Pobres Promessas Parte 1 O começo
Uma cidade pequena em alguns dias indesejáveis de férias um encontro marca a vida de dois jovens. Com 15 anos, Alicia se vê perdida em um relacionamento conturbado com o pai e ao encontrar Rafael esquece de todas suas promessas de infância se entregando cegamente a esse sentimento. Um relacionamento a distância, uma paixão descontrolada, uma obsessão e a luta por controle. "Tempo, é preciso tempo." Mas quanto tempo seria necessário para amadurecer esse amor?
Capítulo 1
Prólogo
Eu fiquei imóvel ao lembrar do quanto me doei e o quanto ele dizia não ser suficiente, eu sempre me perguntei por que as coisas simplesmente davam errado quando se tratava de nós, encontrei a resposta no fundo do baú de minhas memórias “Um relacionamento só funciona quando os dois se doam Alicia” Dizia minha avó sentada em uma cadeira de área, eu deveria ter uns 8 anos, na época talvez tivesse me explicando algo sobre meus pais, mas ela sabia que eu usaria aquilo para minha vida, que um dia entenderia e agora eu entendo, como eu entendo – Alicia Martine
Capítulo 2
Era uma vez... Fascinante!
Muitos me perguntam como tudo começou, eu costumo balançar a cabeça e dizer que não me lembro quando na verdade tudo ainda é claro. Eu sempre fui indiferente a qualquer tipo de sentimento, desde cedo aprendi que amor não enche a barriga de ninguém, ou enche, mas não foi desse jeito que quis dizer. Sempre fui eu por mim mesma, nunca precisei de ninguém, não há nada no mundo que eu goste mais do que a minha companhia, mas aí ele apareceu.
Um dia ensolarado de dezembro, foi você ou será que foi eu que apareci? Afinal, ele sempre esteve ali e eu aqui, não tem como saber porque só nos conhecemos naquele momento, naquelas circunstancias, existem perguntas que jamais poderei responder e isso acaba comigo.
Ele é uma dessas páginas que a gente passa sem ler, entediante. Um desses caras que faz garotas como eu revirarem os olhos, mas eu não revirei. Porque ele tinha o sorriso tão lindo e o abraço tão aconchegante que eu simplesmente não consegui resistir então ele ficou, de um jeito e de outro claro, nunca literalmente, mas ficou.
Eu o agarrei como se ele fosse a única pessoa no mundo a conseguir me fazer sorrir, não era, eu até o soltei e tentei correr em algum momento, mas já era tarde demais, ele já era parte de mim e pela primeira vez perdi o controle. Se isso fosse uma copia barata de outra historia e eu tivesse que citar sete motivos pelos quais não damos certo o primeiro certamente seria: Ele.
Se eu me lembro bem ele nem precisou fazer muito esforço pra me fazer apaixonar por ele, mas eu precisei de muito tempo pra conseguir falar disso, Rafael é uma parte do meu passado da qual não me orgulho e se perguntar, certamente ele dirá o mesmo. Não é que Rafael seja todo o problema, mas os erros dele encadearam os meus, não sou nenhuma covarde que corre das responsabilidade, eu sei de todo mal que causei, mas a historia não começa assim. Eu não nasci assim, já Rafael... Acredito na força do universo, tudo que vai volta, talvez pior ou não, não existe uma tabela pra essas coisas.
Capítulo 3
Confissões de um
coração partido.
Me vesti correndo, antes que minha mãe começa-se a gritar desesperadamente, era cinco da manhã de algum dia de dezembro e nós estávamos fazendo o que fazemos todo ano, indo pra Goitacá do Sul, o que é isso? Uma cidadezinha chata, quero dizer, pacata onde moram meus avós.
- Alicia? - Minha mãe entrou no quarto e eu sorri pra ela - Feliz aniversario.
- Que dia é hoje? - Eu ri
- Esqueceu de novo? - Ela também riu.
- Não é importante, são só quinze anos.
- Parabéns - Cristina também entrou no quarto, eu fiquei sem jeito.
- Obrigada, podemos ir?
- Claro.
Eu desci as escadas, saí pela porta da sala e me sentei no banco frente, o carro estava aberto. Respirei fundo e segurei o choro, era meu aniversario, mais um aniversario, mais um ano insuportável que trouxe aquela data ridícula. Revirei os olhos, odiava aquela época do ano, sempre a mesma coisa, cidade chata, com gente velha, sem ter nada o que fazer por duas semanas inteiras.
- Ta tudo bem? - Minha irmã e minha mãe bateram as portas do carro juntas, nem as vi entrarem.
- Claro - Sorri forçada.
Minha mãe ligou o carro abriu o portão com o controle e saiu, peguei meu celular no bolso e coloquei os fones, escolhi ‘When You’re Gone’, estava tão cansada, fechei meus olhos e respirei fundo, fiquei perdida em meus pensamentos por um longo tempo, até dormir...
- Acorda – Minha mãe freou o carro, se eu não tivesse de cinto teria batido a cabeça no painel.
