura? O que pensa que está fazendo?

LAURA – Acordando você para a vida.

Ela teve os lençóis da cama arrancados pela irmã e foi obrigada a levantar.

LUANA – Para com isso, o que quer de mim? Eu não tenho nada para lhe oferecer.

LAURA – Eu quero te ajudar, sua boba!

LUANA – Ajudar em que? Você nunca me ajudou.

Ela sorriu para a irmã mais velha e pegou um espelho para que a irmã visse o próprio rosto.

LAURA – Olhe você mesma!

LUANA – O que você quer?

LAURA – O casamento da minha irmã mais querida está se aproximando, ele ultimamente está um trapo e eu me vejo na obrigação de ajudar.

LUANA – Não preciso de sua ajuda!

LAURA – Eu irei ajudar você de qualquer jeito porque eu posso ajuda-la a encontrar o paradeiro da sua filhinha.

Luana fitou a irmã no mesmo momento.

 

Cena 08 – Capital – Rua – Dia.

O sol parecia ter sumido e a chuva caia lentamente até ficar extremamente forte. Daniel tentava se proteger da chuva, Elis o viu no mesmo instante e correu com sua sombrinha para ajuda-lo.

DANIEL – Elis?

ELIS – Uma chuva inesperada.

DANIEL – Eu sou um apreciador dessas gotas que caem lindamente sobre a terra.

Eles caminham pela calçada da cidade.

ELIS – Eu tenho uma grande admiração por uma chuva, mas sou daquelas que preferem ficar em casa, tomando um chocolate quente, ouvindo um bom Jazz, eu sou um pouco romântica.

DANIEL – Eu estou vendo.

Ele sorriu e ela retribuiu. O vento ficou mais forte e a sombrinha foi arrancada brutalmente de suas mãos. Elis teve o seu cabelo molhada e Daniel conseguiu recuperar sua proteção, os dois se olharam e com a chuva caindo sobre eles, aconteceu um beijo.

ELIS – Não, me desculpe, isso não poderia ter acontecido.

Ela vai embora após o acontecido e o deixa sozinho.

DANIEL – Elis!

 

Cena 09 – Casa de Célia – Sala.

Laura vê alguns envelopes sobre a mesa de centro e rapidamente recolhe a que veio no nome de Daniel.

- Eu só podia ter mesmo uma irmã tonta, como ela não vê essas cartas que chegam para a mamãe?

Ela sorri e guarda a carta.

 

Cena 10 – Rua – Dia.

Laura fechou a porta e saiu pelas ruas de Leônia.

- O que me deixa mais curiosa é não saber por qual motivo a mamãe esconde o paradeiro da filha da Luana. O que será que aconteceu?

Ela escorregou e um homem ofereceu ajuda. Ela segurou em sua mão e ficou de pé com cuidado.

- Obrigada. Respondeu ela.

- Tudo bem com você? Eu estava morrendo de saudades, Laura!

Ela fitou o rapaz e percebeu que se tratava de Otávio.

 

Continua...

 

Capítulo 15 - Ficha criminal


Cena 01 – Rua – Dia.

Laura estava diante do homem que um dia o enganou e lhe roubou tudo. Ele sorriu após ajuda-la e suas palavras soavam como um eco na cabeça da moça.

- Eu estava morrendo de saudades, Laura... Morrendo de saudades, morrendo de saudades!

Ela desviou o olhar e retornou novamente para ele.

- Posso saber como sabe o meu nome?

- Não lembra de mim?

- Eu não te conheço rapaz e também não me recordo em ter me apresentado anteriormente.

- Quem não conhece a Laura?

- Quer dizer que sou popular assim? Eu não esperava tanto.

- Realmente você é bem popular.

- Eu tenho que ir agora.

- Espera!

- Você ainda quer eu diga obrigada? Eu não te conheço.

Ela sai apressada deixando-o sozinho. Laura entra apressada em seu apartamento e fecha a porta. Selma apareceu na hora e viu a irmã assustada.

- O que aconteceu?

- Eu acho que vi alguém que eu não deveria, não pode ser, como que ele me encontrou aqui?

 

Cena 02 – Casa de Célia – Dia.

Célia separava as contas de casa no momento em que Luana se aproximava em silêncio. Os papéis caíram no chão e as duas se fitaram.

CÉLIA – Que cara é essa?

LUANA – Eu queria que a senhora fosse um pouco sincera comigo.

CÉLIA – Mas eu sou, minha filha, sabe que é a minha predileta.

Ela apanhou as contas e colocou sob a mesa de centro.

LUANA – Então, onde está a minha filha? Eu sou mãe e preciso saber.

CÉLIA – Está com o Pai e sabe muito bem disso.

LUANA – Eu estou começando a acreditar que tudo isso, tudo de ruim que me aconteceu foi culpa da senhora.

CÉLIA – Eu não tenho culpa que o seu marido foi embora com a sua filha.

 

Cena 03 – Casa de Martin – Tarde.

Martin abre uma garrafa de champanhe em prol de sua comemoração e Laura vibra com a animação do amigo.

LAURA – Posso saber o motivo de tanta animação?

MARTIN – Eu estou muito feliz, não só com o casamento com a sua irmã, mas agora eu sou candidato a prefeito desta cidade.

LAURA – Não me diga!

Ela pegou uma taça, os dois brindaram e logo se beijaram.

MARTIN – Você não se incomoda de não ser a primeira dama?

LAURA – Eu não tenho interesse em você, Martin!

MARTIN – Como você é direta!

LAURA – Meu coração pertence a outro e você sabe muito bem disso, mas isso não impede o nosso relacionamento.

MARTIN – Jamais!

 

 

Cena 04 – Cachoeira de Leônia – Tarde.

Luciano e Manu se beijavam, os olhos da moça brilhavam e ele sorriu completamente encantado.

MANU – Eu ainda não sei se isso deveria ter acontecido.

LUCIANO – Não gostou?

MANU – A verdade é que amei, eu amei demais, só não quero me decepcionar depois, eu estou gostando de você.

Ele a calou com mais um beijo.

 

Cena 05 – Galpão Abandonado – Tarde.

Marta entra discretamente no local, ela olha para todos os lados sem que possa ser vista, o lugar está escuro e as luzes de fora entram pelas janelas quebradas, então ela se depara com Otávio.

MARTA – Eu não gosto deste lugar!

OTÁVIO – Eu não queria ser visto na pensão, eu encontrei a Laura e ela simplesmente disse que não sabia quem sou eu.

MARTA – Ela não lembra? Só pode estar fingindo!

OTÁVIO – A minha vontade era esganá-la ali mesmo, usar toda a minha força, mas eu quero o que ela me roubou.

MARTA – É só isso mesmo que você quer? Você foi tão burro em deixar que ela levasse todo seu dinheiro.

OTÁVIO – Eu acreditei nela. Uma das piores coisas do mundo é você se apaixonar por alguém que não vale nada.

MARTA – Eu estou do seu lado e juntos...

OTÁVIO - ... Vamos acabar com a Laura!

 

Cena 06 – Casa de Martin – Noite.

Laura sai da cama de Martin e começa a colocar suas roupas. Ele agarra a moça por trás e ela se afasta.

MARTIN – Fique mais um pouco!

LAURA – Não posso.

