Chronos Capítulo 1

 





O Tempo é algo que está sempre presente em nossas vidas. Você toma uma atitude, e ele segue de acordo com o que você fez. Se sua opção for seguir um caminho errado, ele vai te mostrar as consequências cedo ou tarde. Faça uma coisa boa, e os frutos vão surgir.

Independente do caminho que você escolhe, não tem mais volta. Qualquer coisa simples que você faça pode ter consequências enormes no futuro. É o chamado "efeito borboleta". O bater das asas de uma simples borboleta pode resultar em um furacão com o passar do tempo. Em alguns momentos, você dá de cara com duas opções. Se seguir pela esquerda, jamais vai saber o que teria acontecido se tivesse tomado o caminho da direita. Foi a escolha certa? Isso não importa. Você nunca irá saber.


Um homem comum, de cabelos curtos e usando um casaco preto estava descendo as escadas de um metrô, quando seu celular tocou.

Trevor: Alô?

A mulher do outro lado começou a falar.

Luana: Trevor, onde você está?
Trevor: Relaxa, Luana, eu estou voltando pra casa. Vou pegar o metrô hoje.

Luana riu.

Luana: Tome cuidado, Ok?
Trevor: Ei, eu já estou há um mês nesse trabalho. Eu sei o que estou fazendo.
Luana: Certo... Até mais, querido.

Luana desligou. Trevor riu e olhou o relógio do celular. Eram 21:15.

Trevor: Mulheres...

No entanto, o riso de Trevor foi interrompido em questão de segundos. Em sua frente, havia uma multidão parada em frente à linha do trem. Uma mulher chorava desesperadamente enquanto olhava para os trilhos.

Trevor: Mas que diabos?!

Trevor tentou passar pela multidão, chegando a empurrar algumas pessoas da frente. Ele queria saber o que era aquilo que estava deixando todos em pânico naquele lugar

Trevor: Com licença, desculpe...

Trevor correu para ver o que estava acontecendo. Infelizmente, ele preferia não ter visto aquilo...

A mulher que chorava era uma mãe que lamentava o carrinho de seu bebê ter caído no trilho. O trem havia esmagado a pobre criança. Trevor cobriu sua boca com a mão.

Trevor: Meu Deus...

As pessoas ao redor levavam suas mãos à cabeça. A mãe continuava chorando a perda de seu filho. Alguns seguranças e policiais pediam para que a multidão se dispersasse.

Mulher: Nããão!! Meu filho!!! Não!!!

A mulher chorava e soluçava. Um homem se aproximou.

Homem: Senhora, por favor acalme-se...

A mulher suspirava.

Mulher: Se... Se eu tivesse me virado pra trás alguns segundos antes... Eu ia ver o carrinho se movendo... Eu podia ter salvo meu filho...

Aquilo era demais para Trevor. Ele simplesmente saiu de perto e resolveu deixar o metrô, pegando o celular em seguida.

Trevor: Querida? Eu não vou mais pelo metrô.
Luana: Ãh? Por quê?
Trevor: Aconteceu um acidente terrível... Uma mulher deixou o carrinho de bebê com seu filho cair nos trilhos, e o trem o atropelou.

Luana gritou de susto.

Luana: Meu Deus!!
Trevor: Eu sei, é horrível... Eu vou voltar a pé. Vai demorar mais, mas...
Luana: Tudo bem, eu te espero... Fique bem, querido...
Trevor: Obrigado.

Luana desligou.

Trevor seguia pelas ruas da grande cidade. Já estava escurecendo, quando alguém surgiu atrás dele.

Garota: Psst... Ei, você...
Trevor: Ãh?

Trevor se virou. Atrás dele havia uma garota usando um capuz e uma jaqueta.

Trevor: Eu... Te conheço?
Garota: Você parecia assustado no metrô...
Trevor: Depois do que eu vi...

A garota olhou para o lado.

Garota: Me diz uma coisa... Se você estivesse lá na hora, poderia mudar aquela situação? Salvar aquela criança?
Trevor: Eu... Eu faria de tudo.

A garota respirou fundo.

Garota: Eu me chamo Sky.

Sky estendeu sua mão para Trevor, que a cumprimentou. As mãos de Sky pareciam as únicas partes de seu corpo que não estavam cobertas.

Trevor: Eu sou Trevor.
Sky: Prazer, Trevor... Podemos falar em particular?

Trevor não entendeu aquilo. Mas aquela garota parecia uma adolescente, e ele já era um homem adulto. Mesmo se ela o ameaçasse, ele teria força para atacá-la.

Trevor: Sim... Podemos...
Sky: Ótimo, vem comigo...

Sky levou Trevor até um edifício. Os dois pararam no terraço, a 20 andares do chão.

Trevor: O que você quer comigo, Sky?

Sky retirou seu capuz. Seu rosto era branco, com cabelos roxos e lisos, que balançavam com o vento.

Sky: Eu tenho um presente para você, Trevor...
Trevor: Um... Presente?

Sky retirou do bolso de sua jaqueta um grande relógio de pulso vermelho. Maior do que você está acostumado a ver.

Trevor: Um relógio? Pra mim?

Sky entregou o relógio para Trevor.

Sky: Coloque-o em seu pulso.

Trevor colocou o relógio. Parecia normal.

Sky: Eu tenho uma missão para você: Volte para a estação de trem e acerte o relógio para 21:10.

Trevor se espantou.

Trevor: Mas... Por quê?
Sky: Apenas faça isso. Depois me diga o que aconteceu.

Trevor não entendia. Mas resolveu não argumentar com aquela garota, que falava com bastante seriedade. Além do mais, se fosse uma pegadinha, não parecia nada de grave.