- Ta doida? – Eu abri os olhos assustada, elas riram.
Olhei em volta atordoada, vi a casa dos meus avôs, abri a porta do carro e saí batendo o pé, brincadeira idiota! Abri o portão, eles estavam na cozinha, os abracei e subi correndo as escadas, me joguei na cama e respirei fundo, queria dormir novamente, dormir as férias todas.
- Você não ficou brava né? – Cristina abriu a porta e eu revirei os olhos.
- Não.
- Tem certeza?
- Só na hora – Ela riu pra mim e eu fiz o mesmo.
- Vou descer tomar café você vem?
- Só vou ligar pra Laura.
- Tudo bem – Ela sorriu e saiu do quarto.
Quando levei minha mão ao bolso de minha calça pra pegar o celular senti ela vibrar, fiquei tensa e fiz uma rápida oração, não podia ser meu pai, meu pai não, por favor, não seja meu pai, mas era.
- Alô? – A voz dele era tão linda, mas machucava tanto.
- O que você quer?
- Essa não foi a educação que eu te dei.
- Quem me deu educação foi minha mãe, você estava ocupado demais fazendo outra coisa qualquer e minha educação só uso com quem merece, mas enfim, o que você quer?
- Só queria avisar que já paguei seu francês e depositei sua pensão.
- Era só isso?
- Fechei um negócio maravilhoso, quase milionário. - Ele estava tentando puxar assunto? Sério?
- Só minha pensão que não tem nada de milionária.
- Reclama de boca cheia, devia ver o preço do seu francês.
- Claro que sim pai, me desculpe, eu não devia mesmo reclamar, afinal minha pensão é maior do que a de muitas amigas minhas, desculpe por questionar seu excelente método de suprir sua ausência com dinheiro.
- Alicia Martine!
- Vamos voltar a viver nossas vidas? Nós falamos mês que vem quando você tiver atrasado a pensão novamente, agora tenha um bom dia.
- Por que você age assim?
- Porque eu sou uma péssima filha.
- Não foi sempre assim.
- Claro que não! Eu mudei, você não lembra o por quê? Me deixa refrescar sua memória: Estávamos todos juntos sentados na mesa comendo, eu queria passar aquele aniversario com a minha família, um pouco de tempo com o meu pai que “trabalhava” demais e nunca estava em casa, então o telefone tocou e sua ex mulher correu atender. É! sua ex mulher mãe das suas filhas. Quando a minha mãe atendeu aquele maldito telefonema escutou coisas que acabaram com a vida dela, por sua culpa minha mãe não consegue amar, eu odeio meu aniversario, você deixou marcas que por mais forte que eu seja eu nunca vou conseguir apagar, porque você estragou tudo pai, você sempre estragou tudo, com os seus gritos, suas manias, seus motivos idiotas pra não estar em casa e hoje faz cinco anos que você saiu de casa, quinze anos que eu nasci, mas você não se importa, você nunca se importou, sempre preferiu ela do que a mim e não adianta dizer que é diferente, não adianta dizer tudo o que me disse o dia que saiu de casa, porque eu juro que eu tentei entender, mas não dá, você foi covarde demais, ainda é, você não merece que eu te ame, nem que eu te odeie, você não merece nada – Eu desliguei o telefone
Eu o odiava com todas as minhas forças, eu queria odiar, devia, minha irmã conseguia engolir a mulher dele e todo o cinismo, mas e como eu poderia? Escuto o choro soluçado de minha mãe sempre que passo pelo corredor durante a noite, minha mãe nunca foi a melhor pessoa do mundo, ela é possessiva, estressada, neurótica e louca, mas ela o amava e não merecia um pingo da dor eu ela sentiu, que sente. Procurei forças pra não chorar, não as encontrei, caí em um precipício escuro e sem fim, não consigo buscar em minhas memórias algo que me faça o amar, só existe dor e solidão, só enxergo minha irmã grudada em suas pernas implorando pra que ele ficasse, minha mãe imóvel na porta sem nenhuma emoção no rosto e minhas lágrimas calmas rolando pelo meu rosto, meus olhos fixos no seus tão frios, só queria ouvir que era mentira, mas se calou, consentiu, quis virar as costas, quis ir embora.
- Você disse que já vinha e não... – Cristina abriu a porta e quando me viu se calou
- Ta tudo bem – Eu me virei de costas.
- Eu sei que é difícil – Ela se ajoelhou perto da minha cama e passou a mão nos meus cabelos – Ainda dói em mim também, resistir é pior – Não queria que ela me visse tão fraca.
- Ele me ligou... – Eu mal conseguia falar entre meus soluços – Eu disse um monte de coisa e... – Não consegui terminar, doía demais, não conseguia explicar.
- Vai tudo ficar bem.
- Você pode me deixar sozinha?
- Tem certeza? – Assenti com a cabeça e ela saiu do quarto.