Ele levanta, abre uma gaveta e entrega uma pasta de documentos.

MARTIN – Eu já ia me esquecendo.

LAURA – Não acredito.

Ela tomou os papeis de suas mãos e começou a ler.

MARTIN – Sua amiguinha tem uma ficha e tanto.

LAURA – Era tudo que eu precisava para destruir aquela vadia.

 

Cena 07 – Pensão – Noite.

Geruza aparece na sala e encontra Ricky passando mal. Ela ajuda o rapaz a se sentar na mesa.

GERUZA – Você está bem?

RICKY – Só um pouco de dor de cabeça, mas vou ficar bem, tenho certeza.

A dona da pensão olhou apreensiva para ele e sorriu em seguida.

GERUZA – Vou lhe fazer um chá e logo ficará bom!

RICKY – Obrigado!

 

Cena 08 – Casa de Célia – Quarto de Luana – Noite.

A costureira havia chegado com suas caixas com vestidos para prova e percebeu que o olhar da noiva não era o mais alegre, ela não disse nada, abriu a caixa e pegou um modelo.

LUANA – Está ficando tarde e eu dando trabalho para a senhora.

COSTUREIRA – Imagina, este é o meu trabalho e amo o que faço.

LUANA – Obrigada!

COSTUREIRA – Este é o mais lindo modelo que já fiz em toda minha vida e você é uma das noivas mais linda.

Lady Marly ajudou a cliente com a prova do vestido, poucos minutos já era possível ver o resultado.

LUANA – Realmente é um vestido lindo, Lady Marly!

COSTUREIRA – A noiva também!

Célia entra no quarto sorridente e segurando uma bandeja com chá e torrada.

CÉLIA – Luana, quanto orgulho vê-la assim, tão bonita.

COSTUREIRA – Tem uma filha realmente muito linda!

CÉLIA – Chá com torrada?

Os pensamentos de Luana fugiram consigo mesma e ela não estava mais ali entre as duas mulheres mais velhas.

 

Cena 09 – Casa de Manu – Noite.

Manu abre a porta ao ouvir as batidas e Selma entra sem ser convidada.

MANU – Pode me dizer o que é isso?

SELMA – Eu só tenho um recado para te dar, querida.

MANU – Que recado?

A irmã de Laura aponta o dedo para a mais nova habitante da cidade.

SELMA – Fique bem longe do Luciano, quando eu falo que é longe, é longe mesmo.

MANU – Quem pensa que é? Fora da minha casa.

Ela aponta o dedo para a saída.

SELMA – O recado está dado.

 

Cena 10 – Apartamento de Laura – Noite.

Laura chega deixando os sapatos pelo meio da casa e deita em sua cama. Ela abre o envelope com o histórico de Marta e ri sozinha.

- Você está em minhas mãos e é tão incrível a sensação de estar tão perto de acabar com você.

Ela apaga a luz do abajur.

 

Cena 11 – Capital – Casa de Daniel.

Silvia veste sua camisola, enquanto o marido escova os dentes no toalete, ela deita na cama e ele ao chegar deita ao lado em silêncio.

SILVIA – Eu pensei que fosse me encher de beijos.

DANIEL – Hoje não!

O rosto de Elis veio em sua mente, ele havia fechado os olhos e a lembrança do beijo era constante.

SILVIA – O que está acontecendo? Daniel?

Ele abriu os olhos e fitou a esposa.

DANIEL – Eu só quero dormir.

SILVIA – Você está diferente.

Ele senta na cama e a encara.

DANIEL – Precisamos conversar, mas não agora.

SILVIA – Conversar?

DANIEL – Eu estou morrendo de sono e tudo que eu mais quero é dormir agora!

 

Cena 12 – Casa de Elisa – Noite.

Era possível olhar a rua através da janela, estava chovendo mais uma vez e Elis parecia pensativa. Ela segurava uma xícara de chocolate, ela encostou sua cabeça na poltrona e pensou em Daniel.

- Eu queria só mais uma chance de poder beijá-lo, meu deus, como pensar em uma coisa dessas? Ele é casado. Eu tenho que tirá-lo da minha cabeça e já!

 

Cena 13 – Praça – Noite.

Gabriel aparece diante de Selma e ela tenta fugir do rapaz, mas sem sucesso, ele lhe agarra seu braço e não a deixa escapar.

GABRIEL – Preciso falar com você.

SELMA – O que você quer de mim? Não temos nada para falar.

GABRIEL – Você sabe que eu gosto de você.

SELMA – Eu sou uma pessoa ruim e por mais que eu goste de você, não posso deixar nada mais acontecer entre nós.

GABRIEL – Você não é uma pessoa ruim, Selma... E eu te amo.

Ela começa a chorar diante do rapaz e ele a abraça.

SELMA – Eu preciso corrigir os meus erros.

GABRIEL – Estou aqui do seu lado para dar toda a força que você precisar.

 

Cena 14 – Galpão Abandonado – Noite.

Otávio mostra a Marta que possui uma arma, ela segura o objeto em suas mãos e observa cada detalhe.

MARTA – Você teria coragem?

OTÁVIO – Tem algo que eu não contei ainda.

MARTA – O que você ainda não contou?

OTÁVIO – O Heitor era meu irmão e se esta víbora realmente o matou, não posso deixar que ela saia impune.

MARTA – E se você for pego? Não queira passar o resto de sua vida atrás das grades.

OTÁVIO – Eu quero acabar com essa mulher que destruiu a minha vida e a do meu irmão.

MARTA – Ela não destruiu a sua vida, magoou o seu coração, ela destruiu a vida do seu irmão, infelizmente isso é verdade.

OTÁVIO – Eu farei justiça com minhas próprias mãos se eu tiver a oportunidade.

 

Cena 15 – Pensão – Dia.

Laura se aproxima da pensão e logo é surpreendida pela presença de Geruza. A velha abre a porta com uma certa curiosidade devido a visita inesperada.

LAURA – Como vai dona Gerusa?

GERUZA – Vou bem, mas a que devo uma visita a essa hora da manhã?

LAURA – Você nem imagina, mas o motivo da minha inesperada visita está em minhas mãos.

GERUZA – Que papeis são esses?

LAURA – Posso entrar?

O rosto curioso da velha congelou de curiosidade.

 

Continua...

 

Capítulo 16 - É a sua verdade sobre mim


Cena 01 – Pensão – Dia.

 

Dona Geruza ficou completamente curiosa com a presença inesperada de Laura. As duas entraram e a dona da pensão levou a visita até a sala.

GERUZA – Sente-se, por favor!

LAURA – Eu pretendo ser rápida e objetiva. E eu nem morta vou sentar nisso ai.

GERUZA – Minha querida, mas eu cuido da minha pensão com muito esmero e ela é limpinha.

LAURA – Onde está a Marta?

GERUZA – Marta? Mas quem é Marta?

Laura sorri e deixa a senhora confusa. A jovem abre sua bolsa e entrega um envelope com informações para a mulher.

LAURA – Eu se fosse a senhora, eu procuraria saber quem são as pessoas que hospedamos em nossos estabelecimentos, pessoas são perigosas e intragáveis.

GERUZA – O que a moça quer dizer?

LAURA – Leia atentamente!

A senhora abre o envelope e vê a foto de uma mulher ruiva onde consta informações sobre sua prisão.