Trevor voltou para o metrô. Ainda havia certa comoção no local. Pessoas continuavam olhando para os trilhos, alguns choravam, outros pareciam desesperados... O relógio mostrava 21:34.

Trevor: Tá bem... Arrumar o relógio para as 21:10...

Trevor mexeu nos comandos do relógio. Assim que o horário foi marcado, Trevor apertou um botão que dizia "Confirmar".

Trevor: Pronto!

No momento em que fez isso... Trevor entrou em pânico... Uma forte rajada de vento, composta por luzes coloridas passaram ao seu redor... E alguns segundos depois...

Trevor: O... O quê?!

Em sua frente estava uma estação de trem comum... Pessoas conversando naturalmente, checando seus relógios... E no balcão onde se compram as passagens, havia a mesma mulher de antes, com o carrinho de bebê ao seu lado.

Trevor: Mas... Mas o que foi isso?!

Naquele instante, porém... O carrinho da criança se desprendeu. Imediatamente, Trevor entrou em ação.

Trevor: Senhora!! O Carrinho do seu filho!!

A mulher imediatamente se virou e segurou o carrinho.

Mulher: Meu Deus!! Obrigada, senhor!! O senhor salvou a vida do meu filho!!

Algumas pessoas ao redor observavam a cena. Um ou outro aplaudiu a atitude de Trevor, que ainda estava confuso.

Trevor: Foi... Foi um prazer meu...

Trevor olhou para seu relógio de pulso.

Trevor: Mas... Que coisa é essa...?

Trevor se preparou para sair da estação... Mas do lado de fora, alguém o esperava.

Sky: Olá.
Trevor: Sky... Eu... O que eu fiz?

Sky riu.

Sky: Você criou outra realidade... Uma realidade onde aquele bebê sobrevive.
Trevor: Eu... Eu não consigo acreditar...

Sky pensou.

Sky: Tem mais uma coisa que eu quero que você veja. Vamos até um lugar que eu conheço.
Trevor: Fala do topo daquele edifício?

Sky pensou por alguns segundos.

Sky: Eu já fui com você pra lá? Eu não lembro disso.
Trevor: Sim, você me deu o relógio lá em cima.
Sky: Não nessa realidade. Aqui você já tem o relógio, mas eu não lembro como te dei porque te encontrei agora no metrô.

Trevor começou a entender... Eram quase 21:30 quando Sky lhe deu o relógio, mas agora passava das 21:15. Nessa realidade, os dois nunca foram para o topo do edifício, mas Trevor se lembrava por ter feito a viagem.

No topo do edifício, Sky e Trevor pararam perto da beirada, onde podiam ver a rua.

Sky: Trevor... Você vê dois botões na parte de baixo do seu relógio?

Trevor observou. Era um botão verde e um laranja.

Trevor: Sim...
Sky: Aperte o botão verde.

Trevor apertou o botão verde. Uma mensagem dizendo "Tempo Salvo" apareceu.

Trevor: Tempo Salvo?
Sky: Sim... Agora quando estiver chegando no chão, aperte o botão laranja.

Trevor estranhou.

Trevor: No chão?

Sky agarrou Trevor. Em questão de segundos, o arremessou do topo do prédio.

Trevor: O... O quê?! Aaahh!!

Trevor caía em direção ao meio da rua enquanto vários carros passavam por lá. Rapidamente, em desespero, apertou o botão laranja quando estava apenas alguns metros do chão.

Trevor apareceu novamente em frente à Sky. Um alarme disparou em seu relógio. Assim que recuperou o fôlego e o observou, uma mensagem dizia: "Tempo Restaurado".

Sky: Uau... Você parece assustado... O que aconteceu?

Trevor olhou irritado para Sky.

Trevor: Você é louca?! Você me jogou de cima do prédio!!

Sky estranhou.

Sky: Joguei? Não, eu não fiz isso.
Trevor: Fez sim!! Pediu para que eu apertasse um botão verde e depois um botão laranja antes de me espatifar no chão!

Sky entendeu o que aconteceu.

Sky: Ah sim... Você restaurou o tempo... Por isso eu não lembro. Nessa realidade eu não te joguei de cima do prédio. Entende o que quero dizer?
Trevor: Você é louca... E se eu não tivesse apertado o botão à tempo?!
Sky: Hum... Aí seria um problema... Eu ia ter que descer todo esse prédio e apertá-lo eu mesma.

Já recuperado do susto, Trevor resolveu finalmente perguntar.

Trevor: Por que... Por que você está fazendo isso comigo, Sky?
Sky: Trevor, esse relógio se chama "Chronos". Ele tem a habilidade de controlar o tempo para aquele que o utiliza.
Trevor: Mas por que eu?

Sky riu.

Sky: Simples... Eu preciso de alguém para testar esse relógio por mim.
Trevor: Testá-lo? Como?

Sky fez uma expressão séria.

Sky: Trevor... De agora em diante, a sua vida vai começar a ficar mais perigosa...

Trevor se espantou.

Trevor: Perigosa? Como?
Sky: Eu não posso entrar em detalhe, mas siga meu conselho: Crie pontos de restauração no tempo sempre que puder, e evite viajar demais quando não for necessário.

Sky se virou para a beirada do edifício e observou a paisagem noturna. Prédios com janelas iluminadas, outdoors e o som do tráfego.

Sky: Se quiser falar comigo, pode geralmente me encontrar aqui... Eu gosto desse lugar.

Trevor olhou para o Chronos.

Trevor: Sky, eu... Não te entendo.
Sky: Você vai entender... Agora volte pra casa e cuide muito bem desse relógio.

Trevor baixou a cabeça. Em seguida, se virou para trás e deixou Sky sozinha observando a paisagem.

0 comentários