Procurei em minha playlist algo que sempre escuto quando o assunto é ele "Confession of broken heart - Lindsay Lohan" musica velha e clichê, mas era o que eu precisava escutar no momento, o que eu queria dizer e sentir.
Capítulo 4
Pra cada tombo um goleiro
Cristina tentava me tirar da cama aos berros desde o almoço, dizia algo sobre ir ver um jogo de futebol, mas eu não estava no clima, eu nem gosto de futebol. Meus olhos ardiam e meu coração estava apertado.
- Vou te dizer uma coisa - Ela tacou o travesseiro em mim.
- Fala - Eu revirei os olhos.
- Ficar trancada nesse quarto não vai resolver nada - Ela sentou na cama ao lado.
- O que você quer?
- Que você vá na praça comigo.
- Saí daqui que vou me arrumar
- Suave como um coice de mula
Fui até o espelho e prendi meu cabelo em um coque, desci as escadas calmamente, Cristina estava sentada ao lado de minha vó no sofá, a praça não ficava muito longe, mas só de pensar em andar me batia um desanimo, respirei fundo e saí pela porta sem me despedir de ninguém, Cristina veio atrás de mim, seguimos o caminho todo em silencio, tentei não pensar na briga com o meu pai, mas era quase impossível, Cristina correu até a sorveteria que havia em frente a praça, eu só a segui.
- O que você quer? Eu pago.
- Desde quando você começou a pagar as coisas?
- Desde que eu amo você – Ela riu
- Maracujá e cobertura de morango – Ela foi até o balcão e eu fiquei parada na porta olhando pro nada, hoje era um daqueles dias que nem eu conseguia me suportar, peguei o celular em meu bolso e abri um joguinho de matar Zombies, coisa idiota.
- Pronto – Ela colocou o sorvete na frente do meu celular e eu revirei os olhos
- Obrigada. – Nós duas sorrimos, ela estava tentando fazer o possível pra ser agradável.
- Você ainda ta ficando com aquele loirinho do 2º B?
- Não
- E aquele outro do terceiro?
- Nem nos falamos mais
- Ah... – Ela abaixou a cabeça.
- Mas e você? – Perguntei por educação, no fundo eu não queria saber.
- Eu até tava conhecendo alguém, mas não sei
- Não sabe o que? – Revirei os olhos, alias era a única coisa que eu fazia perto de Cristina, ela era apenas um ano mais nova que eu, mas era tão insegura, confusa e dramática.
- Eu sempre quis ver faíscas voando, sentir borboletas no estomago e isso não aconteceu
- Quer sentir o mundo paralisar e desfocar também? Quanta babaquice.
- Você precisa conhecer o romantismo
- Sei o bastante dele pra passar no vestibular daqui três dois anos. – Eu ri e ela fechou a cara
- Vem – Ela puxou minha mão, mas logo soltou, eu só andei atrás dela de cabeça baixa, ainda olhando meu celular, assistindo um vídeo idiota que me mandaram. Atravessamos a rua, eu não conseguia entender porque a praça era pra baixa, cidade estranha, não tirei os olhos do celular e quando terminei de descer as escadas esbarrei com alguém e caí no chão.
- Ta maluco cara?
- Você que não olha por onde anda
- Muito bem, fale de mim, mas se você também olhasse não teria esbarrado.
- Você tem que tomar mais cuidado
- Ai meu Deus! – Meu celular estava completamente desmontado ao meu lado, mas a tela estava intacta, graças aos céus.
- Você machucou? - Ele se ajoelhou.
- Você quase quebrou meu celular seu babaca – Juntei os pedaços e o liguei.
- Seu joelho ta sangrando – Ele se afastou um pouco e tirou a camiseta, foi só aí que olhei pra ele e aí meu Deus como ele era lindo! Cabelos negros arrepiados, uma pele perfeita, olhos castanhos escuros e um sorriso encantador. Meu coração quase parou, tudo em volta desfocou e eu conseguia ouvir sua respiração, tão perto de mim, tão maravilhoso. Mas oi? Que merda é essa!
- Não preciso de ajuda – Tentei levantar, mas meu joelho doeu, ele riu e apoiou sua camiseta em meu joelho.
- Deixa disso, vem – Ele levantou e eu segurei a camiseta, estendeu a mão pra mim, mas eu levantei sozinha, dessa vez foi, isso ai!
- Babaca – Sentei no banco e apoiei a camiseta novamente em meu joelho
- Na verdade... Rafael, prazer – Ele riu
- O prazer é realmente todo seu
- Quanta sutileza – Cristina riu. – Meu nome é Cristina e o dela Alicia
- Lindos nomes – Ele piscou pra ela e ela derreteu, revirei os olhos
- Não quer mesmo ajuda?
- Vê se me erra.
- Vocês já vão? – Ele sorriu,ai meu Deus, ele era perfeito.
- Sim – Sorri, mas que merda, eu sorri.
- Seu joelho melhorou? – Ele olhou pra camiseta em minha mão
- Ainda dói um pouco – Torci o nariz – É... Sua camiseta – Estendi a mão e fiz careta, ele pegou da minha mão, agachou e a amarrou no meu joelho.