GERUZA – Eu conheço essa mulher, mas é a Ana!

LAURA – Ana ou Marta? Espera, Marta Assassina.

GERUZA – Ela matou uma pessoa?

LAURA – Está tudo ai no papel, eu não tenho mais nada para fazer aqui, adeus!

Laura sai deixando a senhora só.

 

Cena 02 – Pensão – Quarto de Marta – Dia.

Geruza anda depressa para o quarto de sua cliente e bate desesperadamente. Marta escovava seus dentes e foi abrir a porta.

MARTA – O que aconteceu para bater como uma desesperada uma hora dessas no meu quarto? Eu paguei a diária.

GERUZA – Muito sonsa você.

MARTA – O que disse?

A senhora mostrou os documentos para a ruiva e no mesmo instante desconfiou que foi descoberta.

GERUZA – Marta de Assis!  Então, Pode me explicar isso?

MARTA – Eu não sei o que lhe disseram, mas é tudo conspiração contra a minha pessoa.

GERUZA – Meu deus! Eu pus uma bandida dentro da minha pensão e essa ordinária ainda mente o nome, isso é crime.

MARTA – Eu não menti o nome, eu realmente me chamo Marta, mas eu não queria que o passado fizesse parte do meu presente, eu só queria ser outra pessoa, uma nova mulher e eu nunca matei ninguém.

GERUZA – Não é o que diz aqui, bem, o que me parece é que vai ter que arrumar outro lugar para ficar ou eu chamo a polícia.

MARTA – Mas eu pago as contas em dia.

GERUZA – 30 minutos para arrumar a sua trouxa.

 

 

Cena 03 – Rua – Frente  da Pensão – Dia.

Marta sai da pensão e Dona Gerusa vai até a porta e grita para a mulher.

GERUSA – Não ouse por os seus pés imundos no meu estabelecimento!

Marta sorri e mostra uma banana com os braços para a mulher. Otávio vai atrás de Marta e lhe puxa pelo braço.

OTÁVIO – Então, tudo que ela disse era verdade?

MARTA – De qual verdade você está falando?

OTÁVIO – Eu só quero que seja sincera comigo, nós tínhamos ou temos um acordo.

A ruiva ri.

MARTA – Eu ser sincera? Eu fui sincera, eu omiti algumas informações, essas que nunca foram necessárias em fazer qualquer comentário, eu fui presa sim, mas não porque matei alguém, eu sou inocente, mas tem aquela coisa né, na prisão todos são inocentes. E eu não me chamo Ana, este nunca foi o meu nome, eu só sei que agora eu tenho que arrumar um lugar novo para ficar.

 

Cena 04 – Pensão – Quarto de Marta – Dia.

Ricky sai de seu quarto e bate três vezes no quarto da ruiva.

- Ana, você está aí?

Ninguém respondeu e ele retornou para o quarto.

 

Cena 05 – Rua – Frente do Apart. De Laura – Dia.

Marta se aproxima da residência de Laura e observa a janela.

- Eu tenho certeza que tudo isso que me aconteceu tem um dedinho da vaca da Laura e se ela acha que vai ficar assim, pode apostar que não vai.

Marta ri diabolicamente.

 

Cena 06 – Estrada - Motel Três Estrelas – Tarde.

Laura usa uma roupa de Mulher-Gato e com a força dos pés abre a porta do toalete que dá para o quarto surpreendendo Martin que estava deitado na cama.

MARTIN – Uau!

Ele suspirou pela surpresa da amante e ela com uma das mãos lhe deu uma chicotada.

LAURA – Eu sou a sua gatinha. Miau!! Miau!!

MARTIN – Você está me provocando e eu estou prestes a me casar, não devia fazer isso comigo.

LAURA – Hoje eu tenho motivos suficientes para te dar muito prazer e eu quero conhecer cada lugar desse seu corpo gostoso.

Ele agarrou a mulher vestida de gato e jogou na cama. Era possível ouvir os gemidos do lado de fora.

MARTIN – Você me excita tanto, tanto que...

LAURA – ...Arranca logo a minha roupa.

 

Cena 07 – Igreja – Tarde.

Ricky e Otávio entram em uma igreja. Não há ninguém ali dentro além dos dois rapazes que se sentam em um banco.

RICKY – Porque me trouxe aqui na igreja?

OTÁVIO – Meu amigo, eu quis aqui por ser um lugar mais tranquilo para se conversar tranquilamente.

RICKY – Então, conte-me logo o que tem a dizer.

OTÁVIO – Eu quero falar sobre a Marta, desculpe, sobre a Ana.

RICKY – Aconteceu alguma coisa com a Ana? Eu a procurei hoje cedo e ela não estava.

OTÁVIO – Dona Geruza expulsou a Ana da pensão.

RICKY – E por qual motivo? Tenho que saber onde a Ana está, ela está precisando de ajuda e não tem onde ficar.

OTÁVIO – Calma, meu amigo! Eu vou te contar tudo.

RICKY – Conte logo!

OTÁVIO – A Ana esteve mentindo esse tempo todo em quem se dizia ser, ela nunca se chamou por esse nome, seu nome verdadeiro é Marta.

Então, Otávio contou toda a história para o amigo Ricky. O anjo estava dentro da casa de Deus e ainda não sabia quem realmente era.

 

Cena 09 – Capital – Casa de Daniel – Tarde.

Daniel chega do trabalho e encontra a mesa organizada com o almoço preparado especialmente por Silvia.

SILVIA – Oi meu amor!

Ela deu um leve beijo em sua testa e puxou uma cadeira para ele.

DANIEL – O que é isso?

SILVIA – Eu que preparei em especial para você, meu lindo marido.

Ela sorriu com uma suposta animação, mas ele não parecia nada animado.

DANIEL – Precisamos conversar!

 

Cena 10 – Cachoeira - Rua – Tarde.

Marta estava sentada em uma das pedras e molhava seus pés com a água corrente. O sol ainda brilhava por ali e Ricky se aproximou da ruiva. Ela percebeu a presença do rapaz.

MARTA – Ricky?

RICKY – Precisamos conversar, eu preciso saber a verdade olhando nos seus olhos, Marta?

MARTA – Então, já sabe de tudo?

RICKY – Eu preciso saber da verdade da sua boca.

 

Continua...

Capítulo 17 - Diante da verdade


Cena 01 – Cachoeira – Tarde.

Dizem que mentira tem pernas curtas, a verdade aparece, mas nem sempre e agora estou abrindo os meus olhos. Disse Ricky.

Ele estava diante de sua amada, mas não sabia realmente quem ele era de verdade, a mulher dos cabelos ruivos que escondeu a verdade todo esse tempo.

RICKY – Eu preciso saber a verdade da sua boca.

Ela olhou diretamente nos seus olhos e seus olhos úmidos queriam chorar, mas a ruiva suportou e continuou forte.

MARTA – Eu sei que eu menti, eu disse que me chamava Ana quando na verdade, eu não era essa mulher, sim, o meu nome verdadeiro é Marta.

RICKY – E por que fez tudo isso?

MARTA – Eu queria que as pessoas não soubessem do meu passado, eu queria começar tudo de novo, o nome não importa, o meu amor por você que importa.