- Fica bem melhor em você – Ele riu.
- Oi? Eu estou aqui – Cristina fez bico
- Desculpa – Ele sorriu pra ela
- Acho melhor irmos – Cristina sorriu de volta e eu assenti com a cabeça
- Então tchau – Ele me encarou e eu fiquei sem jeito
- Tchau – Acenei de leve.
Mas que porra foi essa?
Capítulo 5
A dor, o choro e a cabana
- Onde vai? – Cristina abriu a porta do quarto e eu estava vestindo uma calça
- Dar uma volta – Eu sorri
- Posso... – Eu não a deixei terminar
- Sozinha!
Tudo bem que todos tinham dado seu melhor pra me fazer sentir bem no meu aniversário, mas eu ainda estava chateada com meu pai, fechei a porta e desci as escadas correndo
- Pensei que já estava vestida pra dormir
- Vou dar uma volta
- Está tarde e com tempo de chuva.
- Eu não vou demorar
- Toma cuidado – Ela sorriu
Abri a porta e depois o portão, diminuí o passo quando cheguei em frente ao cemitério. O céu nublado e a rua estava escura, nada iluminava a não ser a lua que estava tão cheia que chegava a ser clichê, o vento sobrava tão forte que as arvores dançavam, eu não aguentava mais segurar, reprimir todos os sentimentos por tanto tempo era suicídio, enxuguei as lágrimas de Cristina todas as vezes que ela sentiu falta dele, abracei minha mãe todas as vezes que ela se sentiu sozinha, mas e eu? Desabei em choro, precisava me entregar aquela dor. Aquela era a realidade, ele era meu pai o único homem que tem o dever de me amar e ele conseguia estragar até meu dia mais perfeito. Senti os primeiros pingos de chuva cair em meu rosto, eu simplesmente ignorei e continuei descendo a rua, enquanto a chuva molhava meu rosto ela escondia minhas lágrimas, a cada passo a chuva ficava mais intensa e o meu choro também, eu precisava de ajuda, de uma luz. Senti uma mão em meu ombro aquilo me fez estremecer e gelar, eu me virei para trás foi automático.
- É perigoso andar por aí a noite sozinha garota – Era Rafael.
- Você quase me matou de susto.
- Desculpa - Ele riu
- Ah, tanto faz – Continuei andando
- Está frio, escuro e chovendo.. O que te faz enfrentar tudo isso?
- Não é da sua conta – Eu dei de ombros
- Se você diz - Ele sorriu e aquilo me irritou
- Talvez o mesmo que você que está nas mesmas condições que eu.
- Você ta chorando? - Ele tentou me encarar, mas continuei de cabeça baixa.
- Não, só ta chovendo
- Quer conversar?
- Você não está me dando escolha
- Quer ir pra outro lugar?
- Outro lugar onde?
- Vem – Ele agarrou minha mão e meu corpo estremeceu. Alicia para!
Corremos até o fim da rua, como a maioria ela dava no meio do nada, minha garganta deu um nó quando me puxou para o meio das arvores.
- Eu não vou entrar ai com você - Depois que eu disse ouvi um trovão, droga!
- Confia em mim - Ele sorriu pra mim e eu derreti.
Confiar nele? Eu tinha o conhecido fazia só algumas horas, me senti uma vítima burra de filme de terror, daquelas que descem até o porão pra ver o que tem lá ou entram no carro de um cara no meio da noite. Mas do que adianta dar pra trás agora? Se eu gritasse ninguém iria me ouvir, se eu corresse ele me alcançaria, que se foda! Andamos por mais um tempo e quando saímos do meio das arvores dei de cara com uma casa velha de madeira, quatro pilares seguravam o teto da varanda, atrás dela, não tão perto, uma cachoeira enorme, podia ouvir o som não tão calmo da agua batendo nas pedras, aquele som era como eu me sentia, estava paralisada pela beleza daquele lugar, agora o filme de terror parecia mais um conto de fadas desse de fazer até criança revirar os olhos. Ele soltou minha mão e eu saí do transe, correu em direção a casa e eu o segui, estava com frio.
- Entra – Ele abriu a porta estava escuro lá dentro - Eu fiquei em silencio, não senti medo, só não sabia o que fazer - Vai me dizer que tem medo de escuro – Ele riu
- Não, mas – Eu não terminei.
- Se não quiser entrar tudo bem – Ele riu – Não vou te forçar a nada – Ele entrou e acendeu algumas velas o lugar ficou mais claro - Se quiser ir embora você pode ir - Sua voz era calma e suave, me senti tranquila, respirei fundo e entrei.
- Eu não deveria estar aqui
- Realmente, se for parar pra ver você é uma completa idiota e isso é bem estranho - Ele riu, eu me encolhi
- Calma - Ele segurou minha mão novamente
Havia ma mesa de madeira velha com quatro cadeiras, a esquerda um sofá surrado e a direita um colchão de casal no chão, tá, aquilo me fez sentir medo. Por mais incrível que pareça a casa não tinha goteiras, ao lado do sofá tinha um cômodo a parte, pela lógica aquilo deveria ser um banheiro
- Tudo aqui é tão... – Me faltou palavras
- Assustador?
- Eu ia dizer inacreditável
- Eu nunca trouxe ninguém aqui, é meu refúgio, onde me sinto seguro entende? – Ele sorriu.
- Na verdade não.
- Senta ai - Ele apontou para o sofá e puxou uma cadeira - Me conte porque você estava chorando - Ele se sentou na cadeira e eu me senti aliviada
- Eu não estava chorando – Olhei para baixo minhas roupas estavam encharcadas e eu estava congelando.
- Espera aqui um pouquinho.
Ele foi até o outro cômodo e eu olhei em volta, qualquer pessoa em sua sã consciência não seguiria um “desconhecido” até o meio do nada e nem entraria em uma casa abandonada com ele, algo gritava dentro de mim que eu deveria fazer tudo o que ele pedisse, legal! Eu era uma idiota de carteirinha, mas não sentia medo, antes que eu pudesse pensar mais alguma idiotice ele voltou com um moletom azul marinho e uma toalha nas mãos.
- Eu não tenho nada do seu tamanho, mas isso é melhor que você passar frio, não acha? – Ele me entregou a toalha e o moletom
- Obrigada.
Minha camiseta estava grudada em meu corpo, ainda bem que eu não uso branco, aquilo seria um pedido de estupro, passei a toalha sobre minhas roupas, vesti o moletom e depois enrolei a toalha em meu cabelo.
- De nada – Ele se sentou novamente – Agora pode me contar o que aconteceu e não tentar mudar de assunto.
- Eu já disse que não estava chorando, portanto não aconteceu nada.
- Ninguém anda pela rua sozinha chorando em baixo de chuva por nada.
- Eu briguei com o meu pai também
- Todo mundo briga com os pais.
- Meu pai esqueceu do meu aniversário... Pelo quarto ano seguido.
- Ele poderia ao menos colocar um lembrete no celular não acha? – Ele riu
- Idiota – Eu ri
- Quando foi seu aniversário?
- Ainda é – Eu sorri sem jeito
- Parabéns – Ele levantou, sentou ao meu lado e me abraçou, eu paralisei.
- É... Obrigada – Ele me soltou e eu sorri
- Viu? – Ele também sorriu
- O que?
- Eu não te agarrei e ainda tem fiz sorrir.
- Verdade - Nós rimos. - Você foi muito gentil comigo, obrigada – Sorri novamente, para de sorrir quinem uma idiota Alicia, droga!
- Você tem um sorriso lindo – Ele me encarou e eu senti meu rosto corar.
- Eu não sei receber elogios – Eu abaixei a cabeça
- Mas deve receber muitos – Aí meu Deus, o que ele ta fazendo? Senti todos os meus órgãos se revirarem dentro de mim. Quase não ouvia mais o barulho da chuva.
- Acho que melhor eu ir já que a chuva parou.
- Vem me ver amanhã? Digo, devolver minha blusa?
- Eu não sei se é uma boa idéia, posso deixar ela com você.
- Você vai com ela, eu insisto.
- Que horas?
- 21:30 está bom pra você?
- Não te prometo nada - Levantei e caminhei até a porta
- Até amanhã.
- Não me espere.
- Não me deixe esperando – Ele riu
Eu saí da casa calmamente, mas comecei a correr quando entrei entre as arvores e só parei quando abri o portão da casa dos meus avós, não era tão tarde, talvez eu tenha ficado fora por uma hora, ou uma hora e meia, não sei bem, abri a porta e minha mãe estava deitada no sofá assistindo tv.
- Tomou chuva Alicia? - Estava escuro, eu quase não conseguia a ver.
- Uhum - Grunhi, antes que ela pudesse acender a luz para me ver subi as escadas correndo - Boa noite - Gritei
Fui até o quarto, Cristina já estava dormindo, peguei uma toalha e meu pijama, corri para o banheiro, tirei a roupa e entrei em baixo do chuveiro, fiquei lá por algum tempo só vendo a água correr pelo meu corpo, pensando o quão doido foi essa ultima hora, acabar a noite em uma cabana no meio do nada com um cara que conheci a menos de 24 horas, era loucura. Fechei os olhos e pude enxergar claramente seu rosto, ele me fez sentir tão leve. Terminei meu banho, saí do chuveiro, escovei meus dentes, me vesti e fui pro quarto, deitei em minha cama e não sei por quanto tempo fiquei perdida em meus pensamentos, lembrando do sorriso de Rafael, só sei que acabei dormindo.
Capítulo 6
O beijo.
Estava encarando o relógio há aproximadamente meia hora até que ele marcou 21:15 eu não iria esperar mais, mas antes que eu pudesse pensar em levantar Cristina entrou no quarto.