RICKY – E toda a mentira? Como eu posso acreditar em você agora depois de tudo isso?

Ela se aproximou do rapaz e tocou com suas mãos o seu rosto.

MARTA – Eu nunca menti sobre o meu amor por você.

RICKY – Eu preciso de um tempo para poder processar tudo isso que acabei de descobrir...

MARTA – Eu nunca matei ninguém, essas coisas que disseram, essas coisas não são verdades.

RICKY – E será que eu posso acreditar em você agora?

MARTA – Eu fui presa sim, infelizmente eu passei muito tempo trancafiada naquele lugar imundo, mas eu nunca matei ninguém, isso é tudo armação da Laura.

RICKY – O que a Laura tem haver com isso?

MARTA – Eu vi a Laura esconder o corpo de um homem, eu não sou a assassina nessa história e você deve abrir os olhos.

 

Cena 02 – Capital – Casa de Daniel – Tarde.

Daniel estava diante da esposa e a mesa estava farta de comida preparada por Silvia.

DANIEL – Precisamos conversar!

Ela sentiu as fortes palavras e sentou-se na cadeira mais próxima.

SILVIA – Você está estranho, o que aconteceu meu amor?

Ele continuou em pé e olhava para a mulher, as palavras que queria dizer ainda não saiu de sua boca.

DANIEL – Eu quero a separação!

A mulher deixou a xícara cair sobre o chão e levantou da cadeira desesperada.

SILVIA – Eu não entendi, como assim? Como assim você quer a separação?

Ela se aproximou do marido aos prantos.

DANIEL – É isso mesmo que você ouviu.

Silvia se ajoelhou.

SILVIA – Mas eu te amo, meu amor, diga para mim que tudo isso é uma brincadeira.

DANIEL – Eu não te amo mais e por favor, Silvia. Levante-se!

SILVIA – Você não pode me abandonar assim, eu faço tanto por você, eu sou a mulher da sua vida.

DANIEL – O nosso casamento acabou, entenda isso, eu tentei, eu juro que tentei e agora tudo que eu posso fazer é ir embora.

SILVIA – O nosso casamento não acabou, eu ainda te amo.

 

Cena 03 – Rua – Tarde.

Marta encontra Otávio e o abraça. Ela chora nos braços do rapaz.

OTÁVIO – O que aconteceu? Não fique assim.

MARTA – Eu não posso perder o amor do Ricky, eu não posso deixar que a Laura estrague a minha vida desse jeito.

OTÁVIO – Eu estou aqui para te ajudar.

MARTA – E o que iremos fazer?

OTÁVIO – Precisamos de algo que possa ser usado contra ela.

A ruiva puxa uma arma debaixo da camisa de Otávio e ele não reage.

MARTA – Isso vai ficar comigo.

OTÁVIO – O que pretende fazer?

A ruiva vai embora deixando o rapaz só.

 

Cena 04 – Capital – Casa de Elis – Tarde.

Elis termina o seu chá e vê Daniel batendo na porta. Ela abre e o rapaz a beija.

ELIS – O que está fazendo?

DANIEL – Eu estou completamente apaixonado por você e é a mais pura verdade.

ELIS – Eu estive pensando todo esse tempo, eu não posso deixar isso acontecer.

Ela se afasta.

DANIEL – Estou te amando.

ELIS – Eu também estou te amando, mas é errado, você é casado e eu não sou nenhuma destruidora de lares.

DANIEL – Eu pedi a separação, eu quero ficar seu lado, eu quero ser feliz ao seu lado.

Silvia espiava do lado de fora pela janela e viu os dois se beijarem.

ELIS – Eu te amo, Daniel!

A mulher segurou o choro após o beijo de Elis e de Daniel.

SILVIA – Divirtam-se então, se você prefere o amor dessa mulherzinha, eu quero só ver o seu coração sofrer mais ainda por perder a filha que tanto ama. Hahahahhahahahha!

Ela saiu apressada. Daniel tocava o rosto de Elis.

DANIEL – Eu vou falar com a Camila e eu tenho certeza que ela vai entender.

 

Cena 05 – Casa de Daniel – Tarde.

Camila brincava com sua boneca, a porta estava trancada e quando ela olhou pela janela viu Silvia se aproximando.

CAMILA – A mulher má, a mulher má!

Silvia viu o rosto da filha de Daniel na janela e sorriu.

SILVIA – Peste. Eu espero que tenha aproveitado muito, sua hora está chegando, eu ainda vou ver o seu pai sofrer tanto, eu vou despertar nele o ódio pela vida.

Ela coloca os pés na rua para atravessar. Camila continua olhando para a madrasta. Silvia se distrai e quando olha para o lado, o carro que vinha em alta velocidade, chegou a buzinar, mas era tarde demais, a mulher foi atingida gravemente. Camila gritou.

 

Cena 06 – Quarto de Luana – Noite.

Luana entra no quarto e olha para seu vestido de noiva. Ela se aproxima e toca com cuidado.

LUANA – Infelizmente está cada vez mais próximo, mas quando eu me casar, eu vou poder ir atrás da minha filha, eu vou poder ter a minha filha de volta. Isso me conforta!

CÉLIA – Você vai ser feliz!

Luana vira e vê a mãe.

LUANA – Feliz?

CÉLIA – O Martim é um homem rico e você vai poder fazer de tudo para encontrar a sua filha.

LUANA – Você sabe onde está, então fale.

CÉLIA – O pai da menina que levou a criança, você era muito jovem, não podia criar aquela menina.

LUANA – O Daniel roubou a minha filha e a senhora o ajudou.

CÉLIA – Eu o deixei levar a menina, você não podia criar, eu tinha que protege-la.

LUANA – Não se preocupe, eu vou chegar onde está a minha filha e nem o Daniel vai me impedir.

CÉLIA – Agora deve pensar no seu casamento, faltam poucos dias.

LUANA – Eu quero ficar sozinha.

 

Cena 07 – Pensão – Noite.

Otávio entra na pensão e dá de cara com a Dona Geruza. Ela fita o rapaz e lhe estende a mão.

GERUZA – Eu vejo que ainda não pagou a sua estadia.

OTÁVIO – Desculpe, eu tive algumas tarefas, mas amanhã eu pago sem falta.

GERUZA – O moço deve ter cuidado com quem anda, só um aviso para o seu próprio bem.

OTÁVIO – Eu sei me cuidar. A senhora viu o Ricky?

GERUZA – Esse chegou e se trancou no quarto, nunca vi rapaz mais estranho.

 

Cena 08 – Casa de Manu – Noite.

Manu abre a porta para Luciano e o rapaz entra.

LUCIANO – Boa noite!

MANU – Eu  estava mesmo esperando você.

Ela o beija e depois fecha a porta.

LUCIANO – Quer me dizer alguma coisa?

MANU – Eu quero sim, eu sei que estou há pouco tempo nessa cidade, mas eu não quero ficar para sempre.

LUCIANO – Está pensando em ir embora?

MANU – Eu estou sim e com você. O que te prende aqui? Essa cidade não tem nada que te faça crescer ou realmente tem alguma coisa aqui?

LUCIANO – Eu não sei se essa é a hora de partir.

 

Cena 09 – Casa de Daniel – Noite.

Daniel está falando com um policial. Elis está cuidando de Camila.

POLICIAL – Sinto muito por sua esposa.

DANIEL – Obrigado.

O policial sai. Daniel olha para Elis e sua filha.

ELIS – Vai tudo ficar bem, querido.

CAMILA – Fica aqui essa noite, Elis?

ELIS – Eu fico sim querida, mas se o seu pai deixar.

DANIEL – Você sabe que pode ficar.

Ela sorri para o amado e Camila a abraça.

 

Cena 10 – Leônia -  Rua – Dia.

Um ônibus da Capital chega na cidade. Selma está na companhia de Gabriel e uma moça desce do transporte. Era Letícia que estava de volta a cidade.

LETÍCIA – Finalmente, eu vou poder encontrar o amor da minha vida.

Selma olha para a mulher e pega na mão de Gabriel.

SELMA – Não pode ser, não pode ser.

GABRIEL – O que não pode ser, Selma?

Letícia olha para o lado, ela tira os óculos e encara a mulher.

 

Continua...

 

 

 


Capítulo 18 - O arrependimento


 

Cena 01 – Rua – Dia.

Letícia se aproximou de Selma. As duas fitaram uma a outra e Gabriel parecia não entender nada do que estava acontecendo.

LETÍCIA – Dessa vez nada vai estragar a minha felicidade, muito menos você vagabunda.

SELMA – Então, você voltou?

LETÍCIA – Evidente que sim, eu fui embora achando que o Heitor era culpado de tudo isso, eu fui orgulhosa e agora quero o meu amor de volta.

A mulher vai embora. Gabriel encara Selma.

GABRIEL – O que foi isso?

SELMA – A verdade tem que ser dita, eu não consigo mais dormir e eu sou culpada por tudo isso.

GABRIEL – O que você fez?

SELMA – Eu quero ficar um pouco sozinha, eu preciso pensar no que eu vou fazer.

 

Cena 02 – Apartamento de Lauro – Dia.

Laura tomava seu café e viu sua irmã entrar pela porta da frente. Selma encarou a irmã que ficou intrigada.

LAURA – O que está havendo com você?

SELMA – É melhor você se preparar, a verdade pode ser descoberta a qualquer momento.

LAURA – Do que você está falando sua tonta?

SELMA – Essa novela já está terminando, o bem sempre vence e a verdade aparece, ela sempre aparece.

LAURA – Você só pode estar ficando louca.

SELMA – A Letícia está de volta e ela vai querer saber onde está o Heitor.

Laura fitou a irmã e a segurou pelos braços.

LAURA – O Heitor fez uma longa viagem, ele viajou para bem longe, essa é a verdade, ninguém vai poder contestar e é melhor você se recompor.

SELMA – Como você pode ser tão fria?

LAURA – Eu não sou a vilã dessa história!

 

Cena 03 – Casa de Heitor – Dia.

Letícia bate na porta da casa onde Heitor morava e ninguém atende. Otávio passava por perto e viu a moça.

OTÁVIO – Está procurando alguém?

LETÍCIA – Sim, o meu namorado, ele mora aqui ou morava, parece que não há ninguém.

OTÁVIO – Você era a namorada do Heitor?

LETÍCIA – Era? Aconteceu alguma coisa?

Os olhos da moça se encheram de lágrimas e ela abraçou o rapaz.

OTÁVIO – O Heitor é meu irmão, ele costumava mandar cartas, dizer como estava e eu não sei mais onde ele está.

LETÍCIA – Então, ele está vivo?

OTÁVIO – Eu queria saber muito onde está o meu irmão, eu só contei isso porque você me disse que era a namorada dele, onde esteve esse tempo todo?

LETÍCIA – Eu amo muito o Heitor e não suportei vê-lo nos braços de outra, eu fiquei com muita raiva e fui embora. E todo esse tempo que passou, eu pensei melhor e vi que poderia ter resolvido tudo, eu deveria ter ficado.

OTÁVIO – O Heitor tinha outra?

LETÍCIA – Eu acredito que não, mas foi tudo por causa de uma mulher que não vale nada, a Selma. Eu ainda tive que vê-la quando cheguei aqui na cidade. A minha vontade era de bater naquela cara dela.

 

Cena 04 – Apartamento de Laura – Dia.

Laura faz um chá para a irmã Selma. Gabriel bate na porta e Laura vai falar com o rapaz.

LAURA – O que quer com a minha irmã?

GABRIEL – Eu só quero saber se ela está bem.

LAURA – Ela vai ficar, muito bem e tudo que precisa agora é que fique longe de pessoas chatas como você.

Laura fecha a porta na cara do rapaz e volta para perto da irmã.

SELMA – Você não tem medo?

LAURA – Querida, medo de que? A nossa história é válida, todos vão acreditar.

Marta estava por trás da cortina e ouvia toda a conversa.

SELMA – A Letícia vai querer saber onde está o Heitor, ela vai atrás dele, eu tenho certeza que vão descobrir.

LAURA – Chega! Eu mesmo vou tomar conta desse problema e você? Eu já sei, você vai embora dessa cidade, não posso arrumar mais um problema.

SELMA – Embora para onde?

LAURA – Você vai arrumar suas trouxas e vai embora para outro lugar bem distante dessa cidade. E leve aquele rapaz, o seu namoradinho.

SELMA – Ele não é meu namoradinho.

LAURA – Não importa! Você vai embora e está decidido. Já sobre a Letícia, se essa  piolha pensa que vai me trazer problemas, se ela ficar no meu caminho, eu passo por cima.

 

Cena 05 – Rua – Tarde.

Marta sai escondida do apartamento de Laura chocada com o que descobriu.

- A vítima da Laura se chamava Heitor, meu deus!

 

Cena 06 – Loja de Doces e Café da Cidade – Tarde.

Letícia tomava uma xícara com chocolate quente na companhia de Otávio. Ele parecia contente com a presença da moça e estava muito atencioso.

LETÍCIA – Obrigada por tudo!

OTÁVIO – Imagina, eu estou aqui para ajudar em tudo que você precisar!

LETÍCIA – Você é um cavalheiro!

Ela sorri para o rapaz.

Marta viu o aliado junto com a moça e acenou do lado de fora pela janela.

OTÁVIO – Só um instante!

Ele foi até a ruiva que o arrastou para um lugar mais reservado.

MARTA – Eu descobri algo muito importante. Sabe que eu vi a Laura enterrar um corpo quando cheguei nessa cidade?

OTÁVIO – Você me contou e isso me deixou um pouco apavorado.

MARTA – Eu ouvi uma conversa entre a Laura e a irmã Selma. Eu sei quem foi a vítima desse crime.

 

Cena 07 – Apartamento de Laura – Noite.

Laura bebia mais uma garrafa de vinho e ouvia uma balada romântica. O volume estava acima do normal e ela dançava suspirando pela sala.

- Você bem que poderia estar aqui comigo, eu te amo tanto, eu queria você aqui comigo, meu anjo!

Ela continuou dançando e seu pensamento só estava em Ricky.

 

Cena 08 – Casa de Célia – Noite.

Martin chega de surpresa e entrega flores para Luana. Célia se mostra feliz com a visita e o convida para jantar.

CÉLIA – É sempre um prazer recebe-lo!

MARTIN – O meu amor por sua filha não me deixa ficar longe por muito tempo.