- Fingi que não vi o dia inteiro, mas de quem é essa blusa?
- De ninguém.
- Simples assim?
- É de Bryan
- Eu não vi na sua bolsa
- Era só o que me faltava ficar te dando explicação agora.
Vesti a blusa, me levantei e desci as escadas correndo, não tinha ninguém na sala, suspirei aliviada, procurei a chave extra atrás da TV e ela estava lá, sabia que Cristina não ia comentar que saí, fechei a porta, estava um clima agradável, nada daquele calor intenso que tomava conta da cidade em uma tarde de dezembro nem aquele frio insuportável de julho, abri o portão e corri até a rua acabar, quando entrei no meio das arvores diminui o passo, não demorou muito até que eu avistasse a pequena casa de madeira, eu sorri ao lembrar de quando vi aquele lugar na noite passada, olhando assim com mais calma percebi que havia flores em todos os lugares e que a grama até a cachoeira era extremamente rala, aquele lugar ficava maravilhoso sobre a luz da lua, corri até a casa, encarei e porta e suspirei, tirei a blusa e entrei, estava tudo diferente, a mesa estava coberta por uma toalha branca de renda, o chão estava encerado, o colchão tinha uma colcha, só o sofá não tinha jeito.
- Noite passada eu não sabia que iria receber visitas – Ele riu – Ah, obrigada.
- Pelo o que?
- Você está 10 minutos adiantada, não me deixou esperando.
- Eu não consigo andar de vagar – Eu ri
- Senta ai – Ele puxou a cadeira
- Sua blusa – Eu me sentei e coloquei a blusa em cima da mesa
- Quer pizza? Eu acabei de buscar então ainda deve estar quente
- De que? - Tentava não olhar pra ele.
- Bacon
- Eu quero – Ele abriu a caixa
- Obrigada
- A propósito você está linda hoje – Senti meu rosto corar
- Obrigada – Mordi um pedaço logo depois que respondi, ele continuou me encarando, quase engasguei.
- Deve dar um trabalhão deixar tudo aqui tão conservado - Tentativa legal de mudar de assunto hein Alicia, idiota! Porque não pergunta do clima?
- Vale cada segundo e cada centavo.
- Ninguém vem aqui?
- Nunca trouxe ninguém e essas terras são da minha família faz tempo, propriedade privada, mas de qualquer jeito a casa fica trancada.
- Entendo...
- Essa casa era da família do meu pai, ficou pra mim quando ele morreu há alguns anos, eu só posso vender quando eu for de maior, mas eu não tenho o menor interesse de me desfazer daqui, mês que vem ligam a energia.
- Esse lugar é muito especial pra você não é? – Limpei minha mão no guardanapo de papel que havia do lado da caixa da pizza, peguei uma bala em meu bolso e coloquei em minha boca, eu entendi a mão oferecendo, mas ele negou.
- Mais que isso
- Queria ter um lugar pra fugir de tudo também
- Agora tem – Ele riu – Nunca trouxe ninguém aqui, mas quando vi você chorando ontem meu coração apertou – Eu abaixei a cabeça. – Sei o quanto é ruim ter problemas com o pai, mas também o quanto pior é não ter um – Ele pegou em minha mão.
- Eu não me sinto confortável falando desse assunto. - Puxei minha mão e descansei ela em meu colo.
- E se você nunca mais ouvisse a voz dele nem mesmo por telefone?
- Nunca pensei nisso.
- Ninguém pensa – Ele se levantou e sentou no sofá, eu fiz o mesmo.
- Eu e meu pai brigávamos muito também, eu não o entendia, alias, eu era tão pequeno – Ele parou e ficou em silencio por algum tempo – Ele só precisava de um pouco de amor.
- Aqui quem precisa de amor sou eu.
- Todos nós precisamos.
Ele se aproximou de mim e seus lábios se fundiram aos meus, o encaixe era perfeito como nunca fora antes com qualquer pessoa, estávamos em perfeita sintonia, como se fossemos feito um para o outro, era tão bom que parecia um sonho, borboletas dançavam no lago do cisne dentro do meu estomago, nunca tinha sentido nada igual antes, era mais do que perfeito e naquele momento eu tive certeza de que ele era tudo o que eu precisava, que não tinha nada a ver com atração física ou qualquer coisa parecida, era uma coisa nova, era algo que eu não conhecia, eu não conseguiria ficar longe daquela pele e lábios nunca mais, enquanto sua língua acariciava meu céu da boca, me senti flutuar, era como e fosse a primeira vez, cheguei tão perto de alcançar o céu, ele se afastou e eu abri os olhos.
- Desculpa... – Ele levou a mão a boca, como se ele nunca tivesse roubado um beijo antes, uhum, ta bom.
- Imagina – Quase não tinha voz. – Quando um não quer dois não brigam, ou beijam, que seja - Eu ri
Ele me beijou novamente, só que agora o beijo era menos suave, ainda sim em sintonia, encharcado de desejo e maldade, ainda sim o melhor da minha vida, dessa vez foi eu quem me afastei
- Acho melhor eu ir embora – Me levantei
- Espera – Ele fez o mesmo – Diz que sentiu alguma coisa
- Rafael...