LUANA – Você está feliz mesmo com tudo isso?

MARTIN – E eu não deveria? Estou prestes a me casar com o amor da minha vida.

Ele sorriu para a noiva e beijou a mão de Luana.

 

Cena 09 – Pensão – Quarto de Otávio – Noite.

Otávio entra com Marta na pensão. Ela se disfarça e consegue passar no corredor sem ser vista.

MARTA – Eu não posso ser vista aqui ou sou expulsa por aquela chata da Geruza.

OTÁVIO – Ela está ocupada com suas fofocas.

MARTA – Quem era aquela mulher que estava com você na Doceria?

OTÁVIO – É uma longa história, mas você está aqui por outro motivo, eu quero saber quem foi a vítima da Laura. Ela não pode ficar mais impune.

 

Cena 10 – Casa de Gabriel – Noite.

Gabriel abre a porta e fica diante de Selma. Ela o abraça aos prantos.

GABRIEL – O que veio fazer aqui? Nunca vem, o que aconteceu?

SELMA – Eu não posso mais deixar as coisas escondidas debaixo do tapete, eu preciso contar a alguém o que eu fiz, eu queria voltar atrás e corrigir o meu erro...

GABRIEL – Confie em mim e me conte tudo, eu estou aqui para te ajudar.

SELMA – Eu não sei o que fazer para reparar os meus erros.

GABRIEL – Você sabe que pode contar comigo!

 

Continua...

Capítulo 19 - Penúltimo Capítulo


 

 

Cena 01 – Casa de Gabriel – Noite.

Selma abraçou Gabriel aos prantos, ele queria saber o que estava acontecendo com a moça que tanto amava.

GABRIEL – Você pode confiar em mim, meu amor!

SELMA – Eu sou tão cruel, ninguém pode amar uma pessoa como eu, o meu final jamais poderá ser um final feliz.

GABRIEL – Não fale uma coisa dessas, eu já disse que estou do seu lado.

SELMA – Eu preciso fazer uma coisa, eu preciso criar coragem, eu preciso perder o meu medo e só assim eu vou me sentir melhor.

GABRIEL – E o que quer que eu faça?

Ela pegou na mão do rapaz e sorriu.

SELMA – Se você gosta realmente de mim, eu preciso que venha a um lugar comigo, eu não consigo ir sozinha.

GABRIEL – É claro que vou, mas onde seria esse lugar?

SELMA – Você vai saber.

Ela abre a porta e sai. Ele vai logo atrás da amada.

 

Cena 02 – Quarto de Otávio – Noite.

Marta sabia quem era a vítima de Laura. Otávio queria saber e estava diante da reposta.

OTÁVIO – Fale logo de uma vez, está me deixando nervoso.

MARTA – Eu não conheço a pessoa, mas era um homem, o nome dele era Heitor!

O nome Heitor ecoou muitas vezes na cabeça de Otávio que sentiu uma pontada quase caindo para trás.

OTÁVIO – O que foi que você disse?

MARTA – O nome do rapaz era Heitor!

A imagem do irmão veio em sua cabeça, ele havia recebido cartas e estava contente que o irmão estivesse feliz.

“Eu encontrei o amor da minha vida e é com ela que quero passar os meus últimos dias da minha vida...”

O sorriso de Heitor era constante em suas palavras e o amor do irmão era um alívio para o coração de Otávio.

OTÁVIO – Não pode ser, não pode ser o Heitor!

MARTA – Eu ouvi muito bem, na conversa entre as duas, a Laura dizia claramente que matou o Heitor e que ninguém iria descobrir.

OTÁVIO – Aquela ordinária, além de ter quase acabado com a minha vida, ela destruiu a vida do meu irmão.

MARTA – Como assim o seu irmão?

OTÁVIO – O Heitor era meu irmão...

MARTA – Meu deus, eu não sabia!

OTÁVIO – Eu mato essa desgraçada, eu mato, nem que seja com as minhas próprias mãos.

 

Cena 03 – Delegacia – Noite.

O Delegado recebeu a visita inesperada de Selma e Gabriel. Ele não sabia o que a amada pretendia. Ela sentou diante do policial.

DELEGADO – Então, qual motivo dessa visita?

SELMA – Eu tenho uma revelação.

Letícia entrou no mesmo instante. Selma e a namorada da vítima olharam uma para a outra.

LETÍCIA – Eu preciso falar com o senhor, Delegado!

DELEGADO – Eu estou ocupado agora, mas recebo a senhorita logo em seguida.

SELMA – Ela pode ficar!

LETÍCIA – Que?

GABRIEL – Pra que tudo isso Selma?

SELMA – Eu já disse que tenho uma revelação para contar!

 

Cena 04 – Pensão – Corredor – Noite.

Marta vai atrás de Otávio e eles param na frente do quarto de Ricky.

MARTA – Não vai fazer nenhuma besteira!

OTÁVIO – Eu tenho que procurar a Letícia!

MARTA – O que essa menina tem haver com isso?

OTÁVIO – Ela namorava o meu irmão, ela precisa saber o que aconteceu e depois eu vou atrás da Laura.

MARTA – Não faça nenhuma besteira, você sabe que estou com você. Agora eu preciso falar com o Ricky.

Otávio sai em direção a rua e Marta bate na porta de seu amor.

 

Cena 05 – Apartamento de Lauro – Noite.

Laura resolveu fechar a cortina e acabou encontrando a identidade de Marta. Ela guardou o documento em sua bolsa.

- O que essa cretina andou fazendo aqui? Será que ela ouvia alguma coisa?

Ela fecha a janela, abre a gaveta onde tem uma arma e coloca o objeto dentro da bolsa.

 

Cena 06 – Pensão – Noite.

Marta continua chamando por Ricky, ela abre a porta do quarto e não encontra ninguém.

- Onde será que ele está? Eu queria tanto que ele acreditasse em mim.

A ruiva é surpreendida por Geruza.

GERUZA – Será possível que eu vou ter que chamar a polícia?

MARTA – Eu estou no quarto do meu namorado.

GERUZA – O seu namorado pegou as coisas dele e saiu da minha pensão. Quer mesmo que eu chame a policia? Vai querer voltar para o lugar onde veio?

MARTA – O Ricky foi embora?

 

Cena 07 – Delegacia – Noite.

Selma estava diante do Delegado, Letícia e Gabriel. Ela estava decidida a contar o que sabia.

DELEGADO – Então, o que a moça tem a contar?

SELMA – O Heitor não viajou para lugar algum!

DELEGADO – Quem é o Heitor?

LETÍCIA – O Heitor é o meu namorado e eu vim até aqui justamente falar sobre ele.

DELEGADO – Espere, E onde está esse rapaz?

LETÍCIA – Onde está o meu namorado?

Selma olhou para a moça que já estava com os olhos cheios de lágrimas.

SELMA – O Heitor está morto!

LETÍCIA – ASSASSINA! ASSASSINA!

A namorada da vítima foi para cima de Selma com muita raiva e foi impedida por Gabriel que a segurou com força.

DELEGADO – O que você está dizendo moça? Como sabe que o Heitor está morto?

SELMA – Eu vi o Heitor morrer, mas eu não matei ele, foi a minha irmã, a Laura.

LETÍCIA – ASSASSINA!