- Lici...
- Lici?
- Não gostou? – Ele me encarou
- Ninguém me chama assim – Revirei os olhos
- Eu chamo – Ele se aproximou e eu dei um passo para trás, meu alarme de perigo disparou. Sério? Agora? Antes não precisava né? Só agora era necessário? Me segurei para não revirar os olhos novamente, não o respondi só virei as costas e fui em direção na porta.
- Toda vez... – Ele não terminou.
- Toda vez o que? – Me virei pra ele novamente.
- Toda vez que nossos olhares se fixarem aqui nesse lugar, nossos lábios irão se tocar, você sabe, você sente.
Eu preciso mesmo ir...
Ele estendeu o celular dele pra mim e eu entendi, marquei meu numero e entreguei de volta, não olhei em seus olhos, só me virei e saí de lá. Corri como nunca na vida, corri como se a minha vida dependesse daquilo, não como na noite passada, eu corri desesperadamente e eu não sabia porque, ele não estava atrás de mim, ele não iria me fazer mal, não tinha ninguém naquela rua, ninguém me faria mal, mas senti o chão sair de baixo dos meus pés e tudo o que eu pensava era em correr. Tirei a chave do meu bolso e destranquei o portão tão rápido que nem vi como o tranquei de novo, fiz o mesmo com a porta e subi as escadas devagar, tentando não fazer barulho, abri a porta do quarto, tirei toda a minha roupa e rezei para que minha camisola ainda estivesse pendurada na cabeceira da minha cama, não podia acender a luz, Cristina estava no décimo sono, peguei meu celular em meu bolso, 23:45. Caraca! Eu fiquei tanto tempo fora assim mesmo? Conversamos tão pouco, encontrei minha camisola, vesti e caí na cama, agradecendo a Deus por não ter acordado ninguém, mas aproveitando que estamos conversando me diz meu velho, o que foi aquilo que senti.
Capítulo 7
Em todas as lágrimas há
esperança.
O tempo passou rápido nos dias finais de minhas férias, mas não nesses últimos meses, ficar longe de Rafael se transformou em tortura na semana seguinte em que cheguei de viagem, minhas aulas andavam sendo mais chatas e exaustivas do que antes, pareciam durar anos, décadas, cheguei em casa cansada, eram 18:50, joguei minha bolsa na cama e liguei o computador, eu só precisava ficar online, eu só precisava falar com ele, eu achei estranho, ele não me chamou, mas eu respirei fundo e abri sua janela.
- Amor?
- Oi
- Ta tudo bem?
- Tudo ótimo e contigo?
- Só morrendo de saudades.
- Aham... Como foi seu dia?
- Cansativo, aula chata, cansativa.
- E sua matricula pra manhã?
- Acho que só ano que vem.
- Entendi, É... Eu vou ir jogar bola blz? Tchau.
- Ok, beijos, se cuida. – Ele não respondeu só ficou offiline... Eu fechei a janela.
Meu coração apertou, ele estava estranho, entrei em minhas redes sociais como todos os dias e eu juro que desejei ser cega quando vi uma das atualizações... “Rafael Pierobom está em um relacionamento sério com Anna Liz” eu senti meu coração parar por alguns segundos ou ele batia tão rápido que era impossível de senti-lo, eu paralisei.
– Alicia, me deix... – Ela engoliu as palavras ao chegar atrás de mim, perto o bastante.
– Espera!
Desci a barra de rolagem e cliquei em fotos, fechei os olhos por alguns segundos, respirei fundo, precisava tomar forças, quando os abri fixei meu olhar na imagem, era uma garota alta com olhos negros assim como seus cabelos que iam até seus quadris, tinha um corpo de dar inveja, estava abraçada com Rafael. É claro que estava! Eu já tinha visto aquela foto antes, mas após repetir "É só uma amiga" centenas de vezes para mim mesma resolvi não falar nada pra ele, quem é que podia adivinhar? Qualquer um, menos a otária aqui é claro, meus olhos se encheram de lágrimas, Cristina apertou forte meu ombro, foi como se ela conseguisse sentir minha dor, não podia. Só tive forças pra levantar e me jogar na cama, ele não podia ter feito isso comigo não depois de tudo que vivemos, não depois de todas as promessas.
– Mana fica calma – Cristina parecia assustada nunca me virá assim antes
– Me deixa sozinha
– Vou chamar a Laura
– Só quero ficar sozinha
– Tem certeza?
– Tenho – Gritei
– Vou chamar Laura – Ela saiu do quarto correndo
Não tinha como descrever como eu me senti, era como se tivessem puxado meu tapete, tirado o chão de baixo dos meus pés, é indescritível, foi quase tão doloroso quanto quando descobri as mentiras de meu pai. Droga! Era aquilo, a mesma coisa.