 

Cena 08 – Rua – Noite.

Marta saiu da pensão após ser expulsa pela dona e se deparou com Laura encostada em seu próprio carro.

MARTA – Laura?

LAURA – Surpresa!

A mulher sorriu e apontou uma arma diretamente para a cabeça da ruiva.

MARTA – O que você pensa que está fazendo?

LAURA – Eu cansei desses jogos, cansei de joguinhos e agora resolvi acabar com todos os meus problemas.

MARTA – Não faça isso ou vai ser presa!

LAURA – Você acha mesmo que eu? Justo eu serei presa?

MARTA – É o que acontece com criminosas como você, você vai parar na cadeia por causa da morte do Heitor e eu sou testemunha.

LAURA – Então, você realmente ouviu a conversa, mas que atrevimento, mas sabe que toda testemunha boa, é uma testemunha morta!

Laura continua apontando a arma.

 

Cena 09 – Quarto de Luana – Noite.

Luciano surpreende Luana em seu quarto e tapa a boca antes que a moça grita.

LUCIANO – Sou eu, não precisa gritar!

LUANA – O que você veio fazer aqui?

LUCIANO – É a última vez, eu só queria ter a certeza que vai mesmo se casar com aquele homem.

LUANA – É amanhã o meu casamento e eu já tomei a minha decisão.

LUCIANO – E o nosso amor?

LUANA – O nosso amor não pode trazer a minha filha de volta.

LUCIANO – Eu te aceitaria até com uma dúzia de filhos, eu ainda te amo.

LUANA – O meu casamento vai facilitar a busca pela minha filha, você precisa fazer alguma coisa da sua vida, não vale a pena lutar mais por um amor como esse.

LUCIANO – Essa é a sua última palavra?

LUANA – Eu já tomei a minha decisão e eu não vou voltar atrás, vai embora e não volte mais.

 

Cena 10 – Jardim – Dia.

Ricky estava vestido de branco em um imenso jardim repleto de rosas, ele estava diante de duas mulheres, era Marta e Laura.

RICKY – Durante muito tempo eu pude enxergar as pessoas em diferentes formas, eu cometi um erro como todo um ser humano, eu errei e agora preciso reparar.

LAURA – O que está dizendo meu amor? Você sabe que sempre te amei e tudo que eu mais quero é fazer com que você seja feliz comigo.

MARTA – Não seja tão falsa, Laura! Você não é capaz de amar ninguém, é um ser incapaz.

LAURA – Como ousa falar desse jeito comigo?

MARTA – Eu que amo o Ricky e é um sentimento verdadeiro.

As duas se fitam entre Ricky.

RICKY – O amor não está em jogo aqui e se o arrependimento. Fizemos tantas coisas ruins nessa vida, o mal nunca para, isso é uma coisa certa, mas o bem sempre vence.

LAURA – Eu estou arrependida meu amor, eu largo tudo para viver ao seu lado e prometo ser a mulher da sua vida para todo sempre.

Ricky olhou diretamente nos olhos de Laura. Uma lágrima escorreu dos olhos de Marta.

 

Continua...

Capítulo 20 - Grande final


Cena 01 – Jardim – Dia.

Ricky estava diante das duas mulheres escolhidas para o cumprimento de sua missão e apenas uma alma poderia ser salva através do arrependimento de seus atos. Laura afirmava todo seu amor pelo rapaz e prometia fazê-lo feliz para o resto de suas vidas.

RICKY – Laura... O amor é um lindo gesto, um lindo sentimento que uma pessoa tem como dividir com outras pessoas, o amor em tudo que faz, o amor jamais deverá ser expressado de forma errada.

LAURA – Mas o meu amor por você é o mais puro e verdadeiro.

RICKY – Não, não é!

MARTA – Eu era uma menina muito pobre, eu sentia fome, eu sei que nada justifica os meus erros, mas eu como todo ser humano, eu cometi os meus, eu tirei a força algo que não me pertencia, eu fui parar no xadrez e lá aprendi que não se pode tirar as coisas que não nos pertence. Eu roubei, mas aprendi com o meu erro, a gente tem que lutar para conseguir o que tanto queremos, mas de forma honesta.

RICKY – Belas palavras, Marta! Eu agora consigo enxergar quem é você de verdade.

LAURA – Não acredite nessa mulher, meu amor!

MARTA – Eu nunca tirei a vida de ninguém, eu cometi meus erros, mas nunca matei ninguém. Eu me arrependo do que fiz, sinceramente.

Ricky sorriu para a ruiva e pegou em sua mão. Era possível enxergar a auréola por cima de sua cabeça. Uma forte luz tomou conta de tudo.

 

Cena 02 – Penhasco – Noite.

Laura estaciona o carro na beira do penhasco e ameaça Marta com sua arma.

MARTA – Por favor, Laura! Pare com essa loucura, o ciclo está se fechando para você.

LAURA – Você que pensa, eu tenho a sua vida nas minhas mãos, eu sou muito rica e você não vai poder presenciar a minha felicidade.

MARTA – Você vai ser presa e pagar por todos os seus crimes.

LAURA – Eu vou contar: Um, Dois...

Ricky apareceu de repente se jogou na frente de Marta.

RICKY – NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

Laura solta a arma e corre para ver como o amado está. Marta está no chão e levanta desesperada.

MARTA – Meu amor, fale comigo!

LAURA – Sua ordinária, é tudo culpa sua, eu vou chamar alguém!

Ela corre desesperada para o carro enquanto Marta tenta socorrer Ricky. Laura liga o carro e olha diretamente nos olhos de Marta. Ela pisa no acelerador e joga o carro na direção de Marta.

MARTA – NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

Laura ri poucos segundos antes do carro despencar penhasco abaixo.

 

Cena 03 – Igreja – Dia.

Martin está esperando a noiva no altar junto com os convidados que enchem toda a igreja. Luana está vestida e extremamente linda, mas ainda está dentro do carro.

CÉLIA – Está na hora de entrar, querida!

LUANA – Eu ainda não estou preparada, preciso ficar mais um pouco aqui.

CÉLIA – Pois cuide logo, o padre não pode esperar a vida toda!

 

Cena 04 – Rua – Dia.

Os olhos de Luciano estavam todos atentos a igreja. Era o dia do casamento de Luana e ele não conseguia fazer outra coisa. Manu sentiu que o namorado estava diferente.

MANU – É ela que você gosta?

Luciano olhou para trás e viu a namorada. Era possível ver Luana dentro do carro vestida de noiva.

LUCIANO – O que você disse?

MANU – Eu não sou tão desatenta, eu consigo ver o que os seus olhos veem e ela é que você ama.

LUCIANO – Manu, por favor!

MANU – Não tente se enganar, muitos menos a mim, não podemos mais continuar, eu não quero viver baseada em mentiras.

LUCIANO – Eu gosto de você!

MANU – Gosta, mas não é amor e você está livre para ir atrás de quem realmente ama!

 

Cena 05 – Igreja – Dia.

Luana colocou os pés para fora do carro, a calda do vestido encostou no chão e sua mãe a ajudou a subir no degrau.

LUANA – E a Selma?

CÉLIA – O que importa agora é o seu casamento, depois falamos sobre a Selma, agora ela está sobre a observação da polícia. Ela deve prestar conta das coisas que fez.

Luana olha para trás e vê Luciano.

LUANA – Está chegando a hora!

Ela sorriu e entrou na igreja enquanto tocava a marcha nupcial. Martin parecia muito feliz quando viu a noiva.

 

Cena 06 – Delegacia – Dia.

O delegado entrou em sua sala. Selma estava algemada e o homem parecia querer dizer alguma coisa.

SELMA – Pode tirar a algema delegado, eu não vou fugir!

DELEGADO – Uma medida de segurança e ela deve ser acatada!

GABRIEL – Delegado, ela não vai fugir e veio aqui de livre e espontânea vontade.

DELEGADO – Tudo bem!

O delegado tira as algemas de Selma que mostra estar aliviada. O homem senta em sua cadeira.

SELMA – Encontraram a Laura?

DELEGADO – Meus homens encontraram o carro da Laura caído numa ribanceira. A Laura está morta.

SELMA – Meu deus, não pode ser!

GABRIEL – E agora Delegado?

DELEGADO – Com a Laura morta, eu tenho outra coisa para fazer e você Selma espero que não tente fugir.

 

Cena 07 – Igreja – Dia.

Luana estava ao lado do noivo Martin e os dois diante do padre. A cerimônia havia começado e Célia parecia muito contente, pois o plano de casar com um homem rico estava dando certo.

CÉLIA – Dificuldades financeiras, nunca mais, nunca mais! Pensou a mulher.

Os olhos de Martin brilhavam quando olhava para Luana e ele colocou o anel no dedo da moça.

MARTIN – Eu prometo fazê-la a mulher mais feliz desse mundo, é o meu dever de marido estar ao seu lado até o último dia de minha vida.

A porta da igreja é aberta com força pelo Delegado que invade a cerimônia.

LUANA – Mas o que é isso?

MARTIN – Como ousa interromper a cerimônia do meu casamento?

DELEGADO – Você está preso, Martin!

Ele algema o noivo em pleno altar diante. Luana fica sem reação.

LUANA – Por qual motivo está prendendo o meu noivo, Delegado?

DELEGADO – O Martin, o noivo da senhora e junto com a irmã da senhora... Ele e a falecida Laura tramaram a morte do Heitor para ficarem com o dinheiro do rapaz.

CÉLIA – Como assim?

Célia desmaiou ao saber do golpe da filha com o noivo de Luana.

LUANA – Isso é verdade, Martin?

MARTIN – Claro que não meu amor, vão ter que provar, eu vou falar com o meu advogado!

DELEGADO – Vai falar sim, mas lá na cadeia junto com sua outra cúmplice e espero que tenha dinheiro para pagar um ótimo advogado.

Martin sai algemado da igreja. Luciano aparece e abraça Luana que está chocada com o acontecido.

 

Cena 08 – Casa de Heitor – Tarde.

Letícia entra na antiga casa de Heitor ao lado de Otávio. Ela enxuga suas lágrimas após entrar na casa.

LETÍCIA – Essa casa me traz muitas lembranças, eu amava muito o seu irmão.

OTÁVIO – Eu imagino, o Heitor era um cara muito querido e uma boa pessoa.

LETÍCIA – E agora o que farei da minha vida sem ele?

OTÁVIO – Não podemos trazê-lo de volta, mas a lembrança dele vai ficar para sempre em nossas memórias e em nossos corações.

LETÍCIA – Eu ainda estou chocada com tudo que aconteceu, aquela quadrilha tramou a morte do Heitor por causa do dinheiro.

OTÁVIO – O que o dinheiro não faz e de pensar que eu também fui vítima daquela víbora. E que agora que ela está morta, ela queime no inferno e pague por todos os seus crimes.

LETÍCIA – Pobre coitada da sua amiga, ela acabou sendo mais uma vítima.

OTÁVIO – Estou muito triste pela Marta, ela se envolveu demais com a Laura e não a culpo por isso. Eu poderia ter evitado tudo isso.

Os dois se abraçam e confortam um ao outro.

 

Dias depois...

 

Cena 09 – Casa de Luana – Dia.

Luana sai de seu quarto e encontra a mãe fazendo comida na cozinha. Sua irmã mais nova também estava ali.

CÉLIA – Como você está?

LUANA – Eu estou bem, estou esperando o Luciano.

CÉLIA – Gosta desse rapaz tanto assim?

LUANA – O amei desde a primeira vez que o vi.

CÉLIA – Eu prometo uma trégua. Eu já me meti demais na sua vida, minha filha, eu jamais acreditei que o marido que eu pensava que fosse bom para você fosse um criminoso. Eu lamento também que a Selma e Laura tenha se tornado duas pessoas horríveis.

LUANA – A Selma se arrependeu e eu desejo que um dia ela possa fazer tudo diferente algum dia.

CÉLIA – Parte é culpa que não fui uma boa mãe.

LUANA – Ainda dá tempo reparar os seus erros.

Célia baixou a cabeça e Luana saiu. Um carro chegou e parou diante de sua casa. Ela saiu para saber quem era. Daniel estava ao lado de Elis e tinham acabado de chegar em Leônia.

ELIS – Eu te amo!

DANIEL – Eu também te amo!

Os dois se beijaram. Camila abriu a porta do carro e viu sua mãe parada diante do portão. Os olhos de Luana mudaram completamente, antes triste e agora a pessoa mais feliz do mundo. A menina correu para os braços da mãe.

CAMILA – Mamãe!

LUANA – Filha! Meu deus, eu estava com tanta saudades, tudo que eu mais queria era vê-la novamente e poder senti-la novamente em meus braços.

CAMILA – Eu te amo, mamãe!

LUANA – Filha, agora nada mais vai nos separar!

A alegria de Luana era mais forte que tudo, ela colocou a menina em seus braços e encheu de beijos e carinho.

 

Cena 10 – Capital – Dia.

Uma imensa mesa estava repleta de comida, parecia que alguém estava comemorando algo em especial, era sim, na verdade. Artur era um milionário que estava noivando e após a união pretende voltar ao seu país de origem.

ARTUR – Viva a Europa! Lindas terras e que me aguarda, mas só depois do meu casamento!

Ele brinda junto com um grupo de homens. As mulheres da festa estavam todas com a noiva, uma moça linda, cabelos curtos e escuro, mas com uma pele incrivelmente sensacional. Era Laura que mostrava sua linda aliança entre os dedos.

LAURA – Eu confesso que sou uma mulher muito feliz, eu encontrei o homem de minha vida!

Ela encheu a taça de vinho e piscou para o próprio reflexo do espelho. Marta estava na frente do carro, eu tinha que terminar o que comecei, acelerei e quando percebi que tinha poucos segundos, eu me joguei.

MARTA – NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

O Carro caiu do penhasco e com ele levou o corpo de Marta. Sorte a minha ter sobrevivido.

ARTUR – Amor, venha aqui!

O noivo a chamou e Laura se aproximou do milionário.

LAURA – Estou aqui querido!

ARTUR – Quero dizer a todos que eu encontrei a mulher da minha vida e é ela que vai fazer dos meus dias,  os mais felizes, das noites frias, as noites mais quentes. Eu te amo incondicionalmente, Tereza!

LAURA – Você sabe que meu coração pertence a você!

Os dois se beijam.

 

FIM

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

 


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