– Ali? – Ouvi a porta de abrir
– Caí fora Laura– Fixei a cabeça contra o travesseiro
– Cristina me contou – Ela se sentou ao meu lado e eu a ignorei – Eu sei que ta doendo
– Ele não podia ter feito isso comigo - Não resisti em a abraçar.
– Não meu amor, não podia.
– Que diabo ela tem que eu não tenho? – Encarei a tela a foto que ainda estava aberta, Laura levantou e fechou o notebook.
– Nada! Ele é retardado mental
– Não ta ajudando
– Foda-se ele – Ela balançou os ombros e eu ri
– Eu to sem chão, Laura.
– Eu sei meu amor, mas eu prometo que tudo isso vai passar – Ela se deitou ao meu lado e eu fechei os olhos.
Rafael veio em minha direção e eu senti minha garganta dar um nó, ao lado dele estava à garota da foto, deslumbrante em um vestido vermelho colado em seu corpo, Rafael estava mais lindo do que nunca e seus olhos brilhavam assim como a noite em que ele me beijou pela primeira vez, cada passo que ele dava meu coração apertava mais, minha respiração estava pesada como se falta-se ar.
– Essa é Anna Liz, minha namorada – Ele sorriu.
– Felicidades – Abri um sorriso forçado, na verdade eu queria mesmo chorar
– Prazer – A garota estendeu a mão, mas eu não apertei.
– O prazer é realmente todo seu – Eu sorri novamente
– Ta tudo bem? – Rafael ficou sério
– Ironia fazer uma pergunta com tamanho nível de estupidez, não é a sua cara, é claro que não to bem, eu to péssima, na verdade, me sentindo um lixo, mas não se preocupe, eu vou continuar vivendo. Só quero que você saiba você tinha meu coração em suas mãos e que entre tudo que você podia ser pra mim, escolheu ser só saudade, você era tudo o que eu tinha e agora estou sozinha mesmo depois de prometer milhões que isso nunca iria acontecer – Senti a primeira lágrima escorrer.
– Tudo passa um dia querida – Anna tinha uma voz mais suave dessa vez.
– Cuide bem de Rafael, ele é meu mundo e agora está em suas mãos.
– Cuidarei, talvez até o ame mais que você.
– Amar? É isso que faz meu coração ainda bater no ritmo do seu nome mesmo estando em pedaços? – Virei às costas
– Você não pode partir Alicia, você não pode ir – Rafael me segurou pelo braço e eu me virei para ele novamente e seus olhos estavam cheio de lágrimas.
– Quem partiu foi você Rafael, eu só estou dando seu espaço.
Acordei assustada e chorando, Laura estava deitada ao meu lado, ela realmente era uma ótima amiga, peguei seu celular que estava em sua mão entreaberta, eu não fazia ideia de onde tinha deixado o meu, eram 03:03 da manhã, eu não sei como consegui capotar desse jeito, acho que cansei de tanto chorar, simplesmente apaguei, prometi que meu coração não ia doer daquele jeito por ninguém, nunca mais.
– Alicia? – Laura abriu os olhos, maldito soluço.
– Volta a dormir, eu estou bem.
– Não, você não está e eu em seu lugar também não estaria, mas escuta amiga, não precisa segurar o choro, eu to aqui é pra secar as tuas lágrimas, não servir de testemunha do seu orgulho – Eu deitei de frente pra ela e ela me encarou
– Ele... Ele... Ele não podia ter feito isso comigo. Sonhei com ele e com essa garota, eu não sei o que vai ser de mim agora, meu coração dói como nunca doera antes, to perdida, sem rumo e o que eu faço? Pra onde vou? Parece que nada faz sentido agora que ele se foi, o imaginar nos braços de outra é assustador, que porra que ela tem que eu não tenho Laura? Ela é tão melhor que eu assim? Vai se foder! Se ele pedisse eu podia melhorar, eu faria tudo por ele, mas não consigo entender, fora a distância estava tudo tão perfeito, por um momento cheguei a pensar que seria para sempre, que não teria um fim. To no chão e eu não vou conseguir levantar, não sozinha... – Ela não me deixou terminar...
– Você não está sozinha, eu estou aqui
– O que eu fiz de errado? – Eu a apertei
– Você não fez nada de errado princesa.
– Então... Então por que ele se foi?
– Porque ele não era o suficiente para uma garota tão perfeita como você.
– Eu não sei se isso realmente vai passar, é uma dor tão grande – Coloquei minha mão sobre meu peito.
– Ei, alguma vez já menti pra você? – Eu fiquei em silencio por algum tempo
– Não.
– Então, mantenha a calma.
– Falar é fácil, trocar de lugar comigo ninguém queria.
– Trocaria de lugar contigo, só pra não te ver sofrer, agora trate de dormir porque eu não quero olhos inchados
– Não sei se consigo.
– Fecha os olhos, eu to aqui - Virei de costas pra ela e fechei os olhos – Eu te amo
– Eu também.